“Gosto de novos desafios, de aprender e sair da minha zona de conforto”

Numa altura em que a pandemia nos obrigou a mudar a nossa perspetiva em relação ao mundo, Teresa Virgínia acompanhou esta poderosa mudança dentro da Microsoft – empresa onde está há dez anos. Ocupando há um ano o cargo de CMO & PR Lead da marca, a nossa entrevistada contou à Revista Pontos de Vista de que forma, a sua personalidade inquietante e ativa, abraçou o desafio deste novo projeto. Conheça tudo.

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A Teresa Virgínia conta com um vasto percurso profissional e afirma que “o melhor desafio é sempre o próximo”. Assim, que significado tem esta afirmação na sua história pessoal e profissional e o que nos pode contar sobre a mesma?
A frase reflete a minha propensão para a mudança. Gosto de novos desafios, de aprender e sair da minha zona de conforto. Acredito que um olhar novo sobre as situações e questões nos ajuda a pensar e fazer diferente, e assim evoluir.
No início da minha carreira mudei muito de empresa, em busca de novos desafios e de novas perspetivas. Na Microsoft encontrei uma empresa que naturalmente me proporciona essa mudança. Estou há dez anos na Microsoft e estou na minha quinta função, em áreas também diversas.
Numa perspectiva pessoal, esta inquietação revela-se na minha paixão por viagens. Já viajei por mais de 70 países e já dei uma volta ao mundo durante seis meses. Sinto que ver outras realidades ajuda-nos a pensar de forma diferente nas diversas situações e até na própria vida.

Ao longo dos anos foi ocupando diferentes cargos na Microsoft, sendo que atualmente é CMO & PR Lead da marca. Quão enriquecedor tem sido esta experiência na sua vida?
Comecei esta função há cerca de um ano numa altura também muito distinta: já em modo remoto, onde todas as iniciativas de marketing tinham de ser repensadas para um formato digital. E foi extraordinário fazer esse shift e ver como conseguimos aumentar os resultados e impacto das iniciativas com essa mudança.
Foi também um momento único para uma empresa como a Microsoft e no marketing e comunicação estamos a vivê-lo intensamente. A transformação digital deixou de ser uma visão a longo prazo para ser uma necessidade urgente para as empresas continuarem a operar. Ajudámos as pessoas e as organizações a não parar e agora queremos ajudar na recuperação económica e na reimaginação do futuro. É inspirador.

Numa empresa que promove o sucesso pessoal e organizacional, que tipo de líder considera que é, e que é preciso ser tendo em conta estes valores?
Na Microsoft a gestão de pessoas é guiada por três princípios: “Model, Coach and Care”. Um manager deve ser um exemplo dos valores da empresa, deve garantir  as condições para a sua equipa atingir os seus objetivos e que essa mesma equipa o faça de forma que se sinta valorizada e única. São princípios que nos guiam diariamente.
Este último ano veio trazer uma complexidade acrescida à gestão de pessoas. Assumi uma equipa remotamente, fiz alterações e contratei pessoas online. Durante este ano estive apenas uma vez com a minha equipa. E não foi apenas uma experiência de trabalho remoto, foi uma situação onde as pessoas estavam em casa a tomar conta de crianças de colo, outros em idade escolar, com outras pessoas em casa também a trabalhar… Cada caso foi um caso, tivemos todos que aprender a trabalhar neste ambiente tão diferente e a empatia foi chave para que o fizessemos de forma os mais inclusiva possível. E mesmo longe, conseguimos sentir-nos perto e apoiar-nos mutuamente.

Sendo um exemplo de liderança, conquista e resiliência – e com tanto para partilhar – que marca gostaria de deixar no mundo?
Quase que diria que gostaria de não deixar marca! Isto numa perspectiva de sustentabilidade e de conseguir deixar para as próximas gerações um planeta habitável. Temos assistido a uma evolução alarmante dos indicadores ambientais e 2020 foi novamente um ano de recordes climáticos, com temperaturas extremas  e a concentração mais elevada de CO2de sempre. Todos nós somos responsáveis e temos que alterar drasticamente como vivemos.
Confesso que estou a mudar bastante, a pandemia também nos colocou numa situação em que valorizamos coisas diferentes, mais simples. Estou  a fazer uma horta e a plantar árvores no Algarve, prefiro ir para lá do que pensar em mais uma viagem para o outro lado do mundo, ando mais a pé, evito o plástico, estou menos consumista… Mas preciso de fazer mais, todos precisamos.

O que podemos continuar a esperar de Si e da Microsoft no futuro?
A nossa missão é “empower every person and organization on the planet to achieve more”. É algo que está presente em tudo o que fazemos, a pensar nos sete biliões de pessoas em todo o mundo e com objetivos bem definidos: promover um crescimento económico mais inclusivo, construir confiança, e criar um futuro mais sustentável. Do meu lado quero continuar a viver esta missão em tudo o que faço e torná-la uma realidade para os portugueses e organizações portuguesas.