“Pretendemos ver o Taguspark reconhecido como o Parque Mais Cívico da Europa”

Sendo o primeiro Parque de Ciência e Tecnologia em Portugal e um dos principais da Europa, o Taguspark, situado em Oeiras, foi desenhado para ser uma “cidade que desenvolve riqueza e conhecimento baseado em ciência e tecnologia” e ainda “um verdadeiro ecossistema de inovação”. Quem o afirma é Eduardo Baptista Correia, CEO deste Parque que respira civismo, qualidade e desenvolvimento. Conheça mais.

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O Taguspark tem como atividade principal a instalação, desenvolvimento, promoção e gestão do maior parque de ciência e tecnologia em Portugal. Quão importante foi a criação desta Cidade do Conhecimento e que mais-valias trouxe ao país e empresas?
O Taguspark foi o primeiro Parque de Ciência e Tecnologia em Portugal e é, atualmente, um dos principais da Europa e o maior do país. Foi pensado numa época em que Portugal seguia o caminho de modernização e desenvolvimento económico da Europa. Integrado, na altura, num município em crescimento e que, hoje, é um dos que apresenta maior poder de compra, maior índice de habilitação literária e onde surgiu o Oeiras Valley: o principal ecossistema nacional de empresas de base científica e tecnológica.
É nesse contexto que se insere o Taguspark, que evoluiu para uma cidade de inovação e conhecimento, de forma a dar resposta ao sólido desenvolvimento socioeconómico e político de Oeiras, materializado na exigente filosofia do Oeiras Valley. Somos peça integrante desse conceito e o novo posicionamento, como Cidade do Conhecimento, permite salientar o que é o Taguspark. Somos, acima de tudo, uma cidade que desenvolve riqueza e conhecimento baseado em ciência e tecnologia. Um verdadeiro ecossistema de inovação, com mais de 90% das empresas aqui instaladas dedicadas a essas áreas, centros de investigação, uma universidade e uma incubadora de start-ups de referência. Com um foco muito importante no civismo, na qualidade de vida e no bem-estar de quem aqui trabalha e nos visita diariamente.

Este ecossistema único em Portugal reúne empresas, centros de investigação e a universidade, permitindo o acesso a uma rede de networking com oportunidades infindáveis. Qual é a missão que aqui persiste e de que forma, desde 1992 – ano da sua fundação – tem sido concretizada?
Desde 1992, somos um modelo nacional de inovação e um espaço desenhado para oferecer todas as condições necessárias às empresas. O que nos distingue é a vivência, o espírito de comunidade, as infraestruturas modernas equipadas com tecnologia de ponta e a capacidade de entregar valor, que vai desde o aspeto físico ao networking científico e tecnológico, permitindo às empresas e às start-ups desenvolver soluções comercializáveis, com capacidade de exportação e internacionalização. Além dos serviços complementares disponibilizados, como a restauração, cuidados de saúde, o acesso à arte, à música, ao mercado tradicional.
Cumprimos com a visão dos fundadores do parque, hoje reforçada com a preocupação de fornecer bem-estar, felicidade e qualidade de vida para o quotidiano dos que aqui trabalham e frequentam o Parque. Por esse motivo, em 2018, iniciámos uma fase de intensa regeneração. Representando o reposicionamento do parque no mercado de arrendamento de escritórios e a criação de condições excecionais para se trabalhar, com espaços comuns agradáveis e a oferta de áreas com atividades diversificadas. Temos vindo a desenvolver o conceito de Museu de Arte Urbana, enquanto forma de estímulo à criatividade, e garantimos espaços bem cuidados, uma limpeza irrepreensível, um ambiente inspirador, que promovem a qualidade laboral.
O próprio edificado de baixa estatura, aliado a uma arquitetura inovadora e espaços de trabalho ajustados à própria cultura das empresas, aliado a espaços públicos limpos e agradáveis, criam condições únicas. Todas as soluções arquitetónicas são adaptadas à realidade do que as empresas procuram e necessitam, resultando em projetos desafiantes e inovadores. Também o civismo e a sustentabilidade são relevantes na escolha dos materiais e dos recursos e na gestão da obra. É impensável que uma obra, seja de construção de raiz ou de regeneração de um espaço existente, cause impacto no nosso ecossistema. Por isso, impomos políticas de ruído zero, limpeza exemplar e, se necessário, trabalhos em períodos noturnos.

Além disso, o Taguspark quer ser uma referência cívica. Como nos descreve os mesmos e quão relevantes têm sido no exemplo e reconhecimento transpostos para a comunidade?
Para o Taguspark, o civismo está na base do desenvolvimento e é uma condição essencial para o crescimento económico, uma maior qualidade de vida e maior competitividade. Queremos assegurar estas condições para as empresas presentes no Taguspark. Um dos nossos objetivos é ser um dos parques mais cívicos da Europa, envolvendo a comunidade nesta missão e apostando em quatro pilares cívicos.
O primeiro pilar é o Comportamental: zero beatas no chão, zero papéis no chão, zero automóveis mal-estacionados. Transmitindo um respeito maior pela comunidade, para um ecossistema mais bonito, mais cuidado e mais agradável. O segundo é a Gestão de Resíduos, procurando soluções para que a separação dos resíduos no Taguspark integre projetos de economia circular. As beatas recolhidas, por exemplo, são matéria-prima principal de uma solução de tijolos para a construção civil. O terceiro é a Eficiência Energética. Para tal, introduzimos cerca de 1.566 painéis fotovoltaicos no Parque, permitindo diminuir a nossa dependência da rede elétrica em 23% e evitar a emissão de 251 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano, e estamos a desenvolver uma comunidade energética rumo à independência energética total. O outro pilar, igualmente importante, é a Dignidade Laboral. Chegamos a acordo com as empresas que nos prestam serviços para aumentar o salário mínimo dos trabalhadores residentes no Taguspark para intervalos entre os 900€ e os 1.200€. A nossa missão está em criar condições para a qualidade de vida no local de trabalho, entregando valor às empresas, pessoas, ao ecossistema e ao território envolvente.

Continuamente à procura das mentes inquietas, disruptivas e ambiciosas que querem mudar o mundo, a inovação tem movido toda as atenções do Taguspark. É legítimo considerar que este local é o melhor ecossistema para inovar em Portugal?
É, seguramente, um local invejável no que toca à qualidade de vida, bem-estar e incentivo à criatividade e desenvolvimento pessoal, onde os valores cívicos e a experiência quotidiana fazem com que o dia a dia dos que aqui trabalham e frequentam o Parque seja muito agradável. Além disso, estamos inseridos no conceito do Oeiras Valley e algumas das maiores empresas nacionais e internacionais estão instaladas no Taguspark.
Nós próprios estamos continuamente à procura das mentes inquietas, disruptivas e ambiciosas que queiram mudar o mundo. Neste sentido, a Incubadora Taguspark promove a inovação e a criação de empresas com base tecnológica, transformando projetos inovadores em realidades empresariais. Somos a única incubadora no sul do país com laboratórios preparados para start-ups de química, bioengenharia e ciências da vida. Com uma área de 2.000m², com escritórios e laboratórios totalmente dedicados à inovação nas áreas de telecomunicações, software, hardware e eletrónica, energias renováveis, ciências da vida e química. A nossa incubadora é a única, a nível nacional, que esteve na génese de um dos unicórnios portugueses, a Talkdesk.

Esta Cidade do Conhecimento pretende e ambiciona ser uma referência a nível europeu. Assim, quais são os próximos passos e apostas para o futuro?
O Taguspark quer garantir que este território é exemplar na forma como se cuida e na forma como toma decisões relativamente à sua evolução, com o pensamento em três eixos estratégicos. O eixo original – o encontro da ciência, da tecnologia, do ensino, da investigação e das empresas de excelência. O segundo eixo é o bem-estar, a qualidade de vida e a felicidade no local de trabalho. E, por último, uma forte introdução das artes e da cultura, de forma a trazer valor acrescentado a quem nos visita e, acima de tudo, a quem trabalha no Taguspark.
Os próximos passos passam por regenerar o Parque, com o novo edificado planeado construído e em pleno funcionamento. Estamos a preparar a construção de um hotel de 4 estrelas e temos em desenvolvimento o polo multifuncional norte, onde vão surgir novas superfícies, um posto de abastecimento de combustível, supermercado, áreas de apoio comercial e pode surgir também uma escola internacional. E temos ainda a segunda fase do parque, a médio prazo, onde estão previstos cerca de 200 mil m2 de construção.
Pretendemos ver o Taguspark reconhecido como o Parque Mais Cívico da Europa. Esse é um objetivo que reforçará a imagem do Taguspark enquanto referência internacional.