“CINCO SÉCULOS DE HISTÓRIA NUM DOS MELHORES DESTINOS PARA AVENTURAS EM TERRA, AR E MAR”

A mãe natureza conseguiu dar origem aos mais inquestionáveis paraísos. Os Açores, conhecidos por muitos e por muitos outros ainda por descobrir, são um exemplo de um destino turístico de “pureza, de verdade, de verde puro e azul seguro”. Quem o diz é Luís Botelho, CEO da Associação de Turismo dos Açores. Saiba porquê.

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Na imensidão do Oceano Atlântico estão os Açores: um destino turístico com uma natureza intacta. Quais são as características que o tornam tão especial?
Natureza intacta é uma ótima expressão, que se aplica com todo o rigor aos Açores e àquilo que associamos à nossa terra. Somos especiais, desde logo, pelo facto de termos uma oferta diversificada, que pode ser explorada em qualquer altura do ano. São nove ilhas diferentes, cada uma com a sua atmosfera e com possibilidades de atividades distintas, para todos os gostos e preferências. No presente, o facto de ser um destino seguro, em que toda a gente é testada antes de entrar no arquipélago, é uma grande mais-valia. E, claro, a reconhecida faceta sustentável dos Açores, o primeiro arquipélago do mundo a ser certificado como destino turístico sustentável, pelas políticas de respeito, preservação e valorização da natureza e do meio envolvente, fazem dos Açores um destino inquestionavelmente único e especial. Para além de que se come sempre muito bem e que ninguém sabe receber tão bem como os açorianos.

Que roteiro propunha aos visitantes – e até aos residentes – para explorar os Açores?
Como disse, cada ilha é um mundo diferente. Quantas mais visitarmos, mais ricos voltamos para casa. É impreterível, nem que seja uma vez na vida, passar pelas praias de Santa Maria, pelas Furnas, em São Miguel, ou pela cidade de Angra do Heroísmo, na Terceira, Património Mundial da Unesco desde 1983. Mas há também que ir à Graciosa beber um licor de Andaia, a São Jorge fazer um trilho e provar um queijo, subir ao Pico e beber um vinho vulcânico… No Faial podemos recordar e saber mais sobre as erupções vulcânicas, no Centro Interpretativo do Vulcão dos Capelinhos, no Corvo visitar a Lagoa da Caldeira, alojada numa cratera, e nas Flores assistirmos ao pôr-de-sol no último sítio de onde é visível na Europa. Há muito para descobrir nos Açores, e o bom das nossas ilhas é que podemos sempre voltar para visitar o que não conseguimos na viagem anterior.

Defendem que o turismo só é bom para os Açores, se for bom para os açorianos. Qual é a mensagem que quer isto transmitir?
Isso está intimamente relacionado com a visão sustentável com que olhamos para a nossa ação, para o nosso território e para a gestão que fazemos da mensagem que queremos passar: só é positivo se estiver em consonância com o meio e com todas as suas partes integrantes. Não faz sentido um crescimento abrupto, que não respeite as tradições, o bem-estar dos açorianos e a preciosidade que são a fauna e a flora das nossas ilhas. Queremos um turismo crescente, claro, mas estruturado e consciente, para que daqui a 50 anos possamos conseguir continuar a mostrar os Açores ao mundo com aquilo que tem de melhor preservado e conservado, e com as suas gentes felizes e de portas abertas para todo o mundo.

A sustentabilidade já é há muito, um tema olhado com especial atenção. Que medidas tomaram para que os Açores se tornassem no primeiro arquipélago do mundo com certificado de destino turístico sustentável, pelo Global Sustainable Tourism Council?
A avaliação positiva resulta do compromisso entre o Governo dos Açores, a comunidade e as indústrias, nomeadamente o turismo no que toca à preservação da cultura e dos ecossistemas terrestres e marinhos. Pela mestria com que temos sabido conciliar o crescente fluxo turístico e o interesse sobre os Açores de uma forma geral com a preservação da sua riqueza patrimonial, o arquipélago afirma-se enquanto destino prioritário num momento em que o universo apela à nossa consciência ambiental, e em que valorizamos, mais do que nunca, a relação com o meio que nos rodeia. O turismo sustentável será sempre uma missão para os Açores: mostrar o que torna a região tão única e preservar essa riqueza, homenageando-a.

É fundamental que os Açores continuem a ganhar notoriedade junto dos segmentos de mercado que procuram destinos comprometidos com todas as vertentes da sustentabilidade. Assim, que estratégia imperativa utilizam, no sentido de reforço do seu posicionamento?
O que tentámos sempre fazer foi mostrar ao mundo que a sustentabilidade é um elemento que não é negociável no nosso crescimento. E os turistas sentem isso quando nos visitam. Açores é sinónimo de pureza, de verdade, de verde puro e azul seguro, como diz a nossa campanha que criámos para o verão deste ano, depois do confinamento. Sermos irredutíveis nesse sentido é o reforço de posicionamento mais consequente que podemos ter: queremos sempre continuar a receber mais e novas pessoas, mediante aquilo que nos é possível em termos de estruturas, protegendo sempre a nossa terra e as nossas pessoas.

Aumentar as atividades de internacionalização e a competitividade nos mercados externos é também uma das máximas?
Sim, porque temos todo o potencial para estar ao lado de destinos mundialmente muito acorridos, com soluções que agradam e cativam vários públicos, que procuram coisas diferentes. Somos muito fortes nas atividades de natureza e náuticas, em tudo o que é outdoor, mas também em tradição, na arte, na cultura. Queremos que o mundo conheça os Açores, cinco séculos de história num dos melhores destinos para aventuras em terra, ar e mar, que fiquem a saber mais sobre quem nós somos, a nossa cultura, a nossa gastronomia, tão rica e especial.

A segurança também foi, desde sempre, uma prioridade. Considerado um dos destinos mais seguros da Europa, que medidas são realizadas diariamente e que marcam a diferença?
Os testes feitos na chegada (ou ate 72h no destino de origem), bem como a repetição ao sexto dia tem se revelado uma medida muito eficaz para combater/controlar a disseminação do Coronavírus em territorial açoriano. Temos espaço para todos, atividades ao ar livre e a calma necessária para desligar de um momento tão atribulado como o que atravessamos. E não descuramos de todos os cuidados diários normais que todos devemos ter na atualidade.

O que irão continuar a implementar, para que o sucesso dos Açores, enquanto destino turístico de referência mundial, continue?
Temos várias novidades planeadas para o final deste ano e arranque de 2021, mas que não podemos revelar até porque o clima de incerteza em redor de todos nós a isso nos obriga. O principal compromisso será sempre mostrar os Açores ao mundo, e convidar a que todos nos venham conhecer, de forma segura e tranquila, sempre em comum acordo com o melhor que temos para oferecer: o nosso património natural e as nossas gentes.