Início Atualidade “NÃO PROCUREI UMA CARREIRA ALTERNATIVA, MAS PROCUREI UMA ALTERNATIVA PARA CONTINUAR A FAZER O QUE GOSTO”

“NÃO PROCUREI UMA CARREIRA ALTERNATIVA, MAS PROCUREI UMA ALTERNATIVA PARA CONTINUAR A FAZER O QUE GOSTO”

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“NÃO PROCUREI UMA CARREIRA ALTERNATIVA, MAS PROCUREI UMA ALTERNATIVA PARA CONTINUAR A FAZER O QUE GOSTO”

A BMS-Audit tem uma equipa de profissionais auditores experientes, cujo foco se mantém na qualidade dos serviços, na rapidez e flexibilidade em conjunto com o preço competitivo. Quando foi edificada a empresa e qual a estratégia que tem imperado na promoção da mesma?
A BMS-Audit é uma empresa de auditoria fundada em 2018, mas a ideia e o conceito têm mais de quatro anos. Somos quatro sócios, todos ex-Big4. Apesar das adversidades, considerámos que este seria o momento certo para dinamizarmos o nosso projeto. Após dois anos de atividade em auditoria sentimos agora estarem reunidas as condições para alargar o âmbito dos serviços prestados. Estamos agora focados não só na auditoria, o core, como Sociedade de Revisores Oficias de Contas que somos, mas também na consultoria. Procedemos à aquisição de ferramentas tecnológicas de suporte e estamos a formar as nossas equipas de forma a prosseguirmos a nossa estratégia de melhorar a qualidade das auditorias.
Este está a ser um ano muito atípico, pelas razões que todos nós conhecemos, que trouxe muitos constrangimentos para as empresas e, consequentemente, para os auditores. Por isso, este é o momento para trazer mais confiança aos nossos clientes, dando a garantia de que a nossa equipa de profissionais integra também especialistas de diversas áreas, tais como da área de tecnologias de informação, de avaliação de ativos, fiscalistas, entre outros, o que nos permite melhorar a qualidade dos serviços que prestamos.
A flexibilidade e multidisciplinaridade da nossa equipa, em combinação com um preço competitivo, são a base da nossa estratégia, à qual aliamos a grande proximidade aos nossos clientes, prestando serviços de auditoria e consultoria de valor acrescentado.

Auditoria / Revisão Oficial de Contas, Consultoria, Impostos e Formação são alguns dos serviços prestados pela BMS-Audit. Interessa compreender, tendo em conta – e como dizem – o mercado altamente competitivo que existe, de que forma utilizam os vossos skills profissionais para vos diferenciar da concorrência. Quais são os fatores fundamentais no seio da empresa, que vos tornam na primeira escolha do cliente?
Sem dúvida, a nossa experiência e a forma como nos relacionamos com os nossos clientes! Todos temos um percurso profissional de excelência que inclui trabalhos tanto em Portugal como no estrangeiro (CPLP e outros). Tivemos o privilégio de desenvolver a nossa carreira profissional numa multinacional que nos permitiu crescer como auditores e consultores, que nos trouxe a excelência na gestão de equipas e na execução de trabalhos de complexidade e risco elevados, e que nos deu oportunidade de trabalhar com especialistas de diversas áreas, o que consideramos ser fundamental para aumentarmos a qualidade das auditorias e de outros serviços entregues ao cliente.
Foi desta forma que pensámos neste projeto, ou seja, reunir uma equipa de especialistas com uma vasta experiência, que nos permite prestar um serviço integrado que traz valor ao cliente, e que este reconhece.

Considera que o facto de os partners da mesma terem uma forte experiência numa das maiores firmas mundiais de auditoria e consultoria, onde desempenharam funções ao nível de senior executive, é sem dúvida, uma mais-valia não só na teoria mas também na prática? Esse conhecimento é essencial?
Nesta profissão, a experiência traz não só qualidade ao trabalho, mas também a capacidade de apresentar soluções ajustadas à realidade dos nossos clientes. Quando o nosso percurso é cimentado numa Big4, com trabalho direto nos maiores grupos económicos a operar em Portugal (incluindo empresas Cotadas em Bolsa), nos mais diversos setores de atividade, não tenho dúvida que temos todas as ferramentas para acrescentar valor aos nossos clientes prestando um serviço de qualidade. Os valores e o rigor que me foram transmitidos ao longo destes 26 anos de trabalho numa Big4 estão intrínsecos na forma como eu e os meus sócios trabalhamos.
Na BMS-Audit procuramos passar esses mesmos valores para a nossa equipa, assentes em princípios de ética. O foco é sempre o mesmo: prestar um serviço de qualidade que acrescente valor ao cliente. Todos sabemos que ter uma equipa bem formada é fundamental, pelo que procuramos ser nós mesmos a formar as nossas equipas, e aproveitamos esses momentos para partilharmos a nossa experiência, para lhes dar as bases para eles aplicarem o julgamento profissional e ceticismo profissional.

Proporcionam um apoio ativo na procura de soluções para os desafios que surgem diariamente aos clientes. Para que tal aconteça, é natural que necessitem de colaboradores qualificados, empenhados e motivados na execução dos serviços. Qual o grau de relevância que estes representam na BMS-Audit?
Desde cedo, no início da carreira profissional, que aprendemos que o sucesso da equipa depende do sucesso de cada um dos elementos. Não se fazem auditorias de qualidade se a equipa não estiver devidamente formada e, acima de tudo, motivada. Mas temos a consciência que é muito difícil reter talentos se nos focarmos a fazer “apenas auditorias” e não proporcionarmos experiências diversificadas e desafiantes.
Se queremos reter talentos, é vital proporcionarmos oportunidades de crescimento, liderando pelo exemplo, ou seja, vivendo todos os projetos com energia e entusiamo, e envolvendo toda a equipa na sua execução. É por isso que desenvolvemos um modelo de negócio multidisciplinar, sustentado numa ligação muito próxima entre todos os elementos da equipa, potenciado pelas ferramentas que complementam a nossa metodologia. Assim conseguimos não só prestar um serviço integrado e de valor acrescentado aos nossos clientes, mas também proporcionar à equipa uma experiência que vai para além da auditoria.
A diversidade de talentos nesta profissão leva a uma diversidade de perspetivas e experiências, sendo um dos fatores fundamentais para manter as nossas pessoas motivadas. Elas crescem connosco e nós crescemos com elas.

No âmbito dos profissionais Revisores Oficiais de Contas, foi recentemente apresentado um estudo que revela que o número de mulheres nesta profissão corresponde a menos de um terço. Apesar da OROC concretizar iniciativas que promovem a igualdade de oportunidades e diversidade, será esta evolução boa o suficiente? Na sua opinião, que condicionantes existem para que, efetivamente, e comparativamente ao sexo masculino, as mulheres representem um pedaço mais pequeno de profissionais?
A carreira de auditor é uma carreira que exige grande dedicação e disponibilidade pessoal. Considero que é uma carreira muito técnica e com uma necessidade de disponibilidade total para termos sucesso. Neste contexto, se queremos prestar um serviço de qualidade tal passa por muita formação, grande parte da qual recorrendo ao autoestudo. Acresce ainda o facto de que é um trabalho a ser desempenhado nos clientes, o que implica necessidades constantes de deslocação e tempo longe de casa.
Toda esta exigência se reflete na nossa vida pessoal, e não é fácil conciliar esta exigência com a vida pessoal. Eu fiz muitos trabalhos fora de Portugal, nomeadamente em Angola. E quando me perguntam desde quando não vou a Angola, eu respondo “desde que fui mãe pela primeira vez”. Isto diz alguma coisa! Se houve alturas em que optei por não viajar para a realização de projetos no exterior, para me permitir acompanhar o crescimento dos meus filhos, a verdade é que as oportunidades para liderar projetos externos deixaram de aparecer. E muitas vezes são este tipo de projetos (seja pela sua dimensão, pela sua rentabilidade, ou por outros motivos) que nos tornam mais visíveis dentro de uma organização. E quando digo que as oportunidades deixaram de aparecer, não foi porque eu as tenha recusado.
Ainda existe, na nossa sociedade, o estigma de que é a mulher quem tem de estar na linha da frente na educação e no acompanhamento dos filhos, pelo menos nos primeiros anos das suas vidas. Na nossa sociedade empresarial, e por vezes no seio da família também, assume-se que o apoio à família é prioritário para as mulheres.
Na minha profissão isso é evidenciado quando em determinados projetos que exijam mais deslocações, isto é, mais tempo longe do seio familiar, são os homens e/ou as mulheres sem filhos que estão na linha da frente para serem escolhidos. E não esquecer que são algumas destas oportunidades que permitem uma chegada ao topo de uma forma mais célere.
Não estou a querer dizer que tomei as decisões que tomei por influência da sociedade, ou que tenha feito alguma coisa para alterar isso, mas a conjugação de todos estes fatores teve, sem dúvida, influência nas minhas opções de carreira. Contudo, quero salientar que me sinto bem com as decisões que tomei profissionalmente e decidi que agora chegou o momento de continuar a crescer. Na BMS-Audit sou Partner, mas não é por isso que deixo de acompanhar os meus filhos. Antes pelo contrário, agora sinto que estou muito mais presente nas suas vidas.
Não considero que este seja um problema específico da profissão de revisor oficial de contas, apesar de ter a consciência que ser auditor exige uma boa gestão do equilíbrio entre a vida profissional e pessoal (o chamado work-life balance). E todas as mulheres passam por este desafio, especialmente quando constituem família. Como já referi, eu também passei por este desafio. Constitui família, tenho dois filhos, e assumo que houve momentos mais difíceis. Desistir nunca esteve fez parte do meu modo de estar, e como gosto muito do que faço, mantive o foco em conseguir o equilíbrio. Mas tenho observado que, quando o equilíbrio não é conseguido, muitas de nós procuram uma carreira alternativa. Eu não procurei uma carreira alternativa, mas procurei uma alternativa para continuar a fazer o que gosto num projeto que me permite continuar a crescer.
É minha opinião que esta tendência de as mulheres serem quem presta mais apoio à família está a alterar-se. Em breve vamos começar a ter resultados disso mesmo. As jovens mulheres de hoje já procuram experiências de trabalho internacionais. Alargam os seus horizontes. Constituir família não faz parte dos planos imediatos. Vejo que esta tendência poderá levar as mulheres a “aparecerem” mais.

Além desta comparação, foram ainda divulgados números referentes a jovens que, concretamente, têm tido baixo acesso à área. Na BMS-Audit, têm esta questão em conta quando pretendem juntar à equipa novos profissionais? Que oportunidades de carreira existem na empresa?
Temos crescido de forma a acompanhar o crescimento do negócio. Em setembro contratámos mais três jovens, recém-licenciados, duas pessoas do sexo feminino e uma do sexo masculino, para os nossos escritórios de Lisboa e Porto. Todos eles vêm com uma enorme vontade de iniciar a sua vida profissional em auditoria. Mas o seu interesse cresceu quando apresentámos o nosso modelo de negócio, focado em equipas multidisciplinares e na oportunidade de virem a desenvolver outros trabalhos complementares ao de auditoria.
É isto que proporcionamos a quem se quer juntar a nós. Uma experiência única nesta área. Trabalhar com especialistas de diversas áreas, participar em projetos que permitem desenvolver outras capacidades para além da função de auditoria, e ter uma ampla visão das empresas / clientes que confiam no trabalho que desenvolvemos no valor que entregamos.

Seria importante que as organizações se juntassem de forma a preencher estas lacunas, e assim terminar com a desigualdade de oportunidades proveniente dos tempos mais antigos? O que deveria ser concretizado neste sentido?
Eu penso que esse movimento já começou. Já todos ouvimos o chavão work-life balance nas grandes organizações. As grandes organizações, que são as que eu mais conheço, já estão a trabalhar neste sentido. Apesar de ser uma ação que visa todos dentro da organização, homens e mulheres, a verdade é que quando nos debruçamos sobre as medidas implementadas, elas estão maioritariamente focadas nas mulheres. Pela experiência que tive na organização onde trabalhei, quando era necessário desenvolver medidas para procurar o work-life balance eram maioritariamente as mulheres que eram “recrutadas” para as sessões de brainstorm.
Mas a sociedade em que vivemos está a mudar. A nova geração de profissionais está a exigir mais ação no sentido de acabar com as desigualdades. Neste aspeto, já não são as pessoas que se moldam aos costumes das organizações. Antes, as organizações estão a mudar para se adaptarem às novas exigências do mercado de trabalho. Os talentos são difíceis de reter em todas as profissões, não só em auditoria. As organizações que não se adaptam, deixam de ser atraentes em certa medida. Os jovens estão cada vez mais informados. Tem-se observado que já procuram as empresas que estão no rank das melhores empresas para trabalhar. São estas as que interessam.
Destaco que a nossa experiência levou a que, na BMS-Audit, algumas destas medidas estejam já a ser implementadas ainda que tenhamos uma equipa jovem e motivada. Mas o meu conselho é o seguinte. Às organizações, não tomem decisões pelas mulheres com quem trabalham, oiçam-nas! Às mulheres, não deixem que outros tomem decisões sobre as vossas carreiras sem vos ouvir, não desistam!

A terminar, onde gostaria de ver elevada a marca BMS – Audit no mercado? Qual é a principal ambição que gostaria de ver concretizada?
Em primeiro lugar sermos reconhecidos no mercado (pelos nossos clientes, colaboradores e concorrentes) como uma empresa que desenvolve a sua atividade com os mais altos padrões de qualidade e cumprindo os princípios fundamentais de ética, e na nossa opinião este deve ser sempre o objetivo de qualquer Sociedade de Revisores.
De seguida, consolidar os nossos princípios de ser uma empresa focada em se diferenciar por ter uma maior proximidade ao nosso cliente, ter equipas multidisciplinares com a formação adequada e com acesso a experiências diversas e, acima de tudo, partilhar a nossa experiencia por forma a ajudar o nosso cliente / equipa criando valor (interno e externo).
Por fim a nossa ambição última será criar internamente os futuros sócios da BMS-Audit e que estes deem continuidade, com o mesmo empenho e entusiamo, ao projeto que estes quatro “loucos” iniciaram, pois mesmo na conjuntura atual (em que estamos todos “COVIDados”) não vacilámos e nunca perdemos a ambição de fazer crescer este projeto e toda a equipa BMS-Audit.