Colinas do Douro: Por uma Região mais Unida e Sustentável

Situada em Figueira de Castelo Rodrigo, a Quinta da Extrema - pertencente às Colinas do Douro, Sociedade Agrícola - integra a propriedade do Parque Natural do Douro Internacional, que tem enorme riqueza cinegética e relevância imensa para a região. Diogo Mexia de Almeida, Diretor Geral desta marca, assume que a mesma, sendo focada na criação de valor através da produção de uvas e vinhos de elevada qualidade, promove ainda a biodiversidade local, cujo valor pretende ser honrado e cada vez mais valorizado. Saiba de que forma.

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Diogo Mexia de Almeida, atual Diretor Geral das Colinas do Douro, abraçou este projeto em 2014. O seu conhecimento sobre a região era pouco, mas suficiente para querer, desde logo, dinamizá-la. Para si, à época, a jornada que acaba de iniciar era extremamente desafiante e digna de toda a atenção e ambição. Numa terra com uma riqueza imensa de fauna e flora inacreditável, “percebi que além do projeto da vinha, seria redutor não aproveitar aquele ativo, com um capital natural incrível e animais diversos, como morcegos, aves, entre outros, para estimar”, começa por afirmar o próprio. Algo que o levou a percorrer um caminho de sucessivas vitórias, passando da produção de 80 mil garrafas, para quase 800 mil, num espaço de sete anos de história.
As quatro quintas (pertences à Extrema), têm as suas encostas predominantemente viradas para norte e são fustigadas por invernos rigorosos. Atravessada pela marcante transição geológica Granito/Xisto, que separa o Planalto Beirão e os Primeiros Vales da Bacia Hidrográfica do Rio Douro, reúne condições únicas para a produção de vinhos com perfil singular: elegantes, frescos, minerais e com longevidade. A marca Colinas do Douro, respeitando e cimentando a riquíssima biodiversidade local, pretende que os seus vinhos expressem este terroir que a distingue. Em desenvolvimento está ainda o projeto da nova Adega, cujos valores estão orientados para a sustentabilidade, utilizando um equilíbrio entre as necessidades técnicas e a natureza envolvente, garantindo o mínimo de impacto ambiental e a máxima eficiente energética.

Biodiversidade local

O que marca fortemente as Colinas do Douro e a região onde se insere, é o capital natural que se inspira e respira por lá. “Além de desenvolvermos as vinhas, também tentamos criar um equilíbrio e entender o que se pode realizar para manter a produção agroindustrial, respeitando simultaneamente a natureza e sem repercussões para os animais que a sustentam. Após um diagnóstico, rapidamente percebemos que tínhamos em mãos uma “pérola”. Aí começamos logo a fortalecer um plano de ação para promover o desenvolvimento e preservação dessas espécies”, sustenta Diogo Mexia de Almeida, acrescentando ainda que “em primeiro lugar anunciámos que seria proibido caçar. Depois fizemos uma instalação de “casas” para os morcegos ao longo das vinhas para que eles pudessem habitar. Por último criamos também um pombal para que as aves rapinas se alimentassem”. Este projeto abriu horizontes para que o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas propusesse às Colinas do Douro a adesão à Plataforma Europeia Business & Biodiversity, onde se partilham e divulgam projetos como os que a marca defende. “No norte da Europa, valorizam imenso empresas que tenham esta preocupação com a sustentabilidade e com a biodiversidade. Se um dia vierem a esta região quero que entendam o nosso papel na promoção da consciência cívica da nossa pegada ecológica. Além disso, falando da sociedade em geral, gostava muito que, no futuro, tivesse esta consciência também – não podemos ser individualistas”, reconhece o Diretor Geral das Colinas do Douro.

Projeto BioD’Agro

O projeto BioD’Agro é um dos vencedores da terceira edição do Concurso Promove, lançado pela Fundação “la Caixa” e pelo BPI, em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, para apoiar a dinamização das regiões de fronteira do interior de Portugal, sendo que, será desenvolvido por um consórcio liderado pelo Instituto Superior de Agronomia, em conjunto com a Universidade da Beira Interior, a Spaceway, a Sinergiae Ambiente, as Colinas do Douro, Sociedade Agrícola e o Município de Figueira de Castelo Rodrigo. O principal objetivo da BioD’Agro é dar resposta aos grandes desafios do território, através da criação de um laboratório de inovação numa vinha pertencente às Colinas do Douro. Neste espaço, será desenvolvido um sistema inteligente de alerta e informação que permitirá aos agricultores da região monitorizar, de forma remota, as suas culturas e tomar decisões que incentivem a biodiversidade local e a sustentabilidade ambiental sem colocar em causa a produtividade agrícola. “Este projeto vai aproveitar aquilo que nós temos no terreno, nomeadamente no que diz respeito aos morcegos – importa referir que os mesmos são animais benéficos e até necessários da Terra. São muito importantes para o equilíbrio da vida, uma vez que comem toneladas de insetos, o que faz deles animais polinizadores, não só de flores, mas também de frutos e árvores. Assim, irão ter um papel preponderante neste processo. Para mim tem sido muito engraçado comunicar tudo isto. Como envolve tantas empresas, ainda para mais numa região tão inóspita, faz todo o sentido aderir a projetos como o BioD’Agro. Além de pouparmos dinheiro em recursos, somos mais eficientes, muito mais ecológicos e sustentáveis e estamos a contribuir uma vez mais para o aumento da biodiversidade no terreno”, confessa Diogo Mexia de Almeida.

Promover a região do Douro Superior é uma prioridade

Que o Douro seja uma região vínica especial pelas inúmeras características que detém não é uma novidade. Mas será que, tendo em conta as suas qualidades, é suficientemente reconhecida? Para Diogo Mexia de Almeida o fator da promoção da região tem de vir muito antes da venda dos seus produtos. “Por exemplo, nos Estados Unidos existe uma estratégia muito eficaz, o que é claramente visível a todos: eles souberam vender muito bem as suas regiões, criando diversas atrações para que os turistas se interessassem em visitar. “Obrigaram” todos os Viticultores as falarem a mesma língua e a trabalharem juntos naquilo que é a sua essência. O que é que se comunica internacionalmente? A região. No Douro isso não acontece e é algo pelo qual tenho vindo a debater regularmente”. Ao fim de sete anos na gestão das Colinas do Douro, existe hoje um reconhecimento frutuoso no mercado. Contudo, esta é uma lacuna que, segundo o nosso entrevistado, precisa de ser colmatada. “É um erro crasso não haver união entre as Autarquias, Produtores, Adegas, Artesanatos… Precisávamos de nos sentar e conversar sobre a melhor solução para colocar o Douro no mapa do mundo pela qualidade dos seus vinhos. Nós temos um ativo que mais ninguém tem. E é uma pena porque, apesar de termos muitos projetos turísticos, é tudo demasiado individual”, garante o Diretor Geral, acrescentando que “não existem apoios estatais, por exemplo, para a reabilitação da estrada de acesso à quinta – e que serve tantas outras explorações e empresas. Fiquei perplexo quando me deparei com aqueles cinco quilómetros de estrada. A sua reconstrução realmente consta nos programas eleitorais, mas as promessas infelizmente não se cumprem”. Este é a grande missão das Colinas do Douro: criar sinergias e atrações diversas nas suas vinhas, para que o valor acrescentado da sua força conjunta ande lado a lado com a qualidade dos produtos da região.

Colinas do Douro a destacar-se no setor dos vinhos

O seu crescimento ao longo dos tempos – e com todos estes projetos a acontecer – tem vindo a ser (cada vez mais) acentuada, quer a nível de produção, como a nível de exportação. No ano de 2020 a marca cresceu 18% e o balanço para este está a ser “agradavelmente positivo, com um aumento de 55%. Tem sito muito motivante para toda a equipa porque temos observado todo o nosso esforço rumar ao destino que tanto ambicionamos. Os nossos vinhos estão a ser muito consumidos e as exportações estão também em crescimento, o que faz com que tudo seja extremamente dinâmico”, reconhece o nosso interlocutor. A pandemia trouxe ao setor novos consumidores a nível mundial e os indicadores assim o registam. “Tem sido realmente um caminho muito interessante e estou otimista com o que poderá vir. Mudamos este ano para a GARCIAS – uma das principais empresas focadas e especializadas na comercialização de vinhos, bebidas espirituosas e também com portefólio alimentar – e passamos de sete vendedores para 65. O que tem feito toda a diferença. Posso concluir que, apesar de ser um projeto desafiante, todos os dias há novidades e tem sido, por isso, muito bom de experienciar”, finaliza Diogo Mexia de Almeida.