“REALMENTE PENSO QUE A MAIOR INSPIRAÇÃO EM TERMOS DE TRABALHO É NÃO DESISTIR, ACREDITAR E PERSISTIR”

Começou o seu percurso profissional na área do Serviço Social diretamente ligado a jovens, idosos e vítimas de violência doméstica. O propósito de impactar positivamente na vida de todos os que estão ao seu alcance tomou conta da sua história. Hoje, Marta Santos, enquanto Diretora de Recursos Humanos no Grupo Arriva, em Portugal, lidera uma equipa de pessoas determinadas e motivadas por, também elas, fazerem a diferença.

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Em determinados momentos da vida somos desafiados a ir por caminhos distintos daqueles, em tempos, já ambicionados. Contudo, no caso da Marta Santos, “desafio” é o que mais lhe faz brilhar os olhos. Licenciada em Política Social, após seis anos a trabalhar na área da Consultoria de Organização e Pessoas (responsável pelos mercados Portugal, Angola e Moçambique) regressa ao “lado do Cliente” – hoje desempenha o cargo de Diretora de Recursos Humanos no Grupo Arriva, em Portugal.
Mais do que preparada para abraçar uma nova etapa, nunca esquecendo o mote pelo qual se rege diariamente de proporcionar um impacto positivo na vida das pessoas, é apenas desde dezembro do ano passado que a nossa entrevistada assume uma posição de liderança na empresa de transportes públicos – todos os ingredientes estavam aptos e reunidos.
Desde 1926 a desenvolver a atividade de transporte regular de passageiros na Europa, e desde 2000 em Portugal, a Arriva emprega mais de 1200 pessoas. Apesar da cronologia de sucesso, a marca manteve-se durante largos anos discreta no mercado sendo que, para Marta Santos “o grande ponto de viragem foi há relativamente pouco tempo, quando se iniciou o processo de transformação digital e cultural com uma nova estratégia, clara, estruturada e segura daquilo que pretende”. Além disso, a capacidade, mobilidade e sustentabilidade têm sido as palavras de ordem.
Para Marta Santos, o sucesso corporativo apenas se desenvolve pelas mãos das pessoas que trabalham nas Organizações. “Eu acredito profundamente que são, de facto, as pessoas que fazem as empresas. Por muito que tenhamos uma boa estratégia, não conseguimos alcançar o sucesso sem colaboradores que estejam capacitados, motivados e felizes com o que fazem. A felicidade é um caminho, não é uma meta”. Desta forma, tudo é realizado para que os trabalhadores se sintam bem: ouvir as suas necessidades, em primeiro lugar e, o mais importante, as suas preocupações e expectativas, e alinhar esse conhecimento com a estratégia desenhada. Estarão, assim, reunidas as condições necessárias para colocar os trabalhadores a bordo, nesta à viagem rumo ao futuro, onde é permitido sonhar.
Exemplo perfeito de que as pessoas, para a Arriva, importam, é a forma como têm sido tratadas em tempos de pandemia. Com um impacto extremamente marcado pelo encerramento das escolas e do comércio, o volume da operação de transportes públicos ficou, obviamente, afetado. Contudo, sendo uma atividade considerada essencial, mantiveram os serviços, conseguindo, neste confinamento, não colocar os trabalhadores em regime de lay-off. Os mesmos que, por estarem na linha da frente no que respeita ao contacto próximo com a população, foram protegidos desde o primeiro dia com a implementação de medidas de segurança individual e coletivas.
Certo é que, “apesar de todas as adversidades, procurámos sempre que as pessoas, fossem tratadas de forma igualitária, justa e preservada”. “É fundamental gostarmos daquilo que fazemos e na área de RH temos de gostar de pessoas. Gostar de trabalhar com as mesmas, trabalhar o seu desenvolvimento, a sua integração, o seu bem-estar. Eu visto muito a camisola do sítio onde estou, portanto gostar daquilo que faço é, para mim, fundamental. Gosto muito de desenvolver equipas, de sentir que o meu trabalho contribui para melhorar a forma de estar, de fazer, de funcionar. Traz-me, de facto, bastante alento”, assegura a nossa entrevistada.

PESSOA, MULHER, PROFISSIONAL
Enquanto Diretora de Recursos Humanos, a Marta Santos é um (excelente) exemplo de que a diferença de géneros não têm qualquer poder quando se trata de profissionalismo. Num mundo em que a igualdade de oportunidades ainda é um tema a ser constantemente debatido, interessa compreender a perspetiva de mulheres que lutam diariamente pelos seus direitos e não existe melhor momento do que este: o mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher.
“Penso que há um caminho muito significativo a percorrer no que concerne à paridade de género. Quando me perguntam se continua a fazer sentido comemorarmos este dia – faz todo o sentido! Em termos globais é necessário haver um olhar transversal na sociedade que assegure que este caminho continue a ser percorrido”, afirma a nossa interlocutora, acrescentando ainda que “não chegámos de todo à meta. A meta, a nível global, tem ficado mais longe a cada ano, segundo o fórum Económico Mundial, e a pandemia certamente não veio facilitar. Há muito mais mulheres em trabalho precário e com salários reduzidos – em Portugal e no mundo! – e numa altura em que a crise se evidencia, também se evidenciam estas fragilidades. As mulheres são o grupo mais afetado pelas questões de desemprego, ou no que respeita a acumular funções laborais com as domésticas, para não falar de outros temas como o acesso à educação e à saúde, a violência, etc…”.
Já a sua experiência pessoal até aos dias de hoje foi muito positiva, uma vez que afirma ter tido a sorte de trabalhar, quase sempre, em empresas em que as questões de género se encontravam em cima da mesa, sem receios. E mais, reconhece sentir-se rica espiritualmente pelos inúmeros exemplos femininos de liderança que a motivaram a ser quem é hoje: pessoa, mulher, profissional.
Mas, o que define a Marta Santos enquanto líder? A própria responde que “trabalho uma liderança inclusiva e colaborativa. O ouvir as pessoas, as diferentes opiniões e perspetivas. É isso que nos enriquece e nos desafia.”. Um líder, no fundo, não lidera para si mas sim para os outros.
Sejamos líderes ou não, importa acreditarmos honestamente naquilo que somos capazes. “Acreditar, acreditar, acreditar”, tal como Marta Santos refere, acabando por deixar uma mensagem especial ao poderoso movimento feminino. “É fundamental haja um ciclo de liderança feminina que seja sustentado pelas próprias mulheres, que haja a capacidade de puxarmos umas pelas outras, de nos ajudarmos, desafiarmos e colaborarmos de forma positiva. E obviamente também é importante o apoio dos homens que acreditam nas mulheres (e é importante dizê-lo!). Não seremos mais, mas claramente também não somos – nem podemos deixar que nos tratem – como menos do que ninguém. Realmente penso que a maior inspiração em termos de trabalho é não desistir, acreditar e persistir. Mas, por favor, não nos esqueçamos que a vida também não é só trabalho. Há muitos outros fatores que também nos alimentam e são essenciais para mantermos a nossa força anímica e a nossa resiliência. Mais uma vez, acreditar”.
Para o futuro, Marta Santos admite que há muito por concretizar ainda. A nível profissional, todos os dias são propícios a novos desafios. Para a Arriva, em Portugal, é um momento fulcral para a consolidação da sua estratégia, “mas também não ficaremos por aqui – quando se cumprir o plano de transformação, outros aparecerão, com outra forma, com novos projetos.” A vida é feita disso mesmo.