“APOSTAMOS MUITO NA ESPECIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO”

A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Luís Santos, Coordenador de Ciências Aeronáuticas do ISEC Lisboa, sobre a dinâmica que a instituição perpetua numa das áreas mais tecnológicas, reguladas e exigentes a nível mundial, a Aeronáutica. Conheça mais de uma entidade que perpetua uma oferta nesta área que assenta no rigor, na excelência e no prestígio.

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O ISEC Lisboa assume-se atualmente como uma das instituições de ensino e formação em Portugal e não só mais prestigiadas, promovendo sempre uma dinâmica inovadora, diferenciadora e promotora de valor nas suas ofertas formativas. Para dar a conhecer ao nosso leitor, quais são os principais pilares da marca no que concerne ao assumir-se como um pilar ao nível da Educação em Portugal?
O ISEC Lisboa disponibiliza formação académica superior muito variada, e tem vindo a apostar cada vez mais na diferenciação. Tem como principais pilares a Qualidade de ensino, onde nunca descorando a vertente teórica, procurar sempre estar alinhado com as espectativas e tecnologia do mercado de trabalho. Outro pilar importante, e ao qual damos muita relevância, é a experiência profissional não académica dos docentes, que transmitem aos alunos todo o tipo de cenários passiveis de se encontrar num contexto real de trabalho. A flexibilidade académica, onde providenciamos aos alunos justamente o que eles procuram numa instituição de ensino superior, sempre num contexto académico e com muita incidência nas necessidades da indústria. E por fim a inovação, quer curricular, quer tecnológica quer também ao nível de condições laboratoriais. De salientar que temos vindo a apostar cada vez mais nos conteúdos em Inglês com o objetivo de adaptarmos à realidade de mercado e também com vista na expansão e internacionalização da marca ISEC Lisboa.

A licenciatura em Ciências Aeronáuticas é uma das mais prestigiadas e reconhecidas no seio da instituição. Quais são as valias apresentadas por esta oferta formativa para este setor?
Pautamos muito pela exigência, quer a nível curricular do curso, quer ao nível da gestão do mesmo. Sendo o setor aeronáutico um dos mais regulados do mundo, é extremamente importante todos os conteúdos estarem alinhados com os reguladores. Outro desafio é a de estar sempre atualizados com as tecnologias emergentes. Pautamos por apresentar e desenvolver nos alunos, ainda num contexto académico, as ferramentas necessárias para se apresentarem no mercado laboral com todas as valências necessárias ao desenvolvimento profissional destes. Apresentamos também uma série de aproximações à indústria que visam a promoção das vertentes mais técnicas dos alunos, bem como de diminuir o gap existente entre as instituições de ensino superior e as reais necessidades da indústria.

Explique-nos um pouco como é que a esta oferta, em Ciências Aeronáuticas, se desenvolve e como é que a mesma prepara os alunos para o universo do trabalho e emprego no âmbito da aeronáutica?
O curso de Ciências Aeronáuticas tem duas vertentes, a primeira é o ramo da Manutenção e a segunda o ramo da Pilotagem e Oficial de Operações de Voo. Ambas preparam os alunos quer na vertente teórica, quer na vertente prática, muito perto do contexto real de trabalho. Apostamos muito na especialização do conhecimento. Estamos também a apostar muito ao nível de equipar com as mais recentes tecnologias as nossas instalações. Estamos a finalizar a construção de um hangar que irá ser equipado com o que mais recente se faz ao nível laboratorial no ensino da aeronáutica, tudo para que o contexto formativo seja o mais próximo possível do mercado de trabalho. Quer no ramo da manutenção, quer no ramo da pilotagem. Além de todas as condições existentes, temos também diversos parceiros na indústria. Damos muito valor a estas simbioses porque providenciam aos alunos todas as condições de crescerem academicamente e profissionalmente.

Qual é o índice de sucesso que tem tido e que números podem ser apresentados no domínio da empregabilidade do mesmo?
Segundo os últimos dados da Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, o índice de empregabilidade dos alunos de Ciências Aeronáuticas é de 100%. Muito devemos estes números à equipa docente e às condições que nos são facultadas pela direção do ISEC Lisboa. No entanto, o que mais nos motiva é continuar com esta marca de excelência, sempre com o foco em melhorar a nossa capacidade técnico-pedagógica e qualidade de ensino.

Que dimensão e importância assume hoje a Indústria Aeronáutica em Portugal? Que lacunas ainda identifica na mesma e que urgem ser ultrapassadas?
Felizmente a dimensão da indústria AED em Portugal está em crescendo. É importante para a economia nacional continuar a apostar no desenvolvimento da AED, uma vez que é uma indústria tradicionalmente exportadora, com impacto positivo no PIB, e que pode impulsionar o nome de Portugal e da indústria Portuguesa. No entanto ainda existe vários pontos que temos de melhorar, principalmente ao nível de recursos. É crucial haver uma formação adequada e profissionalizada de quem trabalha na aeronáutica, é um sector que está em constante evolução do estado do conhecimento, e, portanto, é determinante as empresas fomentarem o desenvolvimento e retenção dos seus ativos humanos, desde os quadros técnicos até aos cargos de gestão. Outro ponto a ter em conta são os apoios às pequenas empresas. São estas que tendencialmente trazem as ideias tecnologicamente mais inovadoras, no entanto, como o setor é altamente regulado, a burocracia por detrás é enorme e com processos confusos e lentos. É necessário que quem supervisione esteja mais perto destes projetos, facultando linhas dedicadas de apoio. Vemos que isso aconteceu noutros países, com resultados muito animadores. Seria muito interessante replicar esse modelo no nosso país.

Nos últimos cinco/seis anos, Portugal formou mais de 2.000 quadros técnicos e 300 engenheiros que estão a trabalhar neste cluster, mas a indústria aeronáutica, espacial e de defesa estima que seja necessário formar mais 2.000 novos técnicos qualificados e mais 200 novos engenheiros nos próximos três anos. Concorda? Que outros fatores são, igualmente, cruciais para este setor?
Com a pandemia, o setor irá certamente sofrer num curto prazo um decréscimo de atividade e levar a um certo ajustamento do mercado laboral. Vejo com algum ceticismo essa previsão macro, no entanto será necessário esperar um pouco mais para perceber qual irá ser a tendência. O último trimestre de 2020 e primeiro de 2021 serão crucias para perceber se vai existir uma inflexão ou a continuação de retoma. No entanto, prevejo que assim que a pandemia for ultrapassada, voltar aos valores de crescimento de 2018 e 2019.
Existem agora tecnologias emergentes que num curto prazo se vão tornar mainstream. É crucial agir agora para garantir a adoção destas logo numa fase inicial. Assim que este desafio também é de crucial importância, de modo a garantir a sustentabilidade e crescimento do sector. Terá de haver sinergias e parcerias entre parceiros da indústria, instituições académicas e start-ups para fomentar o desenvolvimento e adoção tecnológica.

Acredita que é vital continuar a apostar neste setor para que Portugal seja mais forte neste sentido e nestas áreas e consiga ter uma maior preponderância a nível internacional?
Certamente que sim. A indústria aeronáutica tem tudo para se tornar uma das indústrias de peso no PIB nacional. É relevante continuar a cativar indústria estratégica nesse sentido, continuar a formar recursos e sobretudo apoiar as pequenas empresas que vão nascendo com forte apetência para a AED. É também importante não baixar os braços e pensar que o crescimento enorme que houve neste setor é suficiente, temos de prosseguir e continuar a investir. Basta olhar para os nossos parceiros europeus, a percentagem de investimento no setor AED é muito superior ao nosso. Temos que continuar com o excelente trabalho feito até aqui, seguir fomentando esta indústria e dar-lhe condições para que possa crescer e atrair cada vez mais investimento.

Hoje vivemos num novo «normal», provocado pela pandemia da COVID-19. De que forma é que esta dificuldade veio alterar os planos previstos e modificar a dinâmica no domínio da formação em aeronáutica?
A pandemia veio alterar muitas das rotinas que tínhamos adquirido, principalmente ao nível formativo. A nossa formação antes da pandemia era 100% presencial. No atual contexto, tivemos que adaptar rapidamente todos os conteúdos académicos às plataformas digitais. Podemos afirmar com muito orgulho que hoje estamos adaptados a este novo contexto. Os alunos têm dado ótimo feedback de todas as ferramentas de E-Learning e B-Learning, bem como das várias plataformas pedagógicas colaborativas que temos implementado.

A AED, o Cluster Português para as Indústrias de Aeronáutica, Espaço e Defesa, promoveu os AED Days, que se realizaram nos dias 6, 7 e 8 de outubro. Na sua opinião, quão importantes são este género de eventos para o setor?
São cruciais porque são como uma montra do que de melhor se faz em Portugal neste âmbito. Deveria até haver mais iniciativas semelhantes na indústria, fomentando a captação de público, indústria e interesses estrangeiros para o nosso país.