SUPERAR DESAFIOS, PROSPERAR CARREIRAS PROFISSIONAIS

Natacha Sommer trabalhava no setor financeiro, mas rapidamente percebeu que é no coaching que se sente realizada. Galardoada no início de 2020 com o prémio “Top Executive Coach and Owner”, pela IATOP – Internacional Association of Top Executives, a nossa entrevistada vê o seu trabalho reconhecido.

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Antes de a Natacha Sommer – Executive Coach – ser edificada, tendo um ano de existência, o seu percurso passou – e deixou a sua marca – por vários projetos e lugares. Conte-nos um pouco mais sobre si, no âmbito pessoal e profissional. Como se pode descrever?
Tenho a sorte de ter uma família que me apoia em tudo aquilo a que me dedico e um círculo pequeno de amigos com os quais sei que posso contar sempre, o que me reforça a auto-confiança e fomenta o desenvolvimento de causas mais arrojadas, diferenciadoras e que são muito importantes para mim.
No âmbito profissional, sempre gostei de estar dedicada a projetos onde esteja em constante aprendizagem e crescimento. Sempre quis desenvolver uma carreira internacional e adoro abraçar novos desafios.

Do setor financeiro, passou também a ter a missão de alcançar mais sustentabilidade no que na igualdade de género diz respeito, capacitando mulheres executivas para acelerar o crescimento da sua carreira. De que forma surgiu o projeto Natacha Sommer Executive Coach? Que programas foram desenvolvidos para garantir que tal missão seja cumprida e quais são os benefícios que realça?
Em 2017 participei num curso do IMD de liderança e nessa altura, trabalhei com uma Coach. A aprendizagem e exposição que tive no curso veio a ser decisiva para potenciar o meu reconhecimento na empresa e, nessa sequência, fui convidada a liderar projetos institucionais no Banco.
O meu projeto surgiu dois anos depois, quando decidi que me queria dedicar a uma missão com maior impacto. Desenvolvi um curso online com estratégias para maior visibilidade e reconhecimento dentro das organizações e um programa de coaching onde as minhas clientes são apoiadas para alcançar o objetivo profissional que estabelecem para si mesmas.
O maior benefício das minhas clientes é conseguirem melhorar a sua liderança e posicionarem-se dentro das suas organizações de forma mais estratégica.

Ter algo seu foi sempre um sonho ambicionado? Quão gratificante é poder contribuir com o seu conhecimento para algo que certamente renova vidas?
Mais importante do que a forma como desenvolvo a minha missão, o que é fundamental para mim é ter a certeza de que estou a ter maior impacto e a chegar a um grande número de executivas que se querem desenvolver como líderes.
É extremamente gratificante contribuir com a minha experiência e ver a transformação que as minhas clientes têm.

A Natacha Sommer tem especial atenção ao tema da desigualdade de géneros. Na sua opinião, como o observa atualmente comparativamente há uns anos? Considera que a evolução, no que concerne à igualdade de oportunidades, é notada ou o caminho a percorrer ainda é longo?
Os estudos demonstram que comparativamente há uns anos, o progresso tem sido positivo, mas ainda há um caminho longo a ser percorrido. Eu vejo a questão de desigualdade de géneros na carreira sob duas vertentes:
– “Gender Gap Pay” – ainda temos um gap salarial entre 20% e 30% entre homens e mulheres na indústria financeira. Na indústria financeira na Suíça, de acordo com o Federal Statistical office em 2016, em média as mulheres ganham menos 4,000 CHFs brutos por mês que os homens;
– Mulheres em cargos de liderança – estudo da Mckinsey “Women in the Worplace” demonstra que o maior obstáculo que as mulheres encontram é em serem promovidas para o primeiro cargo como gestoras. Em 2019, nos EUA, apenas 38% das mulheres tinham cargos de gestão. Esta disparidade nos primeiros anos de carreira impede que as mulheres progridam para cargos de mais elevados de liderança até ao C-suite (administração).

Tendo estudado em Portugal e vivendo de momento na Suíça, onde exerce a sua atividade profissional, sente algumas diferenças entre os dois países, quanto ao facto de ser mulher e consequentemente suas oportunidades?
Na minha opinião, em ambas as sociedades ainda há um longo caminho a percorrer e acredito que as empresas também têm de ter um papel mais ativo, assumindo o compromisso com a diversidade e inclusão, onde benefícios são reconhecidos por todos.
De acordo com um estudo do Credit Suisse “Gender 3000”, em 2019 as ações das empresas com mais de 20% de executivas em cargos de gestão superaram em quase 4% empresas com menos de 15%.
Acredito que não existem apenas benefícios financeiros, como os atrás referidos, mas também que as mulheres têm muito para contribuir tornando-se referências de liderança para outras mulheres com os seus atributos naturais de inteligência emocional e com a sua capacidade de criar parcerias construtivas.

Em tom de curiosidade, se pudesse mudar ou melhorar algo no mundo, começaria por onde?
Começaria por dar prioridade máxima à agenda da alteração climática.
Com a pandemia, infelizmente, toda a agenda de sustentabilidade ficou suspensa e quanto mais tarde atuarmos mais difícil vai ser reverter os efeitos da mesma.
Na minha opinião falta um compromisso sério em termos de sociedade para tornarmos o nosso planeta uma prioridade e tomarmos as decisões e ações necessárias de forma urgente.

Quais são os seus planos mais ávidos para o futuro? Há novidades a caminho?
A novidade mais recente é que fui convidada para prestar serviços como Executive Coach para uma empresa em São Francisco que está focada em desenvolver a inteligência emocional na liderança.
Um desafio que gostaria de abraçar mais tarde seria expandir o foco para todos os outros sustainability development goals (SDG) da União Europeia e não estar apenas focada na igualdade de género (SDG 5).