“Vamos continuar a apostar fortemente no crescimento da robótica em Portugal”

Que não existam dúvidas, a Robótica veio para ficar e será, com certeza, o futuro. Desta forma, fomos conhecer uma das entidades mais ativas em Portugal no universo da Robótica, a Beltrão Coelho, e estivemos à conversa com Bruno Coelho, Responsável de vendas de Robótica da histórica marca portuguesa, que assumiu que “é possível enquadrar os robôs de serviços no dia a dia das empresas e na interação com os humanos”.

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Assumidamente uma marca de prestígio, a Beltrão Coelho sempre promoveu e fomentou a vertente da inovação e da diversificação de produtos, contribuindo assim, entre outros, para o crescimento da vertente da Robótica em Portugal. No sentido de contextualizar a vossa atuação junto do nosso leitor, como é que a marca se assume hoje como um player de renome no domínio da Robótica em Portugal e no Mundo e porquê a aposta neste setor?

A Beltrão Coelho está no mercado há mais de 70 anos, sempre atenta às mais recentes tecnologias. Um dos nossos lemas na Beltrão Coelho é “o futuro está sempre a começar”. A inovação sempre fez parte do nosso ADN, procuramos sempre estar na vanguarda. E por isso decidimos apostar na robótica. Somos pioneiros e queremos ser a referência em robôs de serviços em Portugal. Apostamos neste negócio porque estamos plenamente convictos de que este é o futuro.

De que forma é que a vertente da Robótica tem sido essencial na orgânica e no volume de negócios da Beltrão Coelho? Quase três anos depois da edificação da Unidade de Robótica, que balanço é possível realizar da aposta da marca nesta vertente?

A Robótica é, assumidamente, um investimento da empresa. Desde que criámos o departamento de robótica, houve uma grande recetividade no mercado de eventos, em que a presença de um robô cria um impacto fortíssimo. Mas para as empresas, os robôs ainda não são uma realidade. Estamos muito no início, e por isso, sabíamos que não poderíamos esperar um volume de negócios significativo nesta fase. Ainda assim, já conseguimos atingir números muito interessantes.

Conceitos como a Transformação Digital e a Robótica aportam sempre novidades e sabemos que novidades também atraem alguns receios e a necessidade de desmitificar algumas ideias pré-definidas. Assim, sente que ainda existe a necessidade de desmistificar a questão dos robôs e o potencial da robotização em Portugal?

Sim, sem dúvida. Esse tem sido o principal desafio: desmistificar, no sentido de ajustar as expectativas à realidade. Há muitas décadas que nos habituámos a ver filmes de ficção em que os robôs são altamente inteligentes, e conseguem interagir totalmente com os humanos entendendo tudo o que dizem e até adivinhando o que pensamos, ou com uma inteligência artificial capaz de dominar o mundo e exterminar a raça humana, ou então roubar os nossos empregos…

Ora, a realidade ainda está longe de atingir esse nível de interação. Atualmente, tudo o que os robôs já conseguem fazer, envolve muito desenvolvimento e programação. Há muito trabalho por trás destas interações. Por isso mesmo, temos, nos nossos quadros, uma equipa dedicada à programação e desenvolvimento de aplicações e à configuração dos robôs. Apesar de não estarmos ainda num patamar de ficção científica, a realidade atual já é muito interessante. E é verdade que os robôs podem substituir algumas profissões, mas sobretudo aquelas que implicam tarefas rotineiras, libertando assim as pessoas para os processos mais criativos. E esta área vai criar muitas novas profissões, com pessoas altamente especializadas, o que é excelente para o desenvolvimento global.

Em Portugal, que análise perpetua da recetividade relativamente à vertente da Robótica? Sente que neste momento já estamos a aproveitar todo o potencial da mesma? Ou, comparativamente a outros congéneres europeus e mundiais, ainda temos um longo caminho a percorrer?

Se compararmos com a Ásia, EUA e até o Brasil, não só Portugal, mas a própria Europa ainda está um pouco atrasada na adoção de robôs que interagem com humanos. É uma questão cultural, mas precisamos de recuperar e encurtar distâncias. Aquilo que temos vindo a fazer é demonstrar às empresas portuguesas todo o potencial que os robôs têm e a forma como, já hoje, podem potenciar o seu negócio. Passa essencialmente por partilha de ideias e soluções que depois levam a uma prova de conceito. Temos vários projetos que podem vir a ser muito interessantes a curto prazo.

É possível enquadrar os robôs de serviços no dia a dia das empresas e na interação com os humanos. Esta já é uma realidade. Há muitas tarefas que podem ser desempenhadas por robôs, tais como entregas de produtos, vigilância, receção e boas-vindas, teleconferência, telemedicina, meet and greet, guiar as pessoas num espaço, levar do ponto A ao ponto B, só para dar alguns exemplos. Isto pode ser aplicado em hotéis, museus, retalho, hospitais, aeroportos, entre outros.

Um dos desafios mais recentes da Beltrão Coelho na vertente da Robótica, passa pela parceria que assumiu com marca YOTEL, que, com um conceito tecnológico, abriu recentemente o seu primeiro hotel na Península Ibérica, o YOTEL Porto. Fale-nos um pouco desta parceria e de que forma é que a Beltrão Coelho estará diretamente ligada a este projeto.

Fomos selecionados pelo fabricante, e pelo Yotel, para implementar a solução. O projeto inclui dois robôs de entregas que de forma autónoma conseguem receber um pedido, dirigir-se ao elevador, entrar, subir até ao piso correto, chegar à porta do quarto e comunicar ao hóspede que está à porta. A pessoa só tem de abrir a porta e recolher o seu pedido.

Dito desta forma, parece uma coisa relativamente simples, mas há um enorme trabalho de programação por trás. Exigiu uma grande proximidade entre os vários intervenientes. Criou-se uma equipa única entre os nossos programadores, os programadores do fabricante, a equipa de elevadores e dos responsáveis pelo Yotel, todos num grande espírito de interajuda e confiança.

É um conceito de sucesso e totalmente inovador. Foi muito gratificante e um grande orgulho!

Este desafio é mais um exemplo como a Beltrão Coelho acredita e visualiza o futuro da Robótica em Portugal e no Mundo?

Sim! Esta é uma realidade que veio para ficar e com a qual vamos mesmo conviver. Não há como nos desviarmos deste caminho. Vamos ver cada vez mais robôs a interagir connosco.

O que podemos continuar a esperar por parte da Beltrão Coelho de futuro no domínio da Robótica?

Vamos continuar atentos às melhores soluções e a apostar fortemente no crescimento da robótica em Portugal. Temos bons parceiros, bons produtos, uma excelente equipa: dedicada, empenhada e qualificada para garantir o sucesso nesta grande aventura que é estar na gênese de algo que será grandioso.