“O sangue é elemento fundamental na prática da atividade hospitalar e não só”

CARLOS EDUARDO ESTEVES, 31 ANOS, JORNALISTA

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O Dia Mundial do Dador de Sangue é comemorado anualmente a 14 de junho. O objetivo desta efeméride é homenagear os dadores de sangue e ainda sensibilizar sobre a importância deste ato responsável por salvar vidas. Considera que, em Portugal, existe consciencialização suficiente para esta questão? O que urge estabelecer?
Na verdade, não. A mensagem pode ainda não ter passado sobretudo à juventude. Faltam campanhas mais incisivas. Mais apelativas. Com frases fortes. O propósito toda a gente aplaude e reconhece, falta torná-lo prática por todos os que conseguem garantir por mais tempo a dádiva. As pessoas ainda não perceberam bem o real impacto de uma dádiva de sangue para o bem comum. Há uns anos havia garantias que os dadores tinham, como isenção da taxa moderadora e um ‘melhor’ reforço do pequeno almoço logo após a dádiva. Não será por isso que a dádiva aumente. A dádiva não pode só aumentar. Tem de tornar-se constante, ou seja, aumentar dadores e aumentar o número de vezes que cada um dá sangue.

Na sua perspetiva, quão importante é, enquanto cidadãos, estarmos dispostos à dádiva voluntária?
Total. O sangue é elemento fundamental na prática da atividade hospitalar e não só. Diria da área da saúde no seu todo. Ora captar cada vez mais esse elemento é essencial para não termos por exemplo de comprar plasma no estrangeiro. Portanto acho que por si, cada um de nós, capaz de o fazer, deveria ter logo essa iniciativa. E assim quebrava por si o mito de que dói, que é muito doloroso, que demora muito tempo. É um sentimento tão especial o de pensar que podemos, num gesto simples, ajudar amigos (ou não), família (ou não), numa situação delicada, que eu, pessoalmente, lá vou até ao Hospital de Viseu sempre que posso. E tenho feito tudo para ‘esgotar’ o número de dádivas possível por ano. E, como já o fiz, deixo um apelo a cada dador: ‘Traz um amigo também’. Não há melhor forma de passar a mensagem do que ir dar sangue pela primeira vez com alguém da nossa confiança.