“A Ciência e a Inovação são os alicerces essenciais para a tomada das melhores decisões”

“Podemos ter um país visionário, que aposta na Ciência e na Tecnologia para atrair os maiores talentos para as nossas empresas”, garante Filipe Alves Jesus, Partner da STABLEPERCENTAGE. Em entrevista à Revista Pontos de Vista, revelou ainda o seu ponto de vista acerca da proposta da semana de quatro dias de trabalho, bem como dos impactos da sustentabilidade da Segurança Social. Fique a par.

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O Filipe Alves Jesus atua há mais de uma década no segmento da prestação de serviços nas áreas da Contabilidade, Fiscalidade e Recursos Humanos, onde se distingue pela capacidade de inovação e qualidade. Enquanto profissional que conta longos anos de experiência, de que forma tem vindo a perpetuar valor e dinamismo nos setores onde atua?
Há mais de uma década, não, há 25 anos que trabalho em Contabilidade e Fiscalidade. A evolução da profissão de Contabilista Certificado está em crescendo, e isso tem que ser valorizado e reconhecido como tal. Estou ciente que muitos dos nossos colegas não estão preparados para tal mudança, mas que mudou sem dúvidas nenhumas, mudou. Hoje os CC acrescentam valor às empresas, às organizações e à sociedade. Vou-lhe dar um pequeno exemplo, durante o período pandémico, quem foram os médicos das empresas? Fomos nós, Contabilistas Certificados. Um Contabilista Certificado, hoje vale 8/2 e explico-lhe porquê. A principal razão, para o excelente investimento ser no CC, é a sua formação em contabilidade geral, em contabilidade analítica, por centro de custos, na fiscalidade, nos recursos humanos, na gestão de tesouraria, e nos apoios ao Balção 2020 e 2030, seja nacional ou europeu, ou seja, hoje, somos 8/2, sendo a segunda os representantes das obrigações fiscais perante a AT. Por isso hoje um Contabilista Certificado tem um valor imensurável. Hoje os CC são talentos, e é isso que tem de ser valorizado ao seu justo valor, quer em vencimento salarial, ou avençalmente, e esta luta tem de ser ganha, porque quando o vencimento ou a avença deixar se ser uma luta, passar a ser uma colaboração, aí todos ganhamos.

A realidade é que cada vez mais assistimos a mudanças tecnológicas que influenciam a forma como os profissionais e as organizações desenvolvem o seu trabalho. Para o Filipe Alves Jesus, em que medida a Revolução Digital está a transformar o setor da Contabilidade, Fiscalidade e Consultoria?
A Ciência e Inovação são os alicerces essenciais para a tomada das melhores decisões. Estamos no tempo de enormes adaptações e alterações para serem introduzidas quer na produção de conhecimento, quer na mobilização de recursos humanos altamente capacitados, para serem criados novos modelos de negócio. Entramos numa 4º Revolução Industrial, que nos traz o Digital, que vai trazer um enorme potencial para melhorar as condições de vida das empresas, das pessoas e da sociedade.
O impacto da digitalização é muito variável, pois os resultados dependem dos diversos setores de atividade. Não podemos ter os mesmos resultados em certas áreas, com atividades diferentes. Não se pode pedir, que num setor de comunicações, ou da energia seja igual ao setor da área financeira e neste caso da estamos a falar da contabilidade. O Digital tem por base o melhoramento da visibilidade e da flexibilidade, tornado as empresas e as organizações mais produtivas e eficientes, e mais próximas, é esse o principal objetivo do Digital. Para a contabilidade o Digital, vai trazer uma maior automatização, uma melhor informação, uma redução de custos e uma maior segurança contabilística. Depois, em princípio deverá seguir-se um “Green Deal”, para uma recuperação económica que respeite mais o ambiente e que promova uma melhor qualidade de vida às próximas gerações. Tem de haver uma fusão entre o Digital e o Ambiente.

Assim, considera que este setor enfrenta efetivamente um grande desafio na adaptação às novas necessidades tecnológicas? De que forma?
Não, pelo contrário, Portugal será o polo tecnológico europeu dos próximos anos, vamos ser o país com um maior índice de empresas tecnológicas, tanto que Lisboa, já tem connosco o Web Summit, e vai ser criada nos próximos tempos a fábrica de Unicórnios, que deste modo, teremos todas as condições para seremos os Hub Tecnológicos Europeus. O Orçamento de Estado para 2022, já traz condições fiscais muito atraentes e benéficas para as Empresas de TI, como a isenção em IRC em 85% para os Royalties e qualquer receitas provenientes da exploração da Propriedade Intelectual, ou da venda de Software. Traz também um regime específico para o registo de Patentes o chamado Patentes Box, ou seja, tudo isto é uma mais-valia e uma oportunidade rara para país. Podemos ter um país visionário, que aposta na Ciência e na Tecnologia para atrair os maiores talentos para as nossas empresas, para que possam tornar-se mais inovadoras e competitivas. Portugal está a chamar a si, mais empreendedores, estamos num conceito diferente de criação de outro género de trabalho. Vou-lhe dar um pequeno exemplo, a economia de Israel, é suportada, por Start-ups e venda de registo, direitos de proiedade intelectual e patentes. Por isso, é necessário aproveitar esta oportunidade para que possamos ser mais produtivos e assim alavancar a economia portuguesa, baseada neste contexto e fazer um Pacto de Regime para com a Ciência e a Tecnologia, sempre inserida nos valores europeus. Temos que libertar visões de curto prazo e de ciclos de políticas curtas e criar ciclos mais latos que permitam enfrentar desafios estruturais, com objetivos claros na concretização de uma maior estabilidade, e de uma regularidade de um futuro mais previsível para as futuras gerações.

A STABLEPERCENTAGE, não prescinde de aliar valores como a ética, responsabilidade, segurança e profissionalismo, e inovação. Podemos afirmar que é este conjunto de fatores que permite uma prestação de serviços bem-sucedida nas áreas onde atua? Porquê?
Quando olhamos para esta Era, estamos a falar de uma 4º Revolução Industrial, e de novas gerações, que são constituídas por pessoas muito mais bem informadas, mais conscientes, e mais instruídas, e para o qual a nossa missão e visão tem de ser muita mais exigente. A STABLEPERCENTAGE, nasceu a pensar nesta nova era, e para esta nova geração, para que consiga ajudar a definir, missões e visões estratégica, para com os seus clientes, fornecedores, acionistas e stakeholders. Enquanto estiver ao comando da STABLEPERCENTAGE, existem critério de qualidade que não prescindo. A empresa tem de ser observadora, focada, criativa, responsável, com clareza, organizada, e bem definida, sempre na procura constante, de obter mais conhecimento na sua área de atuação, e não só, também noutras áreas. Este conhecimento faz-nos elaborar e antecipar planos de ação estratégicos, e implementar procedimentos com muito mais clareza que nos levam a ultrapassar os desafios inerentes, ao que a própria economia nos impõe, para que assim, possamos ter a certeza, do caminho certo e do sucesso, com responsabilidade, ética, segurança, profissionalismo e inovação.

Numa altura em que tanto se fala sobre resiliência, o fator sustentabilidade da Segurança Social tem sido objeto de debate em Portugal e na Europa ao longo dos anos. Para o Filipe Alves Jesus, quais serão os maiores impactos deste sistema, a médio e longo prazo. Que novidades trará?
Ouve-se há alguns anos, uma frase muito utilizada pelos portugueses, “no nosso tempo não haverá reformas”. Acredito que na minha e próxima geração, ainda se consiga manter o nosso sistema contributivo com capacidade a sustentabilidade das reformas, mas a seguir será completamente impossível. Isto porque, as recessões que tem vindo acontecer há mais de 15 anos, sem deixarem respirar a economia, agora mais uma crise que vai atingir as famílias, a inflação, de certeza que daqui a uns 40 ou 50 anos, essas gerações irão ficar realmente sem reformas. Depois não consigo entender a lentidão na resolução de problemas crónicos, tão importante para a vida das pessoas e das sociedades, tendo sempre como solução, o aumento da idade da reforma, fazendo dos trabalhadores escravos de trabalho para suportar um Estado que criou tamanha dimensão que não se consegue financiar sem um totalitismo de impostos sobre os trabalhadores, funcionários e empresas. Há uns anos atrás falou-se de um regime privado como solução para o nosso sistema contributivo para que se conseguisse ter um alívio ao retirar os maiores vencimentos sobre alçada da Segurança Social. Não sou realmente a favor de um regime totalmente autónomo, mas encontro a solução, para esses vencimentos milionários, ser criado pelo nosso sistema contributivo um regime especial, ou seja, um regime público ou privado, e estando a falar dos vencimentos milionários. Para os restantes vencimentos, ficarão sobre alçada do sistema contributivo público, onde poderão ser criadas condições para um teto máximo contributivo, e dar condições de isenção aos vencimentos laborais acima desse teto. Ficando o remanescente do vencimento e da contribuição, para ser espelhado na nossa economia, tendo em linha de conta que estamos a abranger as classes médias altas. Outras das soluções em consonância, de uma isenção ao nível do rendimento do trabalho até aos 25.000 Euros, dando condições de vida digna aos assalariados e as classes mais baixas promovendo a sustentabilidade da Segurança Social, podendo a receita que foi absorvida por esta isenção, ser ressarcida através de decimais aos vencimentos na parcela abater da Declaração de rendimento do IRS. Estas soluções, no meu ponto de vista, tornariam a voltar fazer crescer a nossa classe média alta, a economia, pois são estes escalões de trabalhadores que fomentam a economia do nosso país.

Tem vindo a ser discutida ao longo do presente ano, a proposta da semana com quatro dias de trabalho. Podemos afirmar que esta medida seria um forte impulso à economia do nosso país? Porquê?
Existem países que já adotaram esta redução do tempo de trabalho para os quatro dias da semana, tendo contribuído de uma retoma económica. Isto para mim, não me faz qualquer sentido, vamos ver até quando essa retoma de crescimento económica feita através de uma redução de trabalho dará resultados. E explico porquê, como é que os países crescem economicamente trabalhando menos? Impulsionando ao consumo? E não estarão a estar a criar endividamento as famílias? Quando vivemos em tempos de crises crónicas ainda agora vem um período de inflação que não sabemos quanto tempo durar. Isto para mim não faz qualquer sentido. Outra questão pertinente, será que depois da existência dos quatro dias por semana de trabalho, poderá haver um retorno da semana para os cinco dias, no caso de ser necessário? O PIB não sofrerá impacto? O mercado de trabalho, de certeza que terá de alterar a sua estrutura legislativa e empresarial, que poderá ficar abalada, pois o que se fazia em cinco dias terá de ser feito em quatro dias, podendo criar desemprego, e para o Estado a vantagem de receber mais 52 dias de impostos por ano, e ter como referência estatística o aumento do salarial médio, poderá não ser assim tão benéfico. Aos trabalhadores, com certeza, que terão um maior equilíbrio de saúde, e familiar. Para mim, faz muito mais sentido, e defendo um caminho para uma liberalização no mercado laboral ao nível da redução de horário, ou redução de horas. A redução de horas semanais, cria maiores condições ao mercado de trabalho para as entidades empregadoras beneficiarem dos trabalhadores a part-time. Aliás com este género liberalização, poderá existir uma redução no desemprego, abrangendo uma maior quantidade populacional, e mantém o aumento do salário médio português, dando ainda uma maior folga financeira às empresas. Mais, não será necessária uma alteração legislativa tão acentuada no Código de Trabalho. Para mim este, é este o caminho mais acertado e favorável para que os Estados, consigam beneficiar da retoma económica pretendida. É preciso é ser criado condições laborais benéficas para o mercado de horário e horas reduzidas.