“A APPII FARÁ SEMPRE PARTE DA SOLUÇÃO E NÃO DO PROBLEMA”

O ano que acaba de começar é de celebração para a APPII – Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários, uma vez que completa 30 anos de experiência sólida a representar um setor que é – e cada vez mais – importante e estratégico. À conversa com a Revista Pontos de Vista esteve Hugo Santos Ferreira, Vice-Presidente Executivo da mesma e que nos confidenciou qual tem vindo a ser a influência da pandemia que vivemos no mercado imobiliário.

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A APPII representa os promotores e investidores imobiliários, nacionais e estrangeiros, com atividade no território português. Neste 2021 celebra 30 anos de existência. Que balanço faz destas três décadas de apoio, defesa e dedicação ao setor?
2021 é o concretizar de um ciclo, onde a APPII cresceu, dinamizou-se e dignificou-se.
A APPII atingiu uma profusão do mercado, um reconhecimento de todo o sector e uma preponderância na vida associativa, pública e política, da nossa indústria, que é inegável. Consolidámo-nos como uma importante e respeitada associação da nossa indústria, incrementando a defesa do sector e dos associados, posicionando-nos como um dos principais defensores e porta-vozes do sector imobiliário português.
Hoje temos uma experiência de 30 anos e uma força que nos é dada pelas mais relevantes e importantes empresas de promoção e investimento imobiliário em Portugal.

Sabe-se que o investimento imobiliário intensificou-se sobretudo no mercado português. Assim e tendo em conta o atual momento em que vivemos condicionado pela pandemia da COVID-19, acredita que o país continua a ter todas as condições para ser observado enquanto destino seguro?
Acredito que o país continua a ter boas condições para receber o investimento estrangeiro, mas é necessário ultrapassar estes momentos de crise aguda da pandemia COVID-19 e ter por parte dos nossos governantes sinais claros que os investidores são bem-vindos, dados que nos últimos anos tem sido dado sinais contraditórios que nada nos ajudam.
Desde o início da pandemia os investidores imobiliários uniram-se para ajudar as pessoas e o país a superar esta crise. Lançámos recentemente com a NOVA Medical School e o apoio da VICTORIA Seguros a certificação co/vida20. É um programa de qualificação do edificado que ajuda os promotores e investidores imobiliários e os gestores de edifícios no desenvolvimento e operacionalização de um Plano de Contingência ante a pandemia COVID-19. Temos já dois edifícios certificados, as instalações da Victoria Seguros em Miraflores e o edifício Duque 70, da promotora imobiliária Habitat Invest, no centro de Lisboa.

Para melhor entender, qual tem vindo a ser a influência da pandemia no mercado imobiliário? Quais foram, até então, as principais alterações?
Em termos de sector e de preços as perspetivas mantêm-se iguais. O mercado está a responder de forma muito diferente a esta crise, comparando com a crise financeira anterior e também com muita resiliência dos preços.
Perspetivamos um futuro cautelosamente otimista, porque esperamos que a disseminação da vacina durante o ano de 2021 vá trazer francas melhoras à economia mundial e depois porque o clima de baixas taxas de juro e crescente liquidez internacional (com os bancos centrais europeus e mundiais a injetarem todos os dias liquidez na economia, com vista a evitar um risco de recessão económica) continuarão a estimular o setor imobiliário, continuando a fazer dele o chamado “Imobiliário REFÚGIO”.

O Governo aprovou o decreto-lei que altera o regime jurídico das Autorizações de Residência para Investimento, que serviu de motor imobiliário nos últimos anos. As novas regras, que limitam a concessão dos Golden Visa nas zonas metropolitanas da Lisboa e Porto, bem como no litoral, entram em vigor em julho deste ano. Considera ser este o momento ideal para restringir os investimentos?
Tal como foi transmitido ao Governo nas conversas que a APPII manteve com o executivo entendemos que este não era o momento para a introdução desta alteração, que vem dificultar a recuperação da crise social e económica que o nosso país vive por causa da pandemia. Esta alteração agrava a perceção de instabilidade legislativa e fiscal que afeta em muito a credibilidade de Portugal junto dos investidores estrangeiros.
Porém, a APPII fará sempre parte da solução e não do problema. Como tal está disponível para trabalhar com o Governo e demais parceiros numa nova solução, que tire partido da aprendizagem realizada com o programa anterior, e que permita lançar um programa moderno, que encontre uma solução de equilíbrio para todas as partes e que volte a cativar o investimento estrangeiro para o nosso país.

A APPII diz-se disponível para trabalhar numa nova solução que volte a cativar o investimento estrangeiro. Que caminho deveria ser tomado pelo país neste sentido?
Existe um problema grave na credibilidade do nosso país aos olhos dos investidores estrangeiros dada a inexistência de um quadro legislativo estável, credível e interessante, que cative o investimento estrangeiro a trazer projetos maiores e mais duradouros.
O governo deve ouvir todos os stakeholders, Não contar com os investidores imobiliários, é ignorar uma fatia importante que representa hoje 15% do PIB, foi este setor o principal responsável pela recuperação económica na última crise. A APPII está disponível para encontrar uma via justo e credível que coloque novamente Portugal no mapa do investimento imobiliário.

Por fim, onde gostaria de ver a APPII por mais 30 anos? Qual continuará a ser o seu papel na sociedade na representação do setor do investimento imobiliário?
Há que continuar este trabalho por outros tantos 30 anos. Com os tempos desafiantes que vivemos, mas também globais, internacionais e inovadores, de um mundo em constante evolução, este trabalho será igualmente exigente, de afirmação do posicionamento do sector da promoção e do investimento imobiliário no topo da pirâmide da “grande família do imobiliário”, ou não fosse este sector responsável pela captação de 15% do PIB nacional e que dele dependem todos os demais e consequentemente de afirmação da APPII como a associação de charneira deste nosso mercado.