INTEGRIDADE, INDEPENDÊNCIA E COMPETÊNCIA

Sabemos que a intervenção dos Revisores Oficiais de Contas inspira confiança aos agentes económicos, prevenindo riscos, antecipando problemas e encontrando as devidas soluções. À conversa com a Revista Pontos de Vista, esteve José Rodrigues de Jesus, Bastonário da Ordem dos ROC, que nos confirmou a sua recandidatura às próximas eleições para ver assim continuidade ao seu trabalho.

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Como Bastonário da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (ROC), abraçou a missão de tornar os revisores oficiais de contas reconhecidos pelo mercado como uma referência. Como nos pode descrever a evolução da profissão tendo em conta as medidas que implementou no seu mandato?
Os ROC exercem uma profissão altamente qualificada, reconhecida pela sociedade pelas suas características de exigência, rigor, aptidão para lidar com matérias complexas, elevada postura ética, competência, independência e neutralidade. Enquanto entidades que exercem funções de interesse público, têm sido chamados a aplicar as suas competências em áreas cada vez mais complexas, note-se a responsabilidade dos ROC no contexto da prevenção do branqueamento de capitais e combate à corrupção. O papel da Ordem é, assim, de extrema relevância tendo sido característica deste mandato, a prossecução de iniciativas de diálogo com os órgãos de poder e os reguladores para defesa dos seus interesses, bem como da garantia da competência dos seus membros, através da oferta de formação multidisciplinar, técnica e não técnica, de qualidade reconhecida, necessária para as boas práticas profissionais e para a melhoria contínua da qualidade.

Desde os mais elevados padrões de integridade, independência e competência, o diálogo frequente com os poderes e autoridades públicos, foi uma das prioridades da Ordem. Considera que a vossa posição foi eficazmente melhorada como parceiro dos mesmos?
Neste mandato, desenvolvemos contactos e colaborámos com a Assembleia da República, com o Governo, com autoridades públicas (Tribunal de Contas, Procuradoria Geral da República, Inspeção-Geral de Finanças) e com os reguladores financeiros (CMVM, Banco de Portugal, ASF), visando contribuir para adequadas soluções legislativas e permitir maior conhecimento da atividade do ROC, não limitada à revisão de contas, e seu contributo para o interesse público. A Ordem foi convidada a pronunciar-se sobre diversas propostas legislativas e regulamentares, bem como a colaborar em outras iniciativas. Destacam-se as interações com o Departamento de Supervisão de Auditoria da CMVM, tendo sido reforçado o diálogo e colaboração em aspetos como o controlo de qualidade e de atividade.

Para o exercício de 2020 estavam previstos alguns investimentos, como a mudança de sede e reimplementação do sistema informático. Considera que a pandemia tornou este plano de orçamento difícil? Que medidas foram realizadas para ultrapassar as adversidades?
É verdade. A crise sanitária condicionou significativamente os objetivos para o ano, designadamente a mudança da sede e o ajustamento do sistema informático. São processos sujeitos ao Código de Contratação Pública com fases muito definidas e inultrapassáveis. Com efeito, gastou-se tempo com o lançamento de procedimentos concursais para aquisição de serviços de empreitada, visando a adaptação das futuras instalações da sede, e de serviços de consultoria para apoio na definição de um adequado sistema informático que sirva melhor os interesses da Ordem e dos seus membros.

Olhando para o vindouro, que expectativas apresenta no que concerne às próximas eleições?
Os próximos anos serão muito exigentes no plano económico e social, e também técnico quanto ao exercício da atividade dos ROC. Os agentes económicos vão ter de se ajustar e garantir o emprego, a sustentabilidade e a recuperação da economia. Vai haver dinheiros públicos à disposição da economia e há que garantir que são bem aplicados. Os ROC são profissionais preparados para prestar esse serviço público. A informação financeira credível vai ser fundamental para a estabilização financeira e para a dinâmica dos mercados. Continuar a contar com os ROC para aquele objetivo será necessário e determinante, ajudando a esbater a iliteracia financeira e a promover as melhores práticas de governo societário, em entidades públicas e privadas.

Acredita que ser reeleito Bastonário é uma forte possibilidade, de modo a dar continuidade ao trabalho feito nestes anos à frente da OROC?
Sem dúvida. É também por isso que me candidato. É de interesse para os membros haver essa continuidade para alcançar os melhores resultados para a nossa classe profissional, potenciando e ampliando as importantes “conquistas” já conseguidas. Mas candidato-me também por respeito ao repto lançado por muitos e muitos ROC para me apresentar a um novo mandato, conjuntamente com a equipa atual, designadamente os Colegas do Conselho Diretivo, que me apoiou e vai apoiar no que há a fazer, como nós bem sabemos como realizar.