Número de infetados começa a diminuir já na próxima semana

Portugal poderá estar a viver um aumento temporário do nível de novos casos de COVID-19, mas que, de acordo com os especialistas em ciência de dados da NOVA Information Management School (NOVA IMS), não corresponde a uma situação de crescimento explosivo.

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“O atual aumento do nível de novos casos deverá retomar o movimento descendente no espaço de 10 dias. O pico da incidência (novos casos) deverá acontecer em torno de 21 de janeiro, com valores abaixo dos 10.000 casos. Após esta data, a incidência deverá retomar o curso de descida observado antes do Natal. No final de janeiro a incidência deverá ser inferior a 9.000 casos diários”, explica Pedro Simões Coelho, professor catedrático da NOVA IMS e coordenador do modelo COVID-19 Insights.

O dashboard COVID-19 Insights uma plataforma que disponibiliza e analisa informação referente à pandemia e aos seus impactos, com recurso a métodos analíticos avançados, que resulta da parceria entre a COTEC Portugal e a NOVA IMS.

Já os internamentos deverão continuar a subir até ao final de janeiro esperando-se nessa data um total de 6.400 internados, dos quais cerca de 900 internados em cuidados intensivos.

Os modelos do dashboard COVID-19 Insights incluem também, entre outros, os dados relativos à mobilidade dos portugueses e aos efeitos esperados do novo confinamento. Pedro Simões Coelho nota que “desde o início do ano, a população retomou e até intensificou o nível de autorrestrição à mobilidade que se observava antes do natal”. Na última sexta-feira, a deslocação a locais de retalho e diversão era cerca de 10% inferior à verificada a 18 de dezembro. Comparando as mesmas datas observa-se que a utilização de transportes públicos era igualmente cerca de 11% inferior e que a presença em zonas residenciais cresceu 3%. Apenas a presença em locais de trabalho permanece largamente inalterada desde o início de outubro, mostrando que não existe crescimento significativo do teletrabalho.

Trata-se de um movimento voluntário, que leva à retração da mobilidade dos portugueses, antecipando as restrições que serão brevemente impostas pelas autoridades. Uma tendência idêntica à observada em outubro/novembro, quando uma autorrestrição aos comportamentos de mobilidade antecipou em larga medida o estado de emergência decretado em finais de novembro.