“ESTIVEMOS DESDE O PRIMEIRO MOMENTO NA LINHA DA FRENTE AO COMBATE A ESTA PANDEMIA”

A Revista Pontos de Vista foi conhecer o SUCH – Serviço de Utilização Comum dos Hospitais e conversou com o Presidente da instituição, Paulo Sousa, que nos deu a conhecer um pouco da orgânica da mesma, uma marca que é parte integrante do Serviço Nacional de Saúde e equiparado aos demais profissionais de saúde, enquanto prestadores diretos de atividades de suporte a todos os hospitais públicos.

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Quando foi edificado o SUCH – Serviço de Utilização Comum dos Hospitais e de que forma é que tem vindo a capitalizar a prestação de serviços na vertente da área hospitalar?
Em 1965, o Professor Coriolano Ferreira (primeiro Presidente do SUCH) anteviu que as instituições prestadoras de cuidados de saúde, públicas ou privadas, deveriam libertar-se da gestão de atividades que não constituíssem a sua função principal e, antes, centrarem a sua atenção naquela que era – e é – a sua razão de ser: a prestação de cuidados de saúde.
Desta visão surgiu o SUCH criado ao abrigo do Decreto-Lei n.º 46 668, pelo despacho ministerial de 22 de abril de 1966, com o objetivo de realizar a prestação de serviços de utilização comum dos hospitais, segundo um modelo de colocação em comum dos meios que suportam as áreas instrumentais à atividade da prestação de cuidados de saúde, tendo-lhe sido reconhecida a qualidade de pessoa coletiva de utilidade pública administrativa.

De que forma é que vossa ação tem contribuído para o incremento da eficácia e eficiência do sistema de saúde e para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde?
A evolução ao longo dos anos confirmou o SUCH como um instrumento importante de autossatisfação das necessidades das instituições do Serviço Nacional de Saúde, suas associadas, desenvolvendo, em regime materialmente cooperativo, iniciativas e soluções que as mesmas utilizam em comum e que contribuem para o seu funcionamento mais ágil e eficiente, proporcionando-lhe ganhos de escala e libertando-as para a plena dedicação à prestação de cuidados de saúde. O reconhecimento deste facto já com mais de 50 anos fez-se recentemente com o Decreto-Lei n.º 209/2015 e a manutenção expressa do interesse público da sua missão.

Explique-nos um pouco sobre a vossa metodologia e que género de intervenções têm tido nas áreas de atuação ao serviço da saúde?
Para além de prestador de serviços nas áreas onde, nem os associados, nem o mercado, dispõem de respostas próprias, o SUCH assume também uma função de regulador material, em áreas onde o mercado dispõe de menos agentes, ou algum ou alguns destes agentes detêm excessiva preponderância, a nível nacional ou local, garantindo pela via da contenção, a prática de preços e condições adequados e aceitáveis, que impedem as práticas concertadas de mercado.
O SUCH foi, também, o percussor da partilha de serviços no setor da saúde em matéria de compras e logística, serviços financeiros e recursos humanos, áreas que, entretanto, foram autonomizadas e atribuídas à SPMS – Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, E. P. E. (SPMS, E. P. E.).

Vivemos atualmente um momento excecional provocado pela pandemia do Covid-19. De que forma é que se viram «obrigados» a adaptar a estes novos tempos e realidade?
Nós somos parte integrante do Serviço Nacional de Saúde e equiparados aos demais profissionais de saúde, enquanto prestadores diretos de atividades de suporte a todos os hospitais públicos. Neste sentido, a nossa adaptação foi a de garantir que – não obstante, o necessário cumprimento das regras e diretrizes de segurança – que as prestações não falhassem e que todos os apoios periféricos aos cuidados de saúde que estão a nosso cargo não falhassem, muito pelo contrário, foi necessário em várias prestações reforçar a nossa capacidade de resposta para acompanhar a exigência e pressão deste contexto. Um exemplo muito “visível” da intervenção do SUCH neste cenário prendeu-se com a questão dos ventiladores. A intervenção do SUCH nesta matéria foi – sem “falsas modéstias” – muito importante para a resposta do SNS à carência de ventiladores: de 109 ventiladores “parados” por falta de reparação, para abate ou por qualquer outra carência, o SUCH conseguiu reparar e colocar ao dispor dos Hospitais 105 ventiladores.

Que impacto teve todo este novo cenário na vossa orgânica e como continuam a perpetuar os vossos serviços e apoio no domínio da saúde?
A orgânica do SUCH não se alterou porque acompanhou sempre a missão: dar resposta aos Hospitais, neste e em qualquer contexto.
A nossa exigência e motivação foi, mais do que nunca, garantir que os equipamentos que reparamos e mantemos estivessem capazes de responder, garantir que os doentes têm roupa na cama a que estão confinados, providenciar que doentes e profissionais têm refeições disponíveis. Que tudo está capaz e pronto para responder a este pico de tensão e pressão a que estamos agora sujeitos.

Atuam em quatro grandes áreas: SUCH Engenharia, SUCH Ambiente, SUCH Nutrição e SUCH Serviços. Quais as valias de cada uma e qual o desiderato em cada uma das mesmas?
O SUCH Nutrição garante serviços especializados na área da Alimentação Hospitalar.
Um plano alimentar adequado às necessidades nutricionais de cada um dos pacientes é um aliado imprescindível para uma recuperação mais célere.
Respeitar o plano alimentar individual em situações especificas, garantir a qualidade dos alimentos e consequente qualidade das refeições permitem ao SUCH Nutrição prestar um serviço exigente com rigor e profissionalismo.
Por seu turno, o objetivo em todas as competências do SUCH Engenharia é incrementar, através de uma filosofia de serviços partilhados, a eficiência produtiva, geradora de capacidade de resposta, e a otimização dos meios humanos e materiais.
O SUCH Engenharia opera em 4 Unidades de Prestação, que asseguram um serviço global. Dispõe de uma estrutura funcional, flexível e escalável, capaz de acompanhar o crescimento dos Associados e Clientes em dimensão física e tecnológica, garantindo uma gestão integral de equipamentos e instalações: Manutenção de Instalações e Equipamentos; Energia; Projetos e Obras e Segurança e Controlo Técnico.
O SUCH Ambiente ministra as quatro áreas mais críticas nos serviços de apoio às instituições prestadoras de cuidados saúde, que são desenvolvidas numa lógica de centro de competência focado na higiene e no controlo da infeção.
Esta estrutura orientada para uma atuação sinérgica, no âmbito geral da promoção de ambientes hospitalares seguros, integra: Gestão e Tratamento de Roupa Hospitalar; Gestão e Tratamento de Resíduos Hospitalares; Gestão e Reprocessamento de Dispositivos Médicos e Gestão e Limpeza Hospitalar.
Por fim, numa ótica de diversificação de serviços que permitem aos seus Associados e Clientes gerar poupanças substanciais surge o SUCH Serviços, a área mais recente do SUCH.
Esta área vem permitir a plena dedicação dos Associados ou Clientes à prestação de cuidados de saúde, objetivo principal de uma unidade de saúde, libertando-se dos serviços secundários e periféricos, mas importantes para o bom funcionamento geral das instituições.
Garantindo uma oferta integrada com recurso às tecnologias de acesso e controlo mais evoluídas do mercado, o SUCH Serviços engloba 4 unidades de prestação: Gestão de Parques de Estacionamento; Gestão de Serviços de Transporte; Gestão de Arquivo e Armazéns Centrais e Metrologia.

Em todo este panorama, além dos clientes e associados, é vital que o corpo de recursos humanos não seja esquecido. Neste domínio, que medidas e metodologias utiliza a marca neste cenário da Covid-19 para proteger os seus trabalhadores?
Os profissionais do SUCH, equiparados neste contexto aos demais profissionais de saúde, estiveram desde o primeiro momento na linha da frente ao combate a esta pandemia, garantindo a necessária confiança e estabilidade aos Hospitais que contariam com o cumprimento das prestações a cargo do SUCH e inclusivamente ao seu reforço, sempre que tal foi necessário.
Para salvaguardar os seus profissionais, desde logo o SUCH elaborou um Plano de Contingência, com medidas gerais e específicas para cada área de atividade, tendo ainda constituído uma Equipa interna multidisciplinar (da qual faz parte a equipa da Segurança no Trabalho) para a respetiva implementação e acompanhamento de todas as questões relacionadas com esta matéria.
Do Plano de Contingência consta a definição de responsabilidades, procedimentos e medidas específicas a adotar para mitigar as consequências desta infeção no desempenho das atividades desenvolvidas pelo SUCH, garantindo, simultaneamente, a segurança de todos os cerca de 3.500 trabalhadores.

Que mensagem lhe aprazaria deixar a todos os profissionais de saúde que dia após dia continuam a lutar em prol da saúde dos portugueses?
A todos os profissionais de saúde, nos quais incluo os trabalhadores do SUCH, transmito duas palavras de reconhecimento: coragem e gratidão.