“A EXPORTAÇÃO É TANTO UMA NECESSIDADE COMO OPORTUNIDADE”

Dulce Forte, Presidente da Direção e Beatriz Dias, Analista de Mercados Internacionais da AIIE - Associação Internacionalização e Inteligência Económica, explicaram à Revista Pontos de Vista, o porquê de se classificarem como "o braço direito do seu negócio para a internacionalização”, de que forma se adaptaram à nova realidade provocada pelo novo coronavírus e qual o impacto do mesmo nas micro e pequenas empresas.

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De que forma a AIIE – Associação Internacionalização e Inteligência Económica tem vindo a contribuir para um mercado cada vez mais exigente?
Dulce Forte (DF) A AIIE – Associação Internacionalização e Inteligência Económica, é uma associação empresarial fundada em janeiro de 2016 com o principal objetivo de apoiar micro e pequenas empresas no processo de internacionalização. Este propósito surgiu pela falta de suporte e recursos que este tipo de empresas apresenta e que muitas vezes acaba por ser um elemento limitador da sua atividade. Para além disso, sendo o tecido empresarial português constituído maioritariamente por PME’s, é crucial apresentar estratégias que possibilitem uma maior aposta no seu crescimento e abertura. Neste sentido, desenvolvemos um trabalho bastante completo de consultoria e formação, elementos básicos fundamentais para uma empresa crescer, e prestamos serviços complementares de acompanhamento. Nestes serviços englobamos estudos de mercado, marketing internacional, apoio na candidatura a fundos comunitários, apoio no processo de exportação/internacionalização, entre outros.
Com um mundo cada vez mais interconectado e interdependente, contamos com uma rede de parceiros localizada em mercados estratégicos pronta para contribuir. Tal como mencionou, o mercado é cada vez mais exigente e neste sentido o acesso rápido a informação atualizada e correta é essencial. É também por esta razão que os nossos parceiros são um elemento imprescindível de apoio aos nossos associados.

De que forma a Associação se tem adaptado à nova realidade provocada pela pandemia do Covid-19?
Beatriz Dias (BD) A AIIE tem procurado sobretudo por oportunidades. É um momento muito sensível e é importante olhar com atenção para o que se passa no mundo e, mais especificamente, nos mercados. Acima de tudo, alertamos os nossos associados para a importância da estratégia. O planeamento será essencial para reduzir riscos e perceber o melhor momento para reagir.
Por outro lado, esta crise veio tornar ainda mais evidente a importância do online. É neste sentido que a Associação apresenta o seu próprio Marketplace, uma ferramenta que estará à disposição dos seus associados e de outros possíveis interessados e que irá alocar um conjunto de negócios num espaço comum de venda online. Garantindo maior visibilidade, e menos riscos, a estrutura estará montada a fim de reduzir custos e sobrecarga às empresas.
Outra área a que nos dedicamos é a formação. Neste momento está a decorrer o 2ºCiclo da Formação Ação, projeto financiado que permite que micro e pequenas empresas empreguem recursos em áreas onde, de outra forma, teriam mais dificuldades. Neste caso, a formação teve de ser totalmente transferida para as plataformas online. Mas a adaptação foi bastante rápida e fácil.

O que fizeram, nestes tempos difíceis, para salvaguardar as missões e objetivos das empresas com o qual trabalham?
(BD) Inevitavelmente algumas ações tiveram de ser adiadas. A instabilidade no setor dos eventos, por exemplo, levou a que adiássemos a presença em feiras ao qual já tínhamos planeado acompanhar associados e para o qual tínhamos grandes perspetivas.
Com isto, a nossa estratégia teve de ser revista e estamos a fazer um trabalho de acompanhamento e identificação de lacunas. De forma a auxiliar este processo, desenvolvemos o ‘Mosaico da Internacionalização’, uma ferramenta que agrupa um conjunto de serviços e áreas que consideramos essenciais para o processo de crescimento de uma empresa e sua consequente ida para o exterior.
No mosaico destacamos as áreas onde prestamos consultoria e o objetivo é que sirva também como um pré-diagnóstico com perguntas e opções previamente estipuladas, o que possibilita que as empresas, ao irem respondendo, tenham uma perceção imediata de quais as áreas onde apresentam maiores deficiências e é urgente atuar. Isto torna o processo mais rápido e alinhado com os seus objetivos e ambições.
Para além disso, apostámos na formação. Organizámos um Webinar bastante dinâmico sobre uma temática um pouco desconsiderada e ao qual tivemos uma grande adesão: A Comunicação Intercultural. Simultaneamente, estamos a desenvolver uma pós-graduação no âmbito da internacionalização em parceria com uma instituição de ensino superior.
Tudo isto serve como um trabalho prévio e de grande relevância para uma fase posterior de saída para os mercados externos.

Na atual conjuntura, quão importante é para as empresas a exportação e internacionalização das mesmas?
(BD) O mercado português não é grande e somos dos países europeus com menor poder de compra, por essa razão, focar exclusivamente a atividade no mercado nacional é um risco. Por outro lado, a maior parte das nossas exportações são para os mercados da União Europeia, o que é ainda mais preocupante visto que se espera um grande abrandamento da atividade económica neste espaço.
A exportação é, portanto, tanto uma necessidade como oportunidade. Uma necessidade porque precisamos dela para potencializar a nossa atividade, uma oportunidade porque surge como alternativa para diversificarmos os riscos a que estamos expostos e diminuir dependências.
É claro que uma estratégia mal planeada pode reverter-se num risco gigante, e por isso importa ressaltar a importância de apostar na inovação e na singularidade do produto a apresentar nos novos mercados. Perceber de que forma este será recebido no mercado, se com maior ou menor abertura, quem é o público alvo, e principais concorrentes, são aspetos fundamentais.

Quais são, para si, os maiores desafios que a AIIE enfrenta face ao coronavírus?
(BD) Um dos maiores desafios, e penso que seja transversal a qualquer organização que atue no mesmo sentido que nós, é quebrar uma certa tendência protecionista que possa ter emergido – as pessoas ficaram com medo e os negócios retraíram. Neste sentido, é nosso papel desmistificar algumas ideias e apresentar projetos e soluções para os nossos clientes. Mais do que tudo, é necessário mostrar que em situações de crise surgem também novas oportunidades.
Paralelamente, parte da nossa atividade manteve-se bastante ativa pois adaptámo-nos rapidamente. Se por um lado os nossos consultores foram fundamentais para manter o contacto próximo com os clientes e procurar fazer a manutenção dos projetos em curso, por outro, fomos procurando novas parcerias e projetos. Manter uma atividade dinâmica e pró-ativa neste cenário pode ser um fator muito importante para não perder espaço e oportunidades. Isto possibilita ainda criarmos uma imagem positiva e de suporte aos nossos associados que, obviamente, acabam por ser os maiores beneficiados das nossas iniciativas.

Sempre com caráter inovador, o que falta conceber e o que podemos esperar do futuro da AIIE – Associação Internacionalização e Inteligência Económica?
(DF) Apesar de ter apenas quatro anos de existência, a AIIE tem procurado ao máximo explorar oportunidades e envolver-se no mundo empresarial de forma ativa e empreendedora. Queremos criar sinergias, fomentar o crescimento e contribuir ativamente para o sucesso das empresas portuguesas. Atualmente encontramo-nos a explorar parcerias com outras entidades de forma a ter acesso a mais oportunidades e aumentar a nossa rede de parceiros. Já iniciamos alguns contactos e o feedback é bastante positivo.