“Sentimos que devemos ter cada vez mais Responsabilidades Ambientais e Sociais”

A problemática da sustentabilidade tem chamado cada vez mais a atenção das empresas portuguesas, que têm vindo a adotar estratégias que reduzem o seu impacto ambiental. Foi sobre este tema que Filipa Garcia, CEO da Garcias, conversou com a Revista Pontos de Vista, revelando que “aqui na Garcias é um objetivo direto nosso, da Administração, que passa diretrizes no sentido da procura constante por soluções amigas do ambiente”.

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A Garcias é líder na venda de Vinhos e Bebidas Espirituosas, que conta com uma rede de distribuição a nível nacional, com três bases logísticas, sete lojas e uma garrafeira. Analisando o percurso feito até à data, qual diria que foi o fator-chave para o sucesso da marca?
A capacidade de adaptação ao longo dos anos tem sido o fator crítico de sucesso. O espírito de resiliência da Família Garcias desde 1981, passou sempre para todos os Colaboradores, entre todas as gerações. Além destas soft skills que apontamos como fatores de sucesso, a nossa Visão Comercial foi sempre uma vantagem competitiva e isso nasceu já com os fundadores – João Garcia e Arnaldo Garcia. Esta Visão Comercial é traduzida numa estratégia firme e de compromisso com os nossos Clientes e Parceiros de negócio.

Sabemos que o compromisso da Garcias com a sustentabilidade é sério e real, até porque o futuro das empresas depende também da capacidade das mesmas para colocar as questões ambientais no centro das atenções. Neste sentido, quais são os objetivos do mais recente “Projeto de Desmaterialização”?
Este foi um projeto que se iniciou no início deste ano 2022 com o Parceiro Papiro, através de estudos intensivos dos atuais Processos e Workflows entre os Departamentos da GARCIAS. Existindo um elevado volume de documentação dentro da Empresa, é cada vez mais determinante automatizar os processos de trabalho e aumentar a agilidade. Retirar ao máximo o papel a circular na Empresa é o nosso Objetivo Prioritário. Se através desta solução, automatizarmos processos de forma ainda mais eficiente, é a solução perfeita. Esta redução de desperdício tem um impacto direto na redução de custos financeiros, o que impacta positivamente toda esta decisão. Com este projeto, tentamos colocar nos nossos Colaboradores este compromisso, dando origem a um sentimento global de otimismo com o futuro da empresa e com o seu compromisso ambiental.

De que forma, no seio da Garcias, se equilibram as responsabilidades económicas, ambientais e sociais?
Devido à nossa dimensão e a todo o crescimento atual, sentimos que devemos ter cada vez mais Responsabilidades Ambientais e Sociais. A Garcias atingiu uma dimensão que nos coloca claramente neste patamar de compromisso. No que respeita a responsabilidades ambientais, temos como já referido anteriormente, um projeto interno de Desmaterialização. Existe diariamente uma tentativa de adaptação dos vários departamentos à nova realidade “sem papel e sem desperdício” com a prática de medidas simples de redução do papel ao máximo. Sempre que necessário o uso de papel, fazemo-lo de forma mais circular, com a utilização de mais papel de rascunho. No que respeita a frotas, estamos neste momento com 80% da nossa frota 100% elétrica e o nosso compromisso até 2025, é ter 100% desta frota elétrica. É um investimento grande de forma a ter um compromisso ambiental que seja efetivamente real e imediato.
Sobre consumo de energia, temos as nossas principais bases logísticas de Alcochete e Algoz dotadas de painéis solares e temos em estudo o alargamento destas medidas a todas as nossas lojas. No que concerne à parte social e dada a dimensão atual da empresa, com os seus 350 colaboradores, damos ajuda pessoal sempre que necessário com o nosso gabinete jurídico especializado. Esta ajuda centra-se em dúvidas e questões pessoais de cada funcionário, nos quais conseguimos ajudar com pessoas externas, gerando um sentimento que a Garcias está sempre disponível para ouvir toda e qualquer dúvida pessoal. Isso para nós, é muito importante. Além disso, temos com enorme orgulho a nossa Fundação Garcia, sedeada em Vila de Rei, que visa o bem-estar e o desenvolvimento das pessoas com deficiência, promovendo atividades de cariz prático e lúdico-recreativo. Além desta Fundação Garcias, temos ao dia de hoje, apoio a várias instituições, como é o caso da Educa & Cria e da ACCA – Associação de Crianças Carenciadas do Algarve.

Sabemos que ao reduzir a impressão de cerca de 68 mil folhas por ano, a Garcias “poupa” sete árvores. Acredita que, de uma forma geral, existe hoje – e cada vez mais – uma maior consciencialização para as questões relacionadas com a sustentabilidade e proteção do planeta?
Acredito que é um tema que está cada vez mais na ordem do dia de todas as empresas. O impacto de notícias, artigos diários e de conferências internacionais sobre o tema é enorme. Aqui na Garcias é um objetivo direto nosso, da Administração, que passa diretrizes no sentido da procura constante por soluções amigas do ambiente. As nossas pessoas trazem-nos cada vez mais esta consciencialização para dentro e para fora da empresa, o que nos orgulha e motiva de forma a estarmos todos mais conscientes.

Neste sentido, de que forma, enquanto empresa comprometida com o futuro da sustentabilidade e da eficiência, têm vindo a promover a resiliência climática e a fomentar a inclusão na cultura da organização?
Estamos conscientes que temos constantemente de responder à evolução dos riscos climáticos e, enquanto Grande Empresa, mitigar as alterações climáticas e promover a resiliência de todas as medidas. Promovemos estas medidas com os investimentos que fazemos, já explicados anteriormente, e com uma comunicação clara aos nossos colaboradores. Temos consciência que há muito trabalho pela frente e isso faz-nos pensar diariamente na ação e menos no problema central, pois esse está claramente identificado – a nossa sustentabilidade e futuro enquanto empresa e pessoas no mundo atual.

Para a Filipa Garcia, onde é que verdadeiramente começa e acaba a responsabilidade social no que diz respeito à sustentabilidade ambiental, particularmente no tecido empresarial?
Começa no início de cada dia, com a lembrança constante deste equilíbrio aos seus colaboradores e através da cadeia de valor da empresa. Termina no final do dia com a prática destes atos no seio familiar com a preocupação constante de passar aos seus filhos, que são os líderes das próximas gerações. Estes pequenos e simples atos, acredito que, no conjunto global, se transformam numa onda de mudança internacional. No tecido empresarial temos de ter um constante sentido de equilíbrio entre as boas práticas e o custo/beneficio financeiro. O que tentamos fazer, diariamente, é procurar a implementação de medidas simples, que impactam em larga escala os nossos custos, mas também o sentido de comunhão e compromisso de todos os envolvidos na cadeia de valor.

Com os olhos postos no futuro, como perspetiva os anos que se avizinham para a Garcias? De que forma está a ser desenhado o contínuo compromisso com o meio ambiente?
Temos o compromisso de, até 2025, atingir as seguintes metas que para nós e para toda a estrutura estão claras. A frota das Equipas Comerciais ser 100% elétrica, todas as Delegações e Lojas com painéis solares e o papel ser reduzido aos mínimos essenciais. Fomentamos a comunicação destas metas em toda a nossa comunicação interna e sentimos que existe um compromisso real de todos os colaboradores com estas metas.