Todos os anos, em Portugal, cerca de 400 crianças e jovens são diagnosticados com cancro

É para eles, e para as suas famílias, que a Fundação Rui Osório de Castro trabalha diariamente há quase 13 anos. Apesar de se tratar de uma doença rara, o cancro ainda é a primeira causa de morte não acidental na população infanto-juvenil, após um ano.

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Pouco sabemos acerca das causas que levam ao aparecimento de cancro em crianças e adolescentes o que faz com que a prevenção seja praticamente inexistente. É importante um diagnóstico precoce sendo fundamental que os pediatras, médicos de família e as próprias famílias estejam familiarizadas com os principais sintomas. Difícil pois não se trata apenas de uma doença, mas várias, sendo os possíveis sintomas diversos e por vezes confundidos com os das doenças comuns das crianças. Quando o médico de família ou pediatra desconfia da existência de um caso de cancro, este é sinalizado e devidamente encaminhado para um dos centros de referência onde é feito o diagnóstico e consequente tratamento.

Em Portugal existem três Centros de Referência na área de Oncologia Pediátrica: em Lisboa (Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil de Lisboa), em Coimbra (Hospital Pediátrico de Coimbra) e no Porto (Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil do Porto e Hospital de São João do Porto) sendo o tratamento por isso totalmente assegurado pelo Serviço Nacional de Saúde. Os tipos de cancro com maior incidência nas crianças são as Leucemias, os Linfomas e os Tumores do Sistema Nervoso Central mas existem muitos outros. Felizmente, e graças aos grandes progressos ao nível do diagnóstico e dos tratamentos, mais de 80% destas crianças e adolescentes sobrevivem. Os que sobrevivem, dois em cada três sofrem de sequelas dos tratamentos ao longo da sua vida. Sequelas essas que podem ser físicas ou psicológicas. Aqui a investigação tem também um papel fundamental. O objetivo não é apenas que as crianças e adolescentes sobrevivam, queremos garantir a sua qualidade de vida durante o tratamento e também ao longo de toda a sua vida pós tratamento.

A Fundação Rui Osório de Castro concentra a sua atividade em duas grandes áreas: INFORMAR, esclarecendo os pais e as crianças sobre questões relacionadas com o cancro infantil e PROMOVER a INVESTIGAÇÃO contribuindo assim para o avanço da medicina nesta área. Foi criada em Março de 2009 por Maria Karla Osório de Castro e seus filhos, Catarina e Filipe, em memória e homenagem a Rui Osório de Castro, Marido e Pai. Acreditamos que uma família informada é uma família mais tranquila e segura para acompanhar a criança ou adolescente durante este processo que nunca é fácil. Para isso, e tendo em conta a importância de terem informação séria e credível, esta é disponibilizada numa série de formatos: online, o PIPOP (www.pipop.info), livros, guias, folhetos, vídeos, seminários e webinars.

Portugal deve contribuir para a evolução do conhecimento da doença e da melhoria contínua nos cuidados prestados, com a vantagem de assim as nossas crianças terem mais cedo acesso a terapias inovadoras. E por isso na área da investigação apoiamos financeiramente a integração de crianças tratadas em Portugal nos estudos realizados pelos grupos de trabalho europeus. Também na área da investigação o Prémio Rui Osório de Castro / Millennium bcp. Tem como objetivo o desenvolvimento de projetos e iniciativas inovadoras na área da Oncologia Pediátrica, projetos que de alguma forma melhorem a qualidade de vida destas crianças e das suas famílias. É atribuído anualmente e com o período de candidaturas aberto, está já na sua 6ª edição. Apesar da investigação e a informação serem as áreas a que nos dedicamos, existem várias questões que são também importantes serem lembradas quando falamos de cancro pediátrico em Portugal, nomeadamente o apoio psicológico e o apoio social, muitas vezes insuficiente, e que fundamental para a reorganização destas famílias.