“A ADOÇÃO DA METODOLOGIA BIM PROMOVE O AUMENTO DE PRODUTIVIDADE”

Rita Moura licenciou-se em Engenharia Civil e, atualmente, é Diretora de Inovação da Teixeira Duarte e Presidente do Cluster AEC – Arquitectura Engenharia e Construção e da PTPC (Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção). Num momento em que a ferramenta BIM é alvo de especial atenção, a própria, explicou-nos as vantagens que surgem com a sua utilização. Saiba mais.

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A Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção (PTPC) tem como missão a promoção da vigilância do conhecimento e das tecnologias da construção, a promoção de consórcios de projetos de ID&I, entre outros. Como classifica a evolução do setor em Portugal?
A construção tem um gap de produtividade em relação às outras indústrias, sendo 1,7 vezes menos eficiente, fruto de conservadorismo e de o produto da construção ser um objeto único executado “in situ” e não em fábrica. É um problema global e também um grande desafio. O setor já percebeu que tem muito a ganhar com a transformação digital e com a integração de tecnologias da Indústria 4.0. Portugal tem um atraso, comparado com outros Países onde foi imposta a obrigatoriedade da adoção do BIM em concursos públicos. A PTPC tem promovido um ambiente favorável à incubação de ideias e dinâmicas que tem contribuído para o progresso do setor da Arquitetura, Engenharia e Construção.

De que forma a PTPC se tornou um agente ativo de promoção da inovação e competitividade do setor da construção, reconhecido nacional e internacionalmente? Quais diria que têm sido os fatores determinantes para a sua notoriedade?
O principal fator de sucesso da PTPC é ser um movimento de dentro para fora das empresas, com genuíno interesse e envolvimento da indústria. As grandes empresas de construção, projetistas, PME´s inovadoras, universidades e entidades públicas, entenderam que tinham muito a ganhar com este trabalho colaborativo, usufruindo de forma massiva do potencial de conhecimento e tecnologia. A procura de convergências foi determinante, a recolha de todos os contributos, discutindo ideias e definindo linhas de desenvolvimento.

O BIM surge na indústria do setor AEC como uma solução de modernização e de reestruturação, estimulando a colaboração entre os seus agentes, incentivando a desmaterialização e elevando a importância de se obterem melhores desempenhos e processos mais eficientes. A que desafios vem responder o BIM e, sobretudo, porque se tornou crucial?
A capacidade de comunicar e o domínio da tecnologia foram, desde sempre, os grandes motores de evolução da civilização. O BIM é uma metodologia que funde estes dois drivers de mudança num só, com um efeito exponencial de desenvolvimento para o setor AEC. O BIM permite a construção virtual de um empreendimento físico (Digital Twin), incorporando toda a informação gerada ao longo do seu ciclo de vida e disponibilizando-a a todos os intervenientes. O Digital Twin tem a capacidade de incorporar dados recolhidos em tempo real (através de sensores, laser scanning), sendo gerada alarmística que auxilia na decisão e gestão, melhorando o desempenho e eficiência.

O Prémio de Excelência BIM surge com o objetivo de promover a implementação BIM a nível nacional, através da disseminação e promoção de boas práticas – algo que este ano será atribuído pela PTPC em junho. Qual tem sido o papel da Plataforma na concretização deste objetivo?
O Grupo de Trabalho BIM foi o primeiro a ser constituído, aquando da constituição da PTPC, há 10 anos. Entendemos, desde o início, que esse era o grande desafio que a construção tinha que abraçar. O BIM, como qualquer processo de transformação, tem muitas “resistências” e um percurso inicial difícil. Não é fácil convencer direções, que têm o trabalho organizado de uma determinada forma, a mudar, investir e requalificar recursos humanos, com a promessa de ganhos de produtividade a médio prazo, difíceis de vislumbrar. A PTPC tem aqui o grande papel de demonstrar e promover a transformação digital de forma organizada e integradora.

Considera que o BIM foi um ponto de viragem no setor da Construção? Qual será o futuro do BIM e, principalmente, dos setores onde opera?
O BIM é um ponto de viragem, reconhecido como o maior driver de mudança que ocorreu no setor AEC. A adoção da metodologia BIM promove o aumento de produtividade, sendo de esperar a médio prazo, uma redução de custo da construção de cerca de 20%. O BIM é a base sobre a qual se processa a transformação industrial do setor, com adoção da tecnologia da Indústria 4.0. O BIM é também a base para a implementação da Circularidade na Construção, com a identificação e rastreabilidade de todos os componentes da construção. O futuro do BIM é a sua massificação. A PTPC, através do laboratório colaborativo BUILT CoLAB, está a desenvolver um Plano Estratégico para a Transformação Digital do setor AEC que define o road map de implementação do BIM em Portugal, até 2030.