“A ATIVIDADE DA ÁGUAS DO TEJO ATLÂNTICO É MUITO IMPORTANTE NO CICLO URBANO DA ÁGUA”

Ana Silveira, CEO da Águas do Tejo Atlântico – Grupo Águas de Portugal, contou à Revista Pontos de Vista que a empresa tem tido, essencialmente, três eixos de atuação: “Pessoas, excelência de serviço e utilidade social”. Entre muitos feitos, proteger ecossistemas, garantir a qualidade da água e do ambiente e salvaguardar a saúde pública tem sido o foco principal de toda a equipa que compõe a organização. Conheça mais.

137

A Águas do Tejo Atlântico é uma empresa de saneamento da área da Grande Lisboa e Oeste, garantindo a eficiência dos serviços públicos de águas, no sentido da proteção da saúde pública, do bem-estar das populações, da acessibilidade aos serviços públicos, da proteção do ambiente e da sustentabilidade económica e financeira do setor. Qual tem vindo a ser o método que eficazmente tem utilizado para a concretização deste objetivo?
A Águas do Tejo Atlântico rege-se pelo contrato de concessão celebrado com o Estado, sendo responsável pela gestão em “alta” do sistema de recolha, tratamento e rejeição do efluente de 23 municípios da Grande Lisboa e Oeste, abrangendo cerca de 2,4 milhões de habitantes e explorando 103 Estações de Tratamento de Águas Residuais. Quando aceitámos o desafio de liderar esta empresa fizemo-lo com o compromisso de honrar a missão de interesse público que lhe foi cometida pelo Estado e em conjunto com os municípios nossos parceiros.
A Águas do Tejo Atlântico é avaliada e monitorizada pelo seu desempenho relativamente aos objetivos de gestão pelo concedente, pela Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR), através das métricas de serviço público, e pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) em função do cumprimento dos objetivos ambientais mensurados pelos parâmetros das licenças de descarga.
Resumindo, estas três entidades regulam e avaliam o desempenho da Águas do Tejo Atlântico que tem registado resultados muito positivos desde o início da sua atividade.

A empresa acompanha permanentemente as novas tendências e continua no processo evolutivo de transição para a economia circular, numa lógica de reduzir, reciclar, reutilizar. De que forma o realizam? Quais têm sido das iniciativas neste sentido?
A economia circular está no ADN desta empresa. A atividade da Águas do Tejo Atlântico é muito importante no ciclo urbano da água para preservar a qualidade do ambiente e das massas de água e para salvaguardar a saúde pública, mas não paramos aqui. As nossas ETAR são também verdadeiras Fábricas da indústria circular, uma vez que os resíduos gerados no processo de tratamento de águas residuais são reduzidos, reciclados e reintroduzidos no ciclo produtivo.
A água reciclada é utilizada nos nossos processos internos, mas também é produzida para ser usada em lavagem de ruas, na rega de espaços verdes, na indústria e até na climatização de edifícios. As lamas resultantes do processo de tratamento são utilizadas como fertilizante agrícola, uma vez que grande parte dos solos em Portugal são pobres do ponto de vista da carga orgânica. E, por fim, produzimos biogás, através das lamas, para autoconsumo, diminuindo a dependência de combustíveis fósseis.

Na Águas do Tejo Atlântico trabalham cerca de 400 profissionais que operam diariamente para garantir ainda a qualidade das praias, rios e lagoas localizadas. Uma vez que estamos perto da estação do verão, qual é o processo a desenvolver para garantir efetivamente a qualidade de que falamos?
Como referiu, a nossa equipa é composta por cerca de 400 pessoas, homens e mulheres, competentes, profissionais e dedicados, cuja missão principal, todos os dias do ano, é garantir o cumprimento das licenças de descarga, assegurando que a água que devolvemos às massas de água (ribeiras, rios e mar) chegam em condições ambientalmente seguras, protegendo os ecossistemas e garantindo a qualidade da água das praias. Só no ano de 2020 tratámos 194 milhões de metros cúbicos de esgoto.

A Ana Silveira é atualmente CEO da Águas do Tejo Atlântico e tem como visão levar a empresa a ser reconhecida nacional e internacionalmente, como uma referência no setor da água em Portugal. A nível pessoal, o que falta ainda concretizar?
Ainda falta tanto para concretizar, mas, neste momento, estou completamente comprometida com este projeto e com esta equipa, o que significa compromisso com a causa pública, uma vez que prestamos um serviço essencial à população com um impacto muito significativo na qualidade de vida de muitos portugueses.

Qual tem vindo a ser o seu lema, numa sociedade onde ainda se discute com regularidade a desigualdade de oportunidades entre os géneros? Que características diria serem fulcrais para se singrar no mundo dos negócios?
Vivemos numa sociedade que tem presenciado uma mudança de paradigma no que diz respeito à paridade de género. Acredito que essa evolução tem sido feita, não com base no elemento distintivo do género, mas com base no mérito das mulheres que trabalham para conseguir chegar a lugares de topo.
As características não são distintas entre os géneros. A visão, o sentido de compromisso, a resiliência, a capacidade de transformar problemas em oportunidades, a capacidade de ouvir e de envolver as equipas na resolução dos problemas e na descoberta de novos caminhos a trilhar pelo setor são ferramentas fundamentais.

Para acabar, qual continuará a ser a posição da Águas do Tejo Atlântico para os próximos meses? Algum projeto planeado?
A atual administração definiu uma estratégia para este mandato alicerçada em três eixos de atuação – pessoas, excelência de serviço e utilidade social – que refletem a ordem de prioridades da nossa atuação, até porque uns têm precedência sobre os outros. Sem pessoas qualificadas e motivadas não há serviço e sem serviço não há utilidade social. Com base nestes eixos, definimos 7 objetivos já para o ano de 2021: investir na qualificação e valorização dos trabalhadores, melhorar as condições de segurança e proteção dos trabalhadores e das instalações, melhorar a organização interna, adotar uma política efetiva de gestão de ativos, melhorar a qualidade de serviço, aprofundar o conceito das Fábricas de Água na lógica da economia circular e apostar na inovação interna de processos.