“Hoje os outros, mas amanhã podemos ser nós”

MARIA DA CONCEIÇÃO ANDRADE, 60 ANOS, REFORMADA

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O Dia Mundial do Dador de Sangue é comemorado anualmente a 14 de junho. O objetivo desta efeméride é homenagear os dadores de sangue e ainda sensibilizar sobre a importância deste ato responsável por salvar vidas. Considera que, em Portugal, existe consciencialização suficiente para esta questão? O que urge estabelecer?
Acho que é uma data muito importante e nos dias que correm passou a ter maior destaque e relevância, até pela vertente da sensibilização da própria sociedade e das pessoas para este problema, ou seja, da escassez de sangue nos bancos do mesmo, tão fundamental para salvar vidas.
Olhando um pouco para a sociedade em si, dá ideia que este sentimento de entreajuda, solidariedade e cidadania se perdeu um pouco, algo que me entristece bastante, até porque nos passaram a mensagem, aquando da pandemia e dos respetivos confinamentos, que a nos iriamos tornar em pessoas mais saudáveis e despertas para os problemas dos outros. Por isso, temo que hoje não exista essa consciência para a importância do Dia Mundial do Dador de Sangue, embora reconheça que ainda temos muitas pessoas que tentam lutar contra esta maré mais obscura da humanidade e espero sinceramente que possamos chegar a um ponto mais positivo na nossa sociedade. Permitam-me um elogio a todos aqueles que tiram um pouco de si e são dadores de sangue para ajudar outros.
Não sei o que podemos fazer, mas sei que se cada um de nós pensar um pouco mais no seu próximo, então estamos mais perto dessa harmonia para o bem de todos.

Na sua perspetiva, quão importante é, enquanto cidadãos, estarmos dispostos à dádiva voluntária?
É fundamental. Hoje os outros, mas amanhã podemos ser nós. Nunca nos podemos esquecer disso. Temos de saber dar para poder receber e dar sangue, é dar vida, logo, espero que sejamos capazes, como já referi, de nos unirmos por uma causa meritória e de enorme valor para a Humanidade.