Início Atualidade “As principais vantagens da AESS são a proximidade e o atendimento personalizado”

“As principais vantagens da AESS são a proximidade e o atendimento personalizado”

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“As principais vantagens da AESS são a proximidade e o atendimento personalizado”

A AESS foi concebida com intuito de disponibilizar a toda a população informações e ferramentas úteis que possibilitem promover o consumo consciente e desenvolver hábitos financeiros saudáveis de forma a melhorar a qualidade de vida. Como é que surgiu esta ideia e que lacunas foram preenchidas aquando da sua criação, em 2013?
Dulce Forte A AESS – Associação Economia Solidária e Sustentável nasce da lacuna que as suas fundadoras identificaram durante o percurso profissional anterior que tiveram como consultoras financeiras. Nesta atividade, e após inúmeros processos de apoio na obtenção e consolidação de créditos, era notória a falta de conhecimentos que a maioria dos clientes tinha sobre a gestão diária do seu dinheiro. Na génese da AESS está a vertente educativa, ou seja, prevenir, para não ter que remediar mais tarde, quando se está em processos de endividamento extremo ou mesmo falência pessoal.

Promovem e desenvolvem programas e projetos, com o objetivo de educar, formar e sensibilizar a comunidade para áreas como educação financeira, empreendedorismo e procura ativa de emprego. De que programas e projetos estamos a falar?
(DF) A AESS tem um programa de Literacia Financeira próprio, “Primeiro Passo“, o qual está concebido para dotar os diferentes segmentos da população com ferramentas que lhes permitem implementar ou melhorar conhecimentos e comportamentos financeiros na sua vida quotidiana. Dispomos de uma metodologia própria transversal a todos os grupos etários.
Até ao momento o “Primeiro Passo“ foi implementado em escolas, estabelecimentos prisionais, centros educativos, associações que acolhem jovens e / ou cidadãos com necessidades educativas especiais, empresas, técnicos de entidades que acompanham população em risco de exclusão, migrantes, entre outros.
Paralelamente, e sobretudo com jovens, concebemos as nossas intervenções de educação financeira com uma vertente de empreendedorismo e procura ativa de emprego porque consideramos que a integração destas três temáticas lhes proporciona ferramentas imprescindíveis para entrarem na vida ativa.
Em breve, lançaremos um programa de Empreendedorismo próprio com estas e outras temáticas, que irão certamente fazer a diferença.

A visão da AESS passa por capacitar os indivíduos para a inserção na sociedade e num mercado de trabalho que é – cada vez mais – competitivo, sendo esta uma das grandes mais-valias da Associação. Que outras vantagens realça dos seus serviços?
(DF) As principais vantagens da AESS são a proximidade e o atendimento personalizado a todos os que se dirigem a nós na procura de apoio. Nunca fazemos uma intervenção isolada. Conjugamos sempre as diferentes valências da AESS, por forma a que, quem nos contata sinta que tem várias opções e que está apoiado seja qual for o caminho que pretende seguir: procurar emprego, criar emprego, formação ou educação, temos sempre um acompanhamento personalizado do início ao fim do processo e, muitas vezes, para além dele, porque criamos relações que vamos mantendo através de um contato regular.

Em 2015 a AESS foi acreditada pelo IEFP como Gabinete de Inserção Profissional (GIP) no Infantado – Loures e como Entidade de Apoio Técnico à criação de Emprego (EPAT). Quão importante significa esta parceria e o que mudou com ela?
Aldina Costa Estas acreditações por parte do IEFP, foram muito importantes e determinantes no percurso da AESS.  O GIP dedica-se a uma área exigente. A abertura do IEFP a entidades externas, veio veicular outras abordagens e proporcionar a introdução de outras perspetivas, na ajuda à reinserção no mercado de trabalho. Esta atividade permite-nos criar, com o nosso profissionalismo, conhecimento e ajuda direta aos cidadãos, uma conexão muito próxima e interativa com a comunidade. Captamos e divulgamos ofertas de trabalho. Ajudamos a escrever e a reescrever o curriculum vitae para que os candidatos respondam às ofertas de trabalho adequadas aos seus perfis. Suportamos candidatos na preparação das entrevistas e na maioria dos casos celebramos conjuntamente a volta ao mercado de trabalho.
A EPAT ainda acentuou mais esta conexão com os aspetos económicos e de sustentabilidade. Quando os candidatos vêm ao nosso encontro, referenciados pelo IEFP ou por outras entidades, que tiveram uma boa experiência connosco, muitas vezes nem sequer têm ideia formada do que pretendem. Exploramos as ideias, as várias sugestões e acabamos por encontrar a solução e ir de encontro ao desejado.  Após este primeiro passo, estamos em condições de avançar para a fase seguinte: a elaboração do plano de negócios. Levamos esta fase com muito rigor e racionalidade pois é o cerne do vindoiro sucesso. Os planos de negócio não são folhas de cálculo que se movimentam de trás para frente para atingir o que os candidatos a futuros empresários pensam que imaginaram. São como uma bússola que contêm todos os pontos de orientação que nos timonam para que o futuro seja construído a partir do momento de partida, que é o presente.  Feita a aprovação do projeto pelas instituições envolvidas, (IEFP e / ou entidade financiadora), avançamos para o acompanhamento e consolidação do negócio. Nesta fase temos um papel muito importante, devido ao completo desconhecimento dos futuros empreendedores do que é ser empresário e as implicações administrativas, mas essencialmente as de gestão. Sabemos que a experiência vem do “Fazer” mas não podemos descurar o “Saber”. De referir que fazemos este trabalho, de gestão e consolidação de negócios, independentemente do IEFP, como um pilar de negócio da AEES.
A parceria com o IEFP colocou-nos em contato com uma realidade muito interessante e enriquecedora. Abriu-nos horizontes. Permitiu-nos conhecer e apoiar pessoas de várias origens, e especialmente muitos tipos de negócios. É uma enorme satisfação ver os projetos que acompanhamos e consolidamos serem referência e cresceram para outros níveis que não foram imaginados.

Uma das medidas de incentivo do IEFP é o programa ATIVAR.PT, tendo ele como objetivo prevenir e combater o desemprego, fomentar e apoiar a criação líquida de postos de trabalho, entre outros. De que forma a AESS apoia este incentivo e desenvolve projetos no mesmo âmbito?
AC A AESS, como GIP, apoia e procura dentro do seu universo, encontrar candidatos para as duas situações: que queiram ou se enquadrem nos requisitos, assim como organizações que estejam disponíveis para receber candidatos. Temos um papel muito importante na divulgação e também na sensibilização das organizações para a necessidade de estarem abertos a estes incentivos e também desprovidos de ideias preconcebidas, quando se trata de candidatos em situação de reconversão ou que se encontram em situação de desemprego por longo tempo. Existem grandes estigmas na sociedade, que se manifestam claramente nos aspetos profissionais:  quanto à idade, quanto à responsabilidade, quanto à confiança, entre outros, com que todos os dias nos cruzamos. Eles são de ambas as partes. Os jovens e os que estão em situação de desemprego por longo tempo, têm apenas diferenças na idade (é apenas um número), pois o mundo profissional, hoje, exige uma constante aprendizagem ao longo da vida, e há todo o interesse em partilhar conhecimentos com diferentes ângulos. Por outro lado, as organizações também têm de se transformar, particularmente os empresários. Eles são a liderança que se manifesta na cultura empresarial. A cultura empresarial é praticamente uma transcrição da liderança. O ambiente muda de acordo com esse elemento. Há que evoluir de ambos as partes.
Este é papel da AESS. Os incentivos existem, estão disponíveis, não são difíceis de aceder. Ajudamos quem quer beneficiar deles. Desenvolvemos, na nossa perspetiva, um papel muito importante de incentivo à mudança transformadora de ambos as partes. Também sentimos que a mudança transformadora não é compreendida e quando confrontamos os intervenientes, mais evidente se torna esta afirmação.

A atual situação pandémica provocada pelo novo coronavírus deixou – e continua a deixar – consequências intensas na sociedade, nomeadamente o desemprego. Considera que este programa é agora ainda mais relevante, uma vez que a sua máxima passa por combater esse mesmo problema?
AC Entendemos que a situação pandémica é transversal na sociedade e que o desemprego é uma consequência da falta de atividade económica e neste caso a nível mundial. Centrando-nos na nossa economia, temos um modelo de baixos salários, baixa produtividade e muito dependente de importações. Não temos muita indústria, que possa mudar o perfil importador. As pessoas que estão a contratar, são empresários a atuar em contraciclo, ou pessoas que decidem colocar em marcha atitudes empreendedoras. Em qualquer dos casos, este programa vem dar um incentivo a todos os intervenientes: incentivo financeiro aos contraentes, trabalho aos contratados e redução do número de desempregados.
Reafirmamos, que os incentivos são muito importantes, contudo o fundamental, na nossa opinião, é a atitude perante a incerteza que neste momento pode configurar-se de insegurança ou mesmo de ansiedade.

Lê-se em variadas plataformas da AESS a frase “dar o peixe ou ensinar a pescar?”. Que mensagem quer isto transmitir?
AC Com esta metáfora a AESS pretende transmitir vários conteúdos e o contexto que normalmente o usamos é de storytelling para que a mensagem seja transmitida de forma inesquecível. Uma das mensagens, que talvez seja a mais transversal, e mais difícil de integrar é a cultural – o Pai/Mãe Estado – não tem de resolver a minha situação. Pode ajudar, pode abrir porta, pode financiar, mas como a própria figura imaginária indica, é um ponto de partida ao qual todos podemos aceder e muito útil. Não deve ser perpetuado. Temos de aceitar as nossas responsabilidades nas escolhas que fazemos. Temos de evoluir. Não podemos manter a comparação inútil. Temos de assumir o controlo da vida, com todas as condicionantes que ela tem e traz, e fazer com que elas mudem e se transformem. Culturalmente adoramos determinados papéis e encaixamos bem como atores.
A outra face desta metáfora é que na nossa associação temos vários programas que pretendem colmatar, educar e solucionar alguns destes problemas, particularmente pelo lado da educação. O tecido social está repleto de associações. Não nos vamos focar nesse aspeto e nas ideias que poderíamos pôr ao serviço, por que não é esse o âmbito. O “Primeiro Passo“ é o programa de literacia financeira que concebemos de raiz e que cobre os aspetos básicos. Temos a convicção que podemos e devemos começar por aqui, pois é, na gestão do EU e do dinheiro (pouco ou muito) que se estabelecem os princípios básicos e fundamentais. Se estas fundações não nos são passadas em ambiente familiar, podem ser na escola (logo na primeira idade), podem ser a qualquer altura da vida de uma pessoa. Cruzamo-nos com muitos seres humanos que não estão sensíveis, não sabem, nem lhe ocorre, que podem e devem educar-se neste âmbito e que a base da pirâmide das necessidades é esta, a partir da qual, têm de ter prioridades.
Podemos embrulhar aquela poderosa mensagem com uma outra: nada nos impede da mudança e de nos transformarmos, seja pelo que somos, pelo conhecimento, ou pela ação.  A AESS trabalha em todos estes níveis, em tempos diferentes ou simultâneos e ao ritmo dos interessados.

Para o futuro o que irá ser concretizado pela AESS, para que o profissionalismo, a educação, a solidariedade, igualdade de género e igualdade de oportunidades, sejam valores com continuidade?
AC A AESS em parceria com uma entidade formadora dispõe de uma plataforma de e-learning, que está em fase de incubação, e para a qual temos um fervilhar de ideias, algumas já em ação.
Um dos objetivos da nossa organização é requalificar o termo empreendedorismo. Tal como muitas palavras se tornam tendências e são largamente faladas e aproveitadas para conceitos de marketing na sociedade digital em que vivemos, o empreendedorismo também é uma delas. Podemos dar exemplos de outras: sistémico, mindfulness, design, etc.
O que queremos é ser empreendedores ou queremos alterar comportamentos? Neste contexto desenvolvemos um workshop para pais “Como criar filhos empreendedores?” que tem tido muito sucesso, devido precisamente a este alterar de mentalidades.
Esta é a questão que ativou a nossa direção e nos guiou na conceção de programas que visam a educação, a solidariedade ou mesmo os conceitos mais controversos como a igualdade, quer de oportunidades ou de género.
É preciso clarificar que mudar mentalidades, padrões de comportamento e afins podem contribuir para melhorar o jeito de fazer, pensar e atuar, mas não ajudam a iniciar um negócio (especialmente de quem nem sabe o que quer fazer), a desenvolvê-lo e a mantê-lo. Os vários estudos que se tem feito em Portugal, apresentam uma taxa muito alta de natalidade de empresas, que é tão elevada quanto a de mortalidade. Um dos fatores que também contribui é o excesso de burocracia e o nível de impostos.
Estes são os temas que acreditamos ser importantes para formar pessoas: uma coisa é comportamento outra é empreendedorismo. Temos capacidade e conhecimento instalados que nos permitem avançar neste modelo, para mantermos a nossa continuidade e dignificar os nossos valores.