Segurança alimentar mundial é ameaçada por onda de calor na Índia e no Paquistão

O sudoeste asiático tem batido recordes de temperaturas que ultrapassam os 46 graus Celsius. Numa altura em que a Índia se preparava para recuperar as perdas agrícolas provocadas pela guerra na Ucrânia, foi surpreendida por uma enorme onda de calor que está a destruir ainda mais as colheitas.

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A Índia – que é o quinto maior exportador de cereais do mundo – está a ser impedida de escoar. O que se esperava era que o país se torna-se, agora, o substituto da Ucrânia no que diz respeito ao fornecimento de cereais, no entanto, a sucessão de ondas de calor tem vindo a destruir a maioria das colheitas.

Em abril, foram batidos recordes das temperaturas médias mais altas que chegaram mesmo a atingir os 47 graus Celsius, tanto na Índia, como no país vizinho, o Paquistão. O ministro para as Alterações Climáticas, Sherry Rehman, disse que esta é “a primeira vez em décadas que o Paquistão passa por aquilo que muitos chamam ‘ano sem primavera’”.

Alguns cientistas garantem mesmo que, antes da influência dos gases com efeito de estufa emitidos pela atividade humana, uma vaga de calor destas acontecia na região duas vezes por século. Agora, sucede uma vez a cada quatro anos, em média.

Este calor de abril, obrigou a Índia a fechar escolas e sobrecarregou centrais térmicas de produção de eletricidade. Mas os maiores estragos aconteceram ainda em março, quando o calor começou. No Estado de Punjab, o mais produtivo do país, estima-se que as colheitas caiam 25%.

Estas ondas de calor deitam por terra os planos indianos de venderem no mercado internacional os excedentes das suas colheitas, compensando as perdas provocadas pela guerra na Ucrânia. No início de abril, Narendra Modi, o primeiro-ministro indiano, garantiu a Joe Biden, presidente dos EUA, que a Índia se encontrava preparada para exportar alimentos para o resto do mundo, substituindo a Ucrânia. Contudo, já na altura, alguns especialistas alertavam que a produção deste ano estaria a ser sobrestimada pelo governo. As falhas no abastecimento de fertilizantes são outra razão para as fracas colheitas, a somar à meteorologia adversa.

Para os consumidores europeus, o preço dos alimentos será a maior preocupação – desde 1990 que os cereais não estavam tão caros, no mercado internacional. Para outras regiões do planeta, no entanto, pode vir uma tragédia a caminho. O custo proibitivo dos alimentos deixará muitos países africanos em sérias dificuldades para alimentar as suas populações.