“VALORIZAMOS OS ALUNOS NA SUA VERDADEIRA ESSÊNCIA ENQUANTO PESSOAS, COM TODAS AS SUAS CAPACIDADES”

Saber, ser, estar e fazer, é o lema da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Alter do Chão. Citando Vera Tita, Diretora da mesma, encontra-se num espaço prestigiado e renomado, tendo outras características que a diferencia. Fique a conhecê-las.

55

A EPDRAC – Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Alter do Chão tem uma história de largos anos, contando com a capacidade para desenvolver o seu projeto educativo, tendo por isso características específicas. Quais são as particularidades e princípios que fomentam esta ideia?
O primeiro ponto forte desta escola está relacionado com a sua privilegiadíssima localização – a centenária Coudelaria de Alter. Não só usufruímos de um espaço prestigiado e renomado, como dispomos das infraestruturas adequadas ao desenvolvimento dos vários cursos. A beleza do local inspira-nos para o nosso dia a dia.
Outra característica que nos diferencia tem a ver com o espírito de corpo que nos une. Somos uma escola pequena, todos vivemos os problemas uns dos outros de forma, mais ou menos, intensa e juntos tentamos ultrapassar as barreiras que se nos interpõem. Com a vontade de todos as coisas acontecem. Partimos do princípio que o projeto EPDRAC é de todos e para todos; em equipa chegamos sempre mais além!

Um dos vossos lemas tem por base a formação profissional baseada no saber, ser, estar e fazer. Qual é a mensagem que quer isto transmitir?
O que pretendemos transmitir com o nosso lema é que apostamos no indivíduo como um todo; valorizamos os alunos na sua verdadeira essência enquanto pessoas, com todas as suas capacidades enquanto seres pensantes mas também como seres sociais e membros de uma comunidade vasta, com a qual têm e terão de conviver, trabalhar e crescer. Os nossos jovens adultos serão o futuro, por isso é tão importante conferir-lhes bons conhecimentos técnicos e práticos, lembrando sempre que para além de bons profissionais devem também ser boas pessoas e trabalhar com afinco, dedicação e lealdade ao próximo.

Entre as várias ofertas formativas da EPDRAC, qual é a que tem mais procura? Que qualidades aponta?
Os cursos profissionais mais procurados são o Técnico de Gestão Equina e o Técnico de Produção Agropecuária; penso que a razão desta preferência prende-se, por um lado, com o facto de serem os cursos há mais tempo em lecionação na escola, mas também pelas condições físicas que oferecemos e que já mencionei acima; e também devido às parcerias firmadas, algumas de longa data, que conferem grande credibilidade a estas ofertas formativas, pois de parceiros passam, muitas vezes, a empregadores.

Vivemos atualmente um “novo normal” intitulado por coronavírus – algo que provocou no mundo consequências e desafios que deixarão certamente as suas marcas. Quão impactante este se tornou no ensino da EPDRAC? Quais foram (e serão neste ano letivo), os principais desafios?
Penso que todos sentimos os efeitos deste inimigo invisível. Se é difícil lidar com o que conhecemos, combater o desconhecido coloca-nos numa posição melindrosa e desgastante. Perante o medo ficamos todos mais vulneráveis e gerir toda esta orgânica é mesmo muito difícil. No entanto, e à boa maneira do que defendemos na EPDRAC, há que acreditar que depois da pandemia virá a acalmia; o mundo ficará ligeiramente diferente e todos nós teremos aprendido alguma coisa nova. Que nunca percamos a força e a fé num mundo melhor!

Que mudanças e soluções foram obrigados a realizar face aos efeitos da pandemia que se instalaram?
As mudanças passam pelo que foi emanado pelo Ministério de Educação e pela DGS e que é do conhecimento público. As soluções encontradas giram em torno de uma aposta nas disciplinas de caráter mais prático e com aulas ao ar livre.

Tendo em conta esta realidade inconstante e cíclica, quais são as suas expetativas para o ano letivo 2020/21?
Acredito firmemente que “não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe”, por isso havemos de ultrapassar este infortúnio. Será um ano difícil, atípico e com muitos problemas que exigem respostas imediatas e que deixará as suas marcas em todos nós. A sociedade como a conhecíamos não será mais a mesma, espero que se aprenda alguma coisa com esta “desgraça”; a adversidade ensina-nos a ser mais resilientes. Aguardo ansiosamente tempos mais calmos e procuro diariamente a força necessária para lutar pela minha escola.

O que se poderá esperar de si, da EPDRAC e dos estudantes enquanto futuros profissionais?
De mim, podem contar com dedicação e crença de que o projeto EPDRAC faz parte da minha vida. Há 22 anos iniciei funções como docente na EPDRAC e, desde então, o meu projeto de vida profissional confunde-se com a história desta instituição. Se a escola cresceu e se consolidou, também eu com ela cresci, pessoal e profissionalmente.
Quanto aos alunos só posso dizer que são profissionais de excelência com provas dadas em Portugal e além-fronteiras. O seu espírito de trabalho, temperado de alguma abnegação, fazem deles elementos a contemplar em qualquer equipa que se preze.