“É essencial dar a conhecer a marca Portugal e Madeira pelo mundo”

A posição geográfica privilegiada da ilha da Madeira, aliada à beleza, ao clima e às suas tradições, tem colocado o bom nome de Portugal no topo das prioridades para viver e apostar. Tânia Castro, General Manager da TPMc International Management Solutions – empresa localizada no Funchal – garante que, por estes motivos e muitos mais, o país e os portugueses “têm mais consciência do seu potencial de atração de investimento”. Conheça o seu ponto de vista.

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A TPMc caracteriza-se por ser uma estrutura pequena, porém incisiva, onde as atenções estão concentradas no cliente e nas suas necessidades, sejam elas de expansão de negócio, fiscais, administrativos, legais, entre outras. Sendo um elo de ligação entre vários países, quão importante tem sido o papel da empresa na promoção do investimento no mercado português?
A TPMc, além de, em colaboração com a Sociedade de Desenvolvimento da Madeira, participar em várias semanas de promoção em diversos Países ao longo do ano, também tenta chegar mais fundo no tecido empresarial.
Temos participado em várias conferências organizadas pela Câmara de Comércio Luso-Britânica em Londres e pela Câmara de Comércio Luso Francesa em Portugal e França.
Adicionalmente participamos em vários seminários de informação, junto das escolas e Universidades.
É essencial dar a conhecer a marca Portugal e Madeira pelo mundo.
Temos vantagens fiscais que se tornam únicas quando aliadas às restantes especificidades da Madeira, nomeadamente a qualidade de vida, o clima, a gastronomia, a qualidade dos nossos trabalhadores, o domínio de várias línguas e a excelente rede de telecomunicações.
Ainda há muito a divulgar, muitos Países não nos conhecem, os empresários e grupos internacionais nunca ouviram falar em nós – daí julgarmos muito importante uma colaboração e esforço cada vez mais próximos das estruturas governamentais e privadas (como a nossa) na preparação e divulgação do nosso mercado.

Sendo uma marca de consultoria e estruturação fiscal, a TPMc recolhe informações de cada um dos mercados e, mediante as necessidades do investidor, elabora o melhor acesso ao mercado pretendido. Assim, quais as vantagens de investir em Portugal e no que difere este mercado comparativamente a outros?
Se considerarmos o acesso a todos os tratados de Dupla Tributação que Portugal assinou – cerca de 78- e todas as isenções previstas no CIRC (Código do IRC) para participações de capital, mais valias e dividendos, o nosso País reúne todas as condições para se tornar extremamente atrativo para investidores, empresários e grandes empresas que se queiram instalar cá para desenvolver o seu negócio.
Se pensarmos que Moçambique apenas tem cinco tratados assinados no Mundo e um deles é com Portugal; que Cabo Verde apenas tem quatro tratados assinados no Mundo e um deles é com Portugal; que Portugal é o único País da Europa a ter um tratado assinado com o Peru e que acabámos de assinar um tratado com Angola – facilmente colocamos o nosso País estrategicamente versado para a poupança fiscal internacional.
E por último a nossa posição geográfica: nós estamos literalmente localizados entre Continentes – podemos ser a ponte ideal entre o mercado da América do Sul, África ou do mercado Asiático.

No Oceano Atlântico a pouco mais de 90 minutos de Portugal Continental, a ilha da Madeira é conhecida por cativar o coração de todos aqueles que a visitam. O que fomenta a ideia de que a Madeira tem um dos regimes fiscais mais atrativos da Europa?
Neste momento a Madeira tem duas das taxas de IRC mais competitivas da Europa: 5% na Zona Franca da Madeira e 14,7% no Regime Geral- o que nos coloca numa posição ímpar comparativamente aos restantes Países Europeus.

Tendo em conta a sua visão e experiência, considera que os Estrangeiros aproveitaram a pandemia para comprar e investir em força em Portugal? Porquê
O paradigma mudou. E as pessoas estão a ser forçadas a mudar com ele. Hoje, com a pandemia, aprendemos que o País onde vivemos importa, que o sítio onde dormimos faz toda a diferença e que ter espaço para os nossos filhos brincarem é essencial. Enquanto antes da pandemia a nossa casa era um sítio para dormir, hoje já não é apenas isso.
O valor do espaço, do clima, da qualidade das escolas, centros de saúde e da própria comida alterou. E os investidores têm consciência disso.
Portugal é um País que consegue reunir todas as condições que acabei de falar. Tem qualidade e essa qualidade faz com que cada vez mais haja interesse em investir, viver e trabalhar em Portugal.
A Madeira não é exceção. No ano 2020, apesar da pandemia, o mercado imobiliário aumentou 8%. Temos assistido a cada vez mais interesse da comunidade internacional na nossa ilha.

Em que medida podemos afirmar que o teletrabalho tem sido um forte impulsionador para visitar, apostar e investir em Portugal, e em particular na Madeira?
O teletrabalho é uma das vertentes desta mudança de mentalidade. E resulta. Com a pandemia fomos forçados a encontrar soluções, simplesmente porque parar de trabalhar não era uma solução em muitos setores da economia.
E com o facto de hoje estarmos todos ligados globalmente conseguimos trabalhar particamente em quase todas as partes do Mundo.
A Madeira, com todas as qualidades já referidas, tornou-se um Pólo de atração para este tipo de trabalhadores. Por norma, consultores das diversas áreas de negócio que conseguem trabalhar tendo um computador, WI-FI e pouco mais. O sucesso foi tanto que existe já uma comunidade na Madeira de teletrabalhadores, os chamados “nómadas-digitais”. Posso inclusive confirmar que já há lista de espera.

Acredita que, atualmente, Portugal tem aproveitado melhor as suas potencialidades e capacidades, ao dispor do investimento estrangeiro? O que mudou?
Acredito que Portugal e os Portugueses têm mais consciência do seu potencial de atracão de investimento. Do valor do nosso País. E acredito que o futuro vai ser determinante para comprovar isso mesmo.
Mas também acredito que tomámos consciência, finalmente, que precisamos dos outros. Precisamos que os turistas nos visitem, que consumam, que gostem de cá vir. Precisamos de investidores e de investimento, que criem negócio, que contratem trabalhadores. Penso que para uma grande maioria dos Portugueses a pandemia serviu para alertar consciências. A economia não é unilateral. Para o Governo poder ajudar os cidadãos precisa de receita. A receita só pode ser criada se houver negócio. E o negócio só pode existir com investimento em todos os sectores. Estamos todos ligados.
Já era altura de começarmos a dar valor a isso.

Contando com 25 anos de conhecimento e experiência da TPMc, que evolução ressalva de Portugal e do seu potencial de mercado até então?
Eu costumo dizer aos meus colegas de equipa, uma frase que caracteriza o nosso potencial: “se com todas as dificuldades que enfrentamos diariamente conseguimos desenvolver o nosso negócio, imaginem o que não conseguiríamos alcançar se houvesse uma consciência e vontade política e social para criar condições ideais?”
Ainda nos falta muito para aprendermos que só com a união conseguimos chegar mais longe. Temos de ser um País, no todo, a lutar. A promover a Madeira e o resto do País. As entidades governamentais e os privados têm de aprender a trabalhar em conjunto- chega de egos. O único ego que deveria interessar é o do País. Só assim podemos criar condições que atraiam cada vez mais investidores, que promovam o emprego, que ajudem a melhorar as condições de vida para todas as pessoas que vivem em Portugal.
E, de uma vez por todas, esclarecer que a Madeira é Portugal. E viva Portugal!