“ESTAMOS A MONTAR UMA FORTÍSSIMA ESTRUTURA PARA DAR RESPOSTAS AOS NOSSOS CLIENTES. DEPRESSA E BEM”

Para João Resende, Senior Partner e Arquiteto da Something Imaginary, o paradigma da arquitetura em Portugal mudou e hoje deixou de seguir a filosofia do «one man show», pois é muito mais do que isso, sendo um trabalho coletivo, que deve contar com numerosas contribuições para que surja um trabalho final de excelência. Conheça mais de uma marca que está no mercado desde 2017 e que tem no rigor e transparência dois pilares de excelência.

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Fundada em 2017, a Something Imaginary é hoje uma clara referência no universo da arquitetura em Portugal, promovendo uma atuação assente na inovação, na excelência e na qualidade. Ao mesmo tempo, promove serviços para empreendimentos turísticos e imobiliários, bem como de interiores. Portugal recuperando da Pandemia estará à altura do que esperam para 2021 no que concerne à v/ atividade?
A atividade de arquitetura, da produção de projeto, da construção personalizada, sentiu nos últimos anos um aumento muito significativo. Através de grande aumento da recuperação e reabilitação nos centros urbanos, maioritariamente em Lisboa e Porto, mas também nas cidades médias, e da encomenda de construção nova, que atingiu níveis de procura muito interessantes.
As regiões de Lisboa, Porto, Comporta e Douro lideraram exponencialmente, com reflexos também nas regiões mais interiores do país que registaram até à declaração de Pandemia aumentos muito significativos de atividade.
Apesar das condições dificultadas pelos confinamentos à escala mundial, verificamos que os Promotores consideram este período como transitório.
A confiança nos desenvolvimentos científicos que possibilitaram, com uma velocidade impressionante e sem precedentes, o desenvolvimento de vacinas e medicamentos, teve e está a ter um efeito catalisador dos investimentos.
Este período, que podia ter registado uma travagem significativa, teve pelo contrário um efeito de aceleração da preparação de projetos e processos que serão concretizados em simultâneo com o fim da situação de emergência mundial. Assim se espera.
É certo que existe cautela e que se sente incerteza. É certo que diferentes Promotores tiveram reações diferenciadas. No entanto o saldo nesta altura, em que leio (espero que acertadamente) a reta final deste primeiro período de travagem mundial, é de grande expectativa e positivismo.
2021 traz uma versão deste período da história mundial mais segura de que 2020. Tem maior conhecimento científico, maior acerto nas respostas à emergência, maior sabedoria na gestão desta crise.
O sentimento, à hora em que escrevo estas linhas, é de que este ano vai sinalizar o início do realinhamento com a rota de desenvolvimento que trilhámos nos últimos anos pós crise, em que (e isto é um ponto de vista empírico) se verificou alguma convergência com a Europa e o reconhecimento da marca Portugal.
Verificamos que cada vez maior número dos nossos clientes particulares não nacionais opta por se estabelecer em Portugal. Residência e negócios são transportados para cá, no que claramente constitui a identificação de potencial, de oportunidade, de segurança e de qualidade(s).
O primeiro trimestre do ano está a mostrar-nos a consolidação dos projetos em curso e o aparecimento de novas intenções de promoção residencial e turística. É um facto que uma parte significativa corresponde a investimento estrangeiro. Sinalizo, no entanto, o crescimento de intenções de investimento de capital nacional, que muito nos apraz…

Que análise perpetua da arquitetura em Portugal e de que forma é que este setor tem vindo a crescer, no sentido de ser um pilar de Portugal?
Encontramos características na arquitetura portuguesa que são distintas das tendências internacionais. Arquitetura que decorre de pensamento profundo enraizado nas características culturais e locais, que se desenvolve com grande abstração e criatividade. E discrição. Que responde ao clima, à geomorfologia, à cultura e a tradições em interpretações não literais. Que entende que a imagem é inimiga da arquitetura e que se define com integridade conceptual e intelectual.
Por imagem: a que tínhamos dos arquitetos em Portugal há anos atras, de artistas ou quase artesãos da arquitetura, sentados ao estirador ininterruptamente a desenhar obsessivamente todos os pormenores que seriam manufaturados para produzir a sua obra de autor, mudou.
A arquitetura, que por definição se destina a ser vivida, depende de múltiplos intervenientes para atingir a fuição completa. Não é um one man show, é antes o resultado de numerosas contribuições, sob a liderança do/a arquiteto/a, que estabelece e coordena a coerência de todas as intervenções que concorrem para o resultado.
Por outro lado, a arquitetura é expoente de uma atividade económica fortíssima, cujas responsabilidades se encontram cada vez mais vincadas.
A abordagem profissional através de empresas que prestam serviços de arquitetura estruturados permite a resposta ás exigências dos Promotores sofisticados que necessitam de confiança e competência para o desenvolvimento dos seus investimentos.
A velocidade a que se pode construir hoje – não considerando os tempos longuíssimos e as complexidades artificiais das aprovações municipais, que cada vez mais são travões ao investimento – exige também a resposta rápida e qualificada da parte dos arquitetos. Sem eles, arrisca-se a repetição das desqualificações urbanísticas dos anos 70, a velocidades estonteantemente mais intensas que as que então se verificaram.
A estruturação das empresas de arquitetura permite a concentração do conhecimento e a abordagem multidisciplinar para respostas sofisticadas aos desafios contemporâneos. Estas respostas irão moldar o ambiente edificado em que vive(re)mos e marcar indelevelmente a qualidade do território.
Num momento da história em que o desenvolvimento imobiliário e turístico são dos principais motores da recuperação e do desenvolvimento económico de Portugal, que tão bem soube afirmar a sua marca, a arquitetura tem a responsabilidade da concretização qualificada à velocidade atual. Sim, temos de fazer depressa e bem.

Como é que o podemos caraterizar enquanto líder deste projeto e como começou este desafio para si? Que género de liderança perpetua no seio da Something Imaginary?
O fim de projetos ‘por conta d’outrem’ foi como começou. Na ressaca da crise bancaria em Portugal encontrei-me no local certo à hora certa. Tinha conhecimento profundo do território, dos processos e dos atores locais, e a criatividade, a capacidade de trabalho e de gestão para abraçar um projeto a solo.
Foi e está a ser um desafio intenso e muito gratificante. O desenvolvimento dos projetos ‘chave na mão’, em que acompanhamos o cliente do início até á entrega da chave da casa no final mostrou-se um projeto diferenciador e de muita procura que permitiu alicerçar uma reputação de responsabilidade e confiança.
Vamos esclarecer: a liderança forte deste projeto é da Sara. Constituímos a empresa em conjunto e daí o desenvolvimento acelerado é em grande medida fruto da sua visão e capacidade empreendedora. Do meu lado procuro transmitir solidez de conhecimentos, estabilidade e experiência adquirida dos processos já desenvolvidos, e lógicas de abordagem fora da caixa.

Como é trabalhar com a Arq.ª Sara Afonso, que ao mesmo tempo lidera consigo a empresa e é sua esposa, é difícil ou de fácil entendimento uma relação profissional e pessoal na gestão da Something Imaginary?
O dinamismo e a capacidade de liderança da Sara são impressionantes. A diversidade de temas que concretiza em tempos curtíssimos e a capacidade de estruturar equipas e de as coordenar é sem dúvida um dos pilares do sucesso da Something Imaginary.
É uma arquiteta que também constrói empresas. A Something imaginary foi o nosso primeiro projeto em comum, a que já se juntaram a Something Perfect, que atua no imobiliário, a Something3XY, para serviços de apoio como bricolage, pequenas construções e reparações, eventos, …, e em lançamento a ByHeart. Interiores, decoração, numa loja que projeta e completa o ciclo de serviços prestados aos nossos clientes.
Temos grande afinidade de gostos e pontos de vista, ainda que eu seja mais conservador. Há passos que a Sara propõe que eu não arriscaria, no entanto acabamos por ter um relacionamento de confiança mútua que tem permitido saltos significativos.
Em resumo: geralmente é um relacionamento de fácil entendimento. Os temas profissionais fazem parte do dia a dia, e temos a noção de que a empresa também é um projeto de vida em comum. Divergências, claro, também há. Não seríamos pessoas autónomas coerentes se assim não fosse. No entanto conseguimos compromissos, cedências, acordos, e moldamos as divergências em convergências.

A mulher hoje tem um papel fundamental na Sociedade, quer ao nível da gestão como da liderança em múltiplas atividades consideradas até de maior influência do sexo masculino. Como se poderá equilibrar, na sua opinião, esta balança do “género”?
O tema é com certeza vasto, e respostas rápidas podem pecar por superficialidade. O reconhecimento do papel da mulher na Sociedade tem de ser inegável, e continua a ser um tema que não é suficientemente valorizado, e seguramente não se verifica ainda uma inversão do padrão tradicional.
Um aspeto será seguramente a contínua exposição do problema. Porque se trata de um.
A consciencialização da desigualdade é necessária para o avanço da mentalidade que a perpetua.
O desenvolvimento do acesso à educação e de competências no feminino tem crescido mundialmente nas últimas décadas e este é seguramente um dos indicadores mais positivos para equilibrar a balança. No entanto o acesso a altos quadros topo ou de empoderamento político continua altamente deficitário, e a inversão desta tendência algo longínqua.
Na Something Imaginary temos paridade. Fruto da liderança e da intuição na contratação, o preenchimento dos quadros tem mostrado um equilíbrio que nos parece muito interessante, em que as pessoas desempenham e são reconhecidas em função do seu mérito, inteligência emocional e atitude.

A terminar, o que podemos continuar a esperar da Something Imaginary de futuro e de novos desafios para curto-médio prazo em torno da vossa atividade?
Estamos apostados na melhoria da qualidade dos serviços prestados, pela estruturação de processos e pela adoção de tecnologias que permitem maior eficácia nos processos de projeto e de apresentação aos clientes. Estamos a trabalhar num projeto de realidade virtual que permitirá uma experiência imersiva de apresentação dos projetos aos nossos clientes. Já migrámos todos os processos para BIM, e estamos a incentivar os nossos parceiros a adotarem também, com um aumento de eficiência muito significativo. Por último, estamos a trabalhar na certificação de qualidade.
Em paralelo com a carteira de projetos que estamos a desenvolver, estamos a montar uma fortíssima estrutura para as respostas aos nossos clientes. Depressa e bem.