Educar as crianças com a serenidade que merecem, um objetivo Royal Kids

A boa educação dos mais novos é cada vez mais um tema de destaque na vida de todos os pais, mas não só. Sendo o Luxemburgo um dos melhores países da Europa para criar filhos, Paula Castro, Diretora da Royal Kids garante que “a inclusão é um objetivo pessoal e profissional”. Contamos-lhe tudo.

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A Royal Kids é uma creche sediada no Luxemburgo, onde a missão principal da mesma se prende pela inclusão e bem-estar de todas as crianças que por ali passam. Para a Paula Castro, enquanto Diretora desta entidade, este sempre foi um objetivo pessoal e profissional? Porquê?
No planeamento da abertura de uma creche, é fundamental que o objetivo principal seja o bem-estar das crianças. A inclusão é um objetivo pessoal e profissional. O meu filho com autismo frequenta a Royal Kids. Crianças de diferentes nacionalidades frequentam o estabelecimento Royal Kids. Eles falam línguas diferentes, expressam-se de maneiras diferentes. A equipa implementou métodos de comunicação – pictogramas, gestos, fotografias – para facilitar a aprendizagem e compreensão da linguagem entre as crianças. Esses métodos também são usados ​​em crianças especiais (autistas). As crianças aprendem a socializar a aproximarem-se umas das outras de várias maneiras. A equipa adapta-se e encontra soluções para que todas as crianças se desenvolvam da melhor maneira possível.

Sabemos que recebem crianças desde os dois meses aos 12 anos. Como é feita esta gestão, tendo em conta a diferença de idades? Qual a importância de ter uma equipa competente e qualificada de forma a promover qualidade de aprendizagem a todas as faixas etárias?
A estrutura está dividida em três grupos. O primeiro é dos dois meses aos dois anos (Royal Babies), o segundo dos dois aos quatro anos (Royal Kids) e o terceiro dos quatro aos 12 anos (Kids Scolaires). É importante que a equipa seja qualificada porque acompanha as crianças não só por alguns dias, mas por meses, anos… A Equipa apoia a criança na aprendizagem, no seu desenvolvimento e participa ativamente no início da vida da criança. Permite dar, em paralelo com os pais, bases sólidas como a aprendizagem da língua, as habilidades motoras, a socialização, as regras de higiene, entre outros. O objetivo principal da equipa é ajudar e ver as crianças crescerem. A equipa é competente porque está a ser formada constantemente, também conhece a realidade do terreno, o que faz com que coloque em prática o que lhe parece mais adequado.

Muitos afirmam que o Luxemburgo é o segundo melhor país da Europa para criar filhos. Qual o peso deste atributo ao país, tendo em conta a competitividade no setor onde a Royal Kids atua? Sente que tem aqui um desafio acrescido?
A equipa é constantemente treinada no sentido de aprimorar as competências e aprender coisas novas. Tem alicerces ao nível dos estudos, experiências, vivências e o facto de partilhar e comunicar dentro do estabelecimento e também com pessoas externas (profissionais, pais, escolas) é a nossa força. Estou convicta de que uma equipa unida que pretende melhorar constantemente é muito mais benéfica do que uma estrutura sem paixão e sem desejo. Comunicamos muito dentro da equipa e fazemos escolhas juntos. Cada um dos educadores conhece as crianças, sabe gerir cada um dos grupos, conhece esta ou aquela alergia ou patologia de cada criança… O verdadeiro desafio dentro de uma estrutura é estabelecer um clima de confiança entre todos. Conseguimos confiar uns nos outros, o que permite um trabalho de qualidade. O feedback positivo dos pais também nos motiva a continuar nessa direção. O discurso de pais felizes é muito satisfatório para a equipa.

Certo é que a pandemia da Covid-19 acarretou algumas mudanças nas rotinas dos mais novos. Quais os maiores retrocessos na educação das crianças que sentiu no momento em que a Royal Kids reabriu?
A estrutura não estava aberta há muito tempo quando a pandemia chegou. Aproveitámos para nos treinar mais, para organizar novos espaços, para retirar e mudar o que era solicitado para a reabertura da estrutura (utilização de máscaras por exemplo). As rotinas mudaram e melhoraram com base nas necessidades das crianças, mas o básico permanece o mesmo. Em relação aos bebés, a equipa adapta-se ao ritmo deles, portanto não houve muita mudança em relação aos mesmos. Para dar um exemplo, nos níveis mais elevados, surgiu a questão do trabalho das emoções durante a pandemia porque nos parecia complicado fazer esse trabalho com a máscara cirúrgica. Mas encontrámos uma solução após uma reunião de equipa, onde foi solicitado o uso de máscaras transparentes. A equipa soube recuperar deste imprevisto.

Durante a sua experiência como Diretora da Royal Kids, quais as principais angústias com que se debate perante as famílias luxemburguesas? E de que forma lida com elas?
No distrito onde está localizada a estrutura do Royal Kids, há muitas famílias estrangeiras, não podemos falar apenas das famílias luxemburguesas. Tratamos famílias diferentes da mesma forma. Se precisarem de ajuda, se tiverem dúvidas, pedidos, fazemos o nosso melhor por eles. Cada família é diferente, cada família tem os seus problemas, cada família tem os seus medos e procuramos estar o mais presentes possível para eles e os seus filhos sem nos afastarmos da nossa postura profissional.

Num país como o Luxemburgo, que ensinamentos são fundamentais de forma a prepará-los o melhor possível para o futuro?
Temos como projeto educacional o “plurilinguismo”. No Luxemburgo, a aprendizagem de línguas é promovida. Ao mesmo tempo, como acontece com todas as crianças, é importante ajudá-las e ensiná-las a crescer com normas de respeito, higienização, socialização, entre outros.

Por fim, como vê o futuro da educação das crianças no Luxemburgo? Acredita que a tecnologia pode vir a prejudicar as vivências das mesmas? E a Royal Kids, trará novidades?
Há tanto de positivo (criatividade) quanto negativo (isolamento) na tecnologia. Dentro da estrutura, trabalhamos o mínimo possível com ela. Após discussão com a equipa, pensamos que as crianças terão tecnologias suficientes na escola, em casa, no trabalho. Por isso, queremos preservá-los o máximo possível, usando muito raramente as tecnologias nos grupos Royal Babies e Royal Kids. Fazemos outro tipo de atividades como colher folhas na mata, ouvir o canto dos pássaros… coisas simples que infelizmente muita gente esquece.