“Os meios de comunicação social são um instrumento fundamental de qualquer democracia”

JOANA MARTINS, DOCENTE, 39 ANOS

104

No dia 12 de julho de 1821 foi promulgado um decreto em Portugal que, pela primeira vez, estabeleceu a abolição da censura prévia e a regulamentação do exercício da liberdade de imprensa. Neste sentido, ao longo dos anos, qual tem sido a importância desta prática e do seu papel na democracia?
Os meios de comunicação social são um instrumento fundamental de qualquer democracia, não só porque garantem o nosso direito de livre acesso à informação, mas também porque são um dos vigilantes do poder instituído. Não é por acaso que uma das primeiras preocupações dos regimes autocráticos é controlar a informação e os meios de comunicação social. Os media têm, por isso, um papel muito importante enquanto instrumento de liberdade, ainda que hoje em dia sofram de um descrédito generalizado. Reganhar a confiança das audiências, abandonar estratégias de tratamento mercantil da informação e ocupar o papel de confiança que é, por direito, dos meios de comunicação social são os grandes desafios para o futuro.

Na sua opinião, qual a melhor forma de combater a desinformação?
Não sendo um fenómeno recente, a desinformação traz desafios acrescidos neste século XXI, essencialmente devido à velocidade com que, hoje em dia, é possível disseminar informação falsa.
Sempre houve campanhas de intoxicação do espaço público, mas nunca, como hoje, foi tão intensa a velocidade com que se espalham essas campanhas.
Na minha opinião, a educação para os media é uma das respostas e deve começar no 1.º ciclo, pois só formando cidadãos conscientes do papel dos meios de comunicação, é possível dotar esses cidadãos de ferramentas para reconhecer os cada vez mais elaborados estratagemas para espalhar desinformação. Esta educação para os media pode ter um papel fundamental no aumento do grau de literacia mediática da população e no entendimento que as crianças e jovens têm das redes sociais como espaço público.