CASA ERMELINDA FREITAS E OS IMPACTOS DE COVID-19 NO SETOR

A pandemia de Covid-19 trouxe inúmeras mudanças a nível mundial e em todos os setores. A vertente vitivinícola não «escapou» a esse cenário, tendo sido obrigada, também ela, a adaptar-se a e procurar novas metodologias e dinâmicas. Leonor Freitas, Sócia Gerente da Casa Ermelinda Freitas, não sabe o que o futuro reserva, mas acredita que «até ao lavar dos cestos é vindima» e por isso sente-se otimista no futuro.

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Leonor Freitas, Casa Ermelinda Freitas

Como tem estado a decorrer a venda e exportação da produção de vinhos? a escoação do produto está a decorrer de modo normal ou decaiu?
A Covid-19 trouxe alterações a todos os setores, e no setor do vinho também não podemos dizer que está tudo igual como estava antes. Vamos continuando a laborar e vendendo sobretudo os vinhos mais económicos, reforçando que felizmente o vinho ainda é um produto onde existe procura e consumo. A Casa Ermelinda Freitas, gerência e colaboradores continuam unidos para nos mantermos a trabalhar agradecendo assim aos consumidores a ajuda que tem dado ao adquirir os nossos vinhos.

Em caso de prejuizo, já contabilizam alguns dados?
Neste momento a minha grande preocupação é a saúde dos nossos colaboradores, bem como tomar todas as medidas para que cada um dos mesmos seja um agente de saúde, pois queremos continuar a laborar. Depois logo farei outros levantamentos e recolha de dados.

No caso da produção não estar a ser escoada consoante as previsões, já têm algum planeamento de como fazer esse escoamento para o mercado, através de campanhas?
Por enquanto temos de agradecer aos consumidores que nos tem ajudado a ir escoando o que se vai laborando, bem como a preferência pelos vinhos da Casa Ermelinda Freitas, enquanto isto acontecer iremos manter a nossa estratégia.

Têm previsão em relação à nova colheita de 2020, quer no número de trabalhadores que vão conseguir reunir, quer também no seu futuro escoamento?
Ainda é muito cedo pois neste setor sempre se diz que até ao lavar dos cestos é vindima. No fundo isto quer dizer que cada dia vai ser um dia pois ainda temos muitos dias pela frente de sol, calor e chuva até por as uvas na adega. O que se prevê perante os acontecimentos atuais, é que vai ser uma colheita normal e nada mais consigo antecipar pois o futuro ninguém o sabe.

Casa Ermelinda Freitas e IPS juntos na produção de álcool gel e viseiras

Projeto de fabrico de 6000 litros de álcool gel está a ser desenvolvido nas instalações da empresa vitivinícola.

A Casa Ermelinda Freitas está numa parceria com o ips para a produção litros de álcool gel. como está a decorrer esse processo e, tendo em conta que a pandemia ainda pode vir a durar bastantes meses?
Nesta iniciativa, o Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) foi responsável pelo desenvolvimento tecnológico, com os seus docentes a criarem a solução antisséptica. “É um trabalho de grande colaboração com o IPS, de que me orgulho muito, porque nesta fase as preocupações devem estar centradas, nas pessoas, depois nas pessoas, e ainda nas pessoas” diz Leonor Freitas, gerente da empresa.
A produção deste álcool gel vai ser distribuída em hospitais e IPSS do distrito, bem. como por agentes de proteção civil e estabelecimentos prisionais. A Casa Ermelinda Freitas apoiou também a produção de 2500 viseiras de proteção individual, igualmente em articulação com o Politécnico de Setúbal.

Leonor Freitas, como surgiu esta ideia de produzir Álcool Gel e Viseiras?
A ideia de produzir Álcool Gel, nasce da necessidade que a Casa Ermelinda Freitas sentia que havia na sociedade e no mercado devido à grande procura de álcool gel, nos próprios tínhamos dificuldades em adquirir e o que encontrávamos estava com um preço muito alto. Leonor Freitas sentiu também grande necessidade de colaborar com as instituições mais desfavorecidas, lares, prisões, e outras instituições carenciadas de idosos que não conseguiam ter acesso.
Mãos à obra e temos o álcool, mas não sabemos como fazer o gel… Nesta altura de dilema o presidente do Instituto Politécnico de Setúbal telefona para Leonor Freitas e pergunta se tinha álcool para dispensar para poderem fazer gel pois sabiam como fazer mas não tinham o álcool necessário.
O Instituto Politécnico de Setúbal forneceu todo o seu conhecimento e parte química para o processo de conceção, a Vinisol vendeu o álcool a preço muito barato, tendo sido assim possível criar esta conjugação de esforços que permitiram uma grande aprendizagem em prol da nossa sociedade podendo assim ajudar todos os que necessitam.
Assim nasce a iniciativa que juntou três entidades Casa Ermelinda Freitas, Vinisol, e IPS e sem todo esta envolvência não seria possível fazer os 6.000L de álcool gel.
As viseiras foi porque o IPS estava a fazer as mesmas e necessitava de mais alguns recursos, a Casa Ermelinda Freitas deu um donativo para ajudar a aumentar a produção, existindo também mais empresas na região a contribuir para esta causa. A Casa Ermelinda Freitas, vai dar uma viseira a cada funcionário da empresa, queremos proteger os nossos colaboradores
Não há dúvida que juntando vontades, saberes, colaboradores podemos ser solidários e com um pequeno gesto ser uma grande mudança e ajuda para a vida das pessoas e instituições.
A adaptação apenas foi possível juntando, vontade, produto e o saber de uma instituição superior com é o Instituto Politécnico de Setúbal. Tudo é possível e tudo é fácil quando queremos ajudar o próximo.
A Casa Ermelinda Freitas está preocupada com o que se passa com a saudade e economia da sociedade em Portugal e no mundo. Mas temos imensa alegria em pensar que é possível e termos a possibilidade de podermos ajudar aqueles que tanto precisam desta ajuda. Também dizer que tivemos imensa preocupação que cada funcionário nosso fosse um agente de saúde, dando formação para poderem agir como tal, podendo assim também passar a quem lhe rodeia toda esta responsabilidade.
Estou preocupada com a economia, mas muito mais preocupada com as pessoas. Quando estivermos bem lutaremos pela economia agora vamos lutar pelas pessoas.

Necessidade desse produto, pode ser uma nova linha de laboração para a empresa?
Quanto a ser uma nova linha de laboração, nunca será. Não é a nossa área fazer Álcool Gel foi feito por uma necessidade sentida de responsabilidade social, dando à mesma um produto que muita falta fazia tendo. O foco principal da Casa Ermelinda Freitas é fazer sempre os melhores vinhos, ao melhor preço para poder satisfazer os seus consumidores.