FERRAZ LYNCE: “EMPRESA SÓLIDA E SÔ

Vontade e resiliência são as palavras de ordem do FERRAZ LYNCE: uma referência no mercado farmacêutico em Portugal. Rita Ferraz da Costa, Executive Board Member da empresa, considera que o seu trabalho tem sido uma fonte de aprendizagem constante, abrangente e poderosa. Embora tenha sido um período complexo devido à pandemia, o ano de 2021 é encarado com o otimismo tão caraterístico de todas as gerações que por lá passaram.

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Comecemos por falar da Rita Ferraz da Costa. Como nos pode descrever o seu percurso até chegar ao FERRAZ LYNCE?
O meu percurso profissional começou no Ferraz, Lynce, Especialidades Farmacêuticas, S.A. em 2004. Licenciei-me em Economia na Universidade Nova, sou casada, mãe de quatro filhos e tive o privilégio e o gosto de poder ficar em casa com eles, a tempo inteiro até o mais novo entrar para a escola, com quatro anos.
As empresas da família – o Ferraz Lynce, a Farmácia Internacional e o Laboratório Iberfar, foram sempre faladas em casa dos meus avós paternos, com quem tive uma relação muito chegada, desde pequena e, desde pequena me interessaram, me despertaram curiosidade e atenção.
O interesse, que sempre me acompanhou, a opção de ficar em casa com os meus filhos, que teve como consequência chegar a uma idade já difícil para trabalhar por conta de outrem e, ainda, ou até principalmente, o querer dar continuidade ao trabalho realizado pelas gerações anteriores e o acreditar que somos capazes de investir na perpetuidade das empresas levaram-me a estar aqui.

Já no FERRAZ LYNCE, que mais-valias este trabalho veio acrescentar à profissional que é atualmente?
O trabalho é uma fonte de aprendizagem muito poderosa e muito abrangente. Comecei por me dedicar à área do marketing e vendas, depois à área dos Recursos Humanos e, finalmente, à área financeira acabando, assim, por conseguir tomar conta do todo.
O cuidado com os produtos, a forma como se comunica, as imagens e os slogans publicitários são uma ótima forma de nos fazer crescer, de nos fazer ser atentos, briosos e, claro, criativos. Tudo isto tem influência direta nas vendas e é por essas que lutamos, com cautela e ambição e, conscientes que temos de fazer sempre mais e melhor, que há sempre essa obrigação e, essa oportunidade.
A proximidade com a equipa, com as várias áreas de suporte e com a Administração tem sido muito enriquecedora, com uns aprendemos como fazer, com outros o que não fazer, com outros ainda percebemos que é necessário mais acompanhamento ou, que não estão na área certa ou, inclusivamente, que não são de fiar, ou que não querem trabalhar ou que querem e fazem o seu melhor ou que merecem ser promovidos ou que merecem um prémio, enfim uma diversidade imensa que, como é natural, nos obriga a tomar decisões e, é aqui que elas são mais difíceis de tomar, há que ponderar, ser objetivo, sensato e justo e depois atuar. Somos uma empresa pequena, não temos margem para não lutar por uma equipa coesa, capaz e responsável.
No que se refere à área financeira o FERRAZ LYNCE tem sido sempre uma empresa sólida e sã, conto que assim se mantenha. Sinto-me confortável a desempenhar as funções que me estão confiadas, sinto que adquiri conhecimento, experiência, que desenvolvi competências, maturidade e, que estarei sempre a aprender, o que é aliciante.

Uma empresa com mais de 95 anos de experiência, o FERRAZ LYNCE é uma referência no mercado farmacêutico em Portugal, diferenciando-se pela ética, rigor e qualidade que se destaca em toda a sua atividade. Ao longo de todos estes anos, como destaca a evolução da marca até ao dia de hoje? Na cronologia de sucesso, quais foram os marcos mais significativos?
O FERRAZ LYNCE tem vindo a perder dimensão, a verdade é esta. Representamos há muitos anos, e aliás foi assim que começámos, empresas estrangeiras em Portugal e, graças a um trabalho rigoroso e com retorno continuamos a fazê-lo. Promovemos, durante muitos anos, também, segundas licenças de empresas estrangeiras sedeadas em Portugal. Esta grande parte da nossa atividade começou a reduzir-se desde 2000, com a entrada dos medicamentos genéricos, até que em 2018 deixámos de promover a última segunda licença que tínhamos no nosso portfólio.
Representámos, no mercado dos anti anémicos, quer no ambulatório, quer no hospitalar, uma empresa Suíça durante várias décadas com excelentes resultados e grande reconhecimento, contudo essa empresa adquiriu uma empresa internacional que detinha uma filial em Portugal a quem foram dados, para promoção, todos esses produtos. Esta perda foi muito dura, 1/3 da nossa faturação, em 2011, obrigando-nos a duas reestruturações consideráveis, quer a nível da equipa de ambulatório, quer da equipa hospitalar. Foi complicado, foi um marco muito difícil que nos obrigou a fazer o que tem que ser feito, a agarrar com unhas e dentes o que temos, a trabalhar para aumentar o nosso portfólio com produtos de qualidade, diferenciadores e que vão ao encontro das necessidades de uma população que se preocupa, cada vez mais com o seu bem estar e também, infelizmente, cada vez mais envelhecida. Tem sido difícil, mas causa nenhuma é impossível, é preciso ter vontade e resiliência. Há que aproveitar a adversidade para pensar, refletir, criar, inovar e trabalhar melhor. Acho que a marca FERRAZ LYNCE é uma marca de sucesso, temos feito por isso e somos reconhecidos por isso e, isso é gratificante.

O compromisso do FERRAZ, LYNCE é fornecer uma gama alargada de produtos e serviços, com elevados níveis de qualidade. De que produtos e serviços estamos a falar e quais os fatores diferenciadores que os destacam perante um meio que é, e cada vez mais, competitivo?
Os nossos produtos são produtos com um bom grau de diferenciação. Uns porque são únicos no mercado, outros pela liderança dentro da classe, posição conquistada pela qualidade do produto, pela eficácia e pela consequente confiança por parte da classe médica e, pelos sucessivos “liftings” que o têm mantido em forma e a crescer, já com 47 anos de mercado, outros porque, embora sejam suplementos alimentares, são produzidos como se de medicamentos se tratassem, ou seja, de acordo com as boas práticas de fabrico da indústria farmacêutica, outros porque embora sejam produtos de uso estabelecido têm dispositivos, neste caso inaladores, inovadores, outros por serem inovadores no modo de ação e, ainda outros que serão lançados em 2021 e 2022; dois MTPB, medicamentos tradicionais à base de plantas, inovadores no estatuto com indicação em especialidades onde temos a vantagem de já termos experiência. Preocupamo-nos em ter um portfólio diversificado, adequado às necessidades da população, promotor de saúde e bem estar sempre com o selo de qualidade de excelência. O mercado está, cada vez mais saturado, se não formos criativos, minimamente diferentes, se essas diferenças não nos trouxerem vantagens comparativas e se não prestarmos um serviço de qualidade, teremos os dias contados, o que não se pretende.

Vivemos nos dias hoje com um sentimento de incerteza devido à pandemia da COVID-19 que se instalou de forma global e muitas foram as mudanças sociais e económicas que recaíram sobre as pessoas e consequentemente sobre os seus negócios. No caso do FERRAZ, LYNCE, qual foi o impacto destas mesmas consequências no seio da empresa?
O impacto foi grande e, com o propósito de o minimizar temos vindo a agir com calma, ponderação e respeito pela situação de cada um e de todos. As pessoas sentiram-se bem acompanhadas, recorremos ao teletrabalho, as reuniões foram frequentes e abrangentes por forma a acautelar o bom funcionamento da empresa num contexto tão diferente e inesperado, a força de vendas esteve a trabalhar via web durante 10 semanas quer na visita ao médico quer na visita à farmácia. Retomámos a visita presencial em Junho, foi muito duro ter a força de vendas “em casa”, durante dois meses e meio, para todos! O mês de Maio foi o pior mês em termos de vendas, muito fraco mesmo, mas ainda assim aguentámo-nos sem recorrer ao lay off. Aproveitámos, durante este período, para reforçar as formações, quer de vendas, quer dos produtos, quer de farmacovigilância, quer de team building com o propósito de fortalecer a equipa que se depara, agora, com um terreno mais difícil e cheio de limitações. Acabaremos o ano com algum desvio, não desprezável, face ao orçamentado, o que não é surpreendente, mas inferior ao esperado, o que é positivo.

O que foi realizado até então para que a segurança e saúde pública fosse protegida, mas sem, ainda assim, descurar aqueles que são os serviços prestados pela empresa?
Temos cumprido escrupulosamente as orientações da DGS, todos os cuidados têm sido tomados, o respeito pelo trabalho é muito e pelos profissionais de saúde absoluto. Estamos a trabalhar com vontade, empenho sem nunca esquecer que é essencial contribuir para a mitigação desta pandemia. Até à data não tivemos ninguém infetado, fruto de sorte, ajuda sempre, e de cuidado.

Neste «novo normal», que dinâmica está a ser preparada na atividade do FERRAZ, LYNCE, para o futuro próximo 2021?
Vislumbramos alguma luz ao fundo do túnel a partir do segundo semestre de 2021. Até lá pretendemos manter o registo atual, tem corrido bem! A partir do momento em que nos sintamos mais confortáveis com esse “novo normal” começaremos a promover os nossos produtos de forma mais ativa, presença em congressos, organização de sessões clínicas, formação nas farmácias, reuniões com líderes de opinião, etc., tudo o que deixámos de fazer e que sabemos ser importante retomar, para melhor trabalhar.

Qual continuará a ser o papel prestado pela Rita Ferraz da Costa no suporte desta dinâmica?
Conto poder continuar a acrescentar valor à empresa, fazê-la crescer sem envelhecer, de forma a que se mantenha saudável e apelativa no mercado.