“As Pessoas são o mais importante, mas são também o fator mais desafiante, e são realmente fundamentais”

A Revista Pontos de Vista foi à «boleia» da Conferência dos AED Days 2021, realizada entre os dias 28 de setembro e 1 de outubro, e esteve à conversa com Pedro Silva, Managing Partner da OPCO, uma marca de excelência no seu mercado de atuação, onde, entre outros assuntos, abordamos esta união fundamental entre o Capital Humano e a Transição Digital. Saiba mais.

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A OPCO pretende, desde a sua criação, apostar fortemente na excelência do seu serviço, rompendo com o tradicional conceito de consultoria. Sendo atualmente uma referência no setor onde atua, quais têm sido os fatores diferenciadores que trouxeram a marca à liderança no mercado?
Efetivamente, sempre foi nosso objetivo proporcionar um serviço diferenciador, fosse pelas temáticas, fosse pelas qualificações associadas, fosse pela orientação prática e para a implementação, que sempre tivemos.
Ao longo destes anos, em particular nos últimos cinco a seis anos, construímos um portefólio de serviços bastante abrangente. É um facto que muitos clientes ainda nos associam principalmente às formações ligadas à indústria automóvel alemã, mas, o que é certo é que, desde a realização de auditorias internas, desde projetos completos de apoio, passando pelas áreas da qualidade, produtividade, ambiente, segurança, segurança de informação, apenas para citar algumas, temos vindo a diversificar cada vez mais a nossa atuação.
Voltando ao tema de sermos referência ou liderança do mercado, felizmente não somos nós que o dizemos mas sim os nossos parceiros de negócio, em particular os nossos clientes, que nos transmitem essa confiança.

A missão da OPCO é providenciar serviços state of the art aos seus clientes. Assim, como nos pode descrever os serviços e soluções que a empresa apresenta e o valor que aporta nas suas indústrias?
Sim, no seguimento do que comentava anteriormente. Este serviço não é fruto do acaso ou “só porque o dizemos”. O ponto principal passa pelos nossos colegas, formadores, consultores ou auditores, sejam internos ou externos. Passa essencialmente pelas qualificações iniciais, muitas delas validadas pelas entidades internacionais aplicáveis e, depois, pelo nosso processo interno de manutenção dessas qualificações. Tudo isto, claro, tendo como base os vários anos de experiência prática na implementação daquilo que partilhamos com os nossos clientes. Assim, partindo dessas experiência e conhecimento prévio, validados por quem de direito, e tendo sempre como linha orientador, o encontrar o profissional adequado para o serviço em causa, têm sido estes os fatores que nos garantem a qualidade do serviço prestado.

No que diz respeito à formação – uma das áreas mais relevantes da OPCO – de que forma, em tempos de COVID-19, a marca deu continuidade a esta solução? Quão impactante foi a mesma na sua atividade?
Claro que a Covid-19 teve impacto na nossa atuação. Depois de três ou quatro anos a crescer a dois dígitos tivemos uma quebra nos nossos resultados. Aliás, conseguimos claramente identificar os picos de Covid-19 a nível dos nossos indicadores. Mesmo assim, tendo em conta as alterações rapidamente introduzidas – formação online, diversificação das atividades, incluindo a partilha, livre de custos, de conhecimento através de plataformas digitais, conseguimos controlar e limitar essa quebra. Neste momento, em que todos queremos e cremos estar a entrar numa fase pós Covid-19, várias dessas alterações mantêm-se na nossa atividade, contribuindo assim, mais uma vez, para a qualidade do nosso serviço.
E também não nos ficaremos por aqui. Um dos objetivos que temos para 2022 passa por levar aquilo que foi construído nas indústrias automóvel e aeronáutica para outras áreas industriais e, estamos certos, as lições aprendidas durante a pandemia servirão para nos ajudar neste alargamento de âmbito do serviço.

A transição digital é hoje um tema recorrente em diversos setores e no da formação não tem sido diferente uma vez que esta passou, em muitos casos, a ser desenvolvida pelo meio digital. Na sua perspetiva, que melhorias e desafios foram sentidos durante este processo? Considera que, atualmente, a formação é mais eficiente?
Na minha perspetiva sim, muita coisa foi feita, mesmo olhando para o nosso caso em particular. Estamos, contudo, a trabalhar para melhorar ainda mais estes processos. Creio que também ainda estamos todos a aprender.
Uma das coisas que a pandemia trouxe foi o aproximar entidades e indivíduos que se encontravam longe, geograficamente, e uma dessas aproximações resultou em larga medida no que foi o nosso Automotive Summit de 2021, onde alguns resultados foram apresentados. O Summit do próximo ano terá um formato híbrido, com sessões presenciais e sessões online. Cremos que esse será também o futuro nas áreas da formação e, porque não, da auditoria ou consultoria. Vamos a um exemplo, no que diz respeito a auditoria internas, um modelo que funcionou muito bem foi este modelo híbrido: parte da auditoria em remoto, de modo a minimizar os contactos, seguido de parte presencial, para todas as atividades mais operacionais. Tendo esta pandemia sido (ou estando ainda a ser) algo de trágico, temos pelo menos o dever de retirar alguns ensinamentos e creio que este modelo híbrido será um desses exemplos.

A Conferência dos AED Days 2021 teve lugar entre os dias 28 de setembro e 1 de outubro, em formato híbrido. De que forma é que este evento conseguiu cimentar o setor da indústria da Aeronáutica, Espaço e Defesa e, assim, assumi-lo como um mercado expert na promoção da inovação, da formação especializada, entre outros?
Como referido, atuamos nas indústrias automóvel e aeronáutica, mas com um rácio, diria, de 85% para 15%, isto nos últimos tempos. Todas estas iniciativas e as respetivas entidades promotoras têm um papel fundamental na promoção do setor a todos os níveis, não só na atração de investimento como na fixação de técnicos e quadros qualificados, contudo, principalmente a nível da aeronáutica, muito mais há que fazer e passa também pela promoção do país no estrangeiro. Temos boas indicações, como a participação no projeto e a compra do KC 390, contudo a aposta na respetiva cadeia de fornecimento tem que ser levada de um ponto de vista estratégico e não pontual, com abordagens diretas aos principais players, criação de condições atrativas e o garantir de concretização de projetos.

Mesmo sendo em formato híbrido, acredita que não só foram alcançados os objetivos principais deste evento, como o tornaram mais enriquecedor e eficaz?
Creio sinceramente que sim. Infelizmente não conseguimos participar, dado compromissos previamente assumidos, contudo o modelo híbrido acaba por trazer o melhor de dois mundos: a possibilidade de contacto direto entre os envolvidos, mas também a participação de quem está longe e, em áreas como esta, é fundamental “aparecer lá fora”, mostrar dentro e fora de portas o que de bem se faz. Neste sentido, a componente remota é fundamental, assim como outro tema antes discutido, a digitalização, o uso das plataformas virtuais e a promoção destas atividades junto de decisores, mesmo que não se possam deslocar ao nosso país.

A médio e longo prazo, que papel a OPCO irá continuar a assumir na fomentação e divulgação do setor a nível nacional e internacional?
A nível nacional, a resposta é muito simples, da mesma forma que temos vindo a fazer. Existem, dento da nossa rede de contactos, várias organizações que mostram interesse em se apresentar ao setor e, um dos primeiros passos é, claro, conhecer as regras de funcionamento do mesmo e novamente é aí que podemos fazer a diferença, tendo connosco profissionais oriundos dessa área, que detêm não só o conhecimento teórico como também toda a componente prática que vai permitir distinguir o serviço. Como comparação, quando comecei na indústria automóvel, ainda nos anos 1990, muito havia a fazer, eventualmente esse poderá ser um ponto de comparação com o atual panorama aeronáutico em Portugal.

Por fim, como perspetiva a evolução da transição digital da OPCO, bem como do setor onde atua e, de que forma, o capital humano irá mudar em consequência dessa mesma evolução?
Torna-se um cliché dizer que as pessoas são o mais importante, mas são também o fator mais desafiante, e são realmente fundamentais. Se as pessoas não mudarem, evoluírem, se não “comprarem” essa digitalização dificilmente a mesma poderá dar os resultados esperados. Internamente temos em curso várias atividades, sejam ligadas à parte de gestão, gestão da formação em particular, sejam ligadas às formas de comunicação remotas e, estando ainda em curso, posso afirmar que são atividades realmente de alteração de paradigma. Mas como comentava há algum tempo com um colega (outro cliché), o que nos trouxe até aqui, não é o que nos levará ao nível seguinte pelo que, na realidade, não há alternativa sequer a este evoluir constante.