Menopausa: milhares de mulheres sofrem em “silêncio”

Evento organizado pela Vichy, com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, confirmou que tema continua tabu.

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Foi abruptamente que Paula, de 52 anos, começou a sentir muito calor e rubor na face, irritação, nervosismo e ganho de peso. Sintomas que são comuns a muitas mulheres e associados a uma fase da vida que continua a ter conotação negativa: a menopausa. “Não há ainda muita cultura à volta deste tema e as doentes tendem a desvalorizar um pouco os sintomas, a ver como algo que acontece a todas as mulheres em determinada altura da vida”, refere Carlos Bello, endocrinologista, um dos convidados de um evento, organizado pela Vichy com o apoio da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, dirigido a farmacêuticos, que procurou desmistificar a menopausa e confirmar que há formas de melhorar a qualidade de vida das mulheres nesta fase. “Milhares sofrem em silêncio, por vezes durante anos e não há motivo para tal”.

Leonor Girão, dermatologista, concorda que “a menopausa continua a ser um assunto tabu e desvalorizado, inclusive pela comunidade médica, acabando por ser um ‘não assunto’, o que é dramático”. Mas, acrescenta a especialista que “estamos no século XXI, em que temos uma medicina muito virada para as doenças e para os seus sintomas. No entanto, quando se trata da menopausa, o fenómeno é descurado e os sintomas são vistos como fisiológicos. ‘É da idade, passa’, costuma ouvir-se”.

Mas não tem de ser assim. A menopausa é, refere Carlos Bello, “um evento fisiológico, que ocorre quando a mulher fica um ano ou mais sem período menstrual, havendo uma redução marcada dos níveis de estrogénio”. No entanto, os seus sintomas “tendem a surgir muitos anos antes. Estudos referem que muitas mulheres começam por experienciar sintomas vasomotores, alterações de humor, alterações nos níveis de energia, dores articulares e aumento de peso com agravamento gradual”. Aumento este que costuma ser o mais difícil e que, reforça o especialista, “resulta da diminuição de estrogénio e da manutenção relativamente estável dos androgénios, favorecendo o aumento da distribuição da gordura corporal (sobretudo nos membros inferiores) e da gordura visceral”. Mas há mais: é que a escassez de estrogénio tende a aumentar o apetite, “isto porque afeta diversas estruturas cerebrais, afetando o metabolismo basal e o comportamento alimentar, reduzindo inclusive a saciedade e aumentando a vontade de ingerir alimentos ricos em açúcar”.

Por isso, “durante a menopausa (e no decorrer da vida) é fundamental adotar hábitos de vida saudável: praticar exercício regularmente (aeróbico e de força), ter uma alimentação equilibrada (baixa em gorduras e açúcares, rica em cálcio…), exposição solar para ter níveis adequados de vitamina D, seguimento médico regular e prevenção”, acrescenta Carlos Bello.

E porque existe uma complexidade associada a esta fase da vida feminina, o especialista alerta que deveria existir “uma abordagem multidisciplinar com médico de família, farmacêutico, ginecologista, dermatologista, nutricionista e psicólogo. Os sintomas variam de intensidade e gravidade de acordo com cada mulher”.

No que diz respeito à pele, são também vários os sinais e sintomas típicos desta fase e associados ao envelhecimento, como “rugas e falta de firmeza: a densidade da pele obviamente não será a mesma, mas existem produtos e equipamentos que estimulam a densidade cutânea e o colagénio”, refere Leonor Girão. “Podemos ainda aplicar vários dermocosméticos com ingredientes que ajudam a rejuvenescer, acalmar o rubor e a combater a secura. Os ácidos glicólicos, hialurónico ou os retinóides, assim como os filtros solares ajudam a proteger e a renovar a derme.”

Neste encontro, dirigido a farmacêuticos – os profissionais que estão na linha da frente para identificar, informar e aconselhar as mulheres – falou-se ainda na secura vaginal, para a qual existe alívio, segundo a dermatologista, em forma de “laser vaginal, extremamente útil para o rejuvenescimento vaginal, tratamento da atrofia vaginal e incontinência de esforço. É uma técnica indolor e muito rápida, existindo soluções válidas e simples disponíveis”.

Mas os hábitos de vida são, de facto, um aspeto que importa não esquecer. “O estilo de vida é muito importante e manter uma vida ativa é essencial, sobretudo quando se trata de manter um peso saudável”, reforça Leonor Girão, que fala ainda sobre o aspeto psicológico: “é peremptório arranjar hobbies que nos deem prazer durante a menopausa. Se estivermos bem psicologicamente, tudo o resto é mais fácil”.

Houve ainda tempo para falar nos tratamentos hormonais de substituição, com Carlos Bello a referir que estes são, de facto, “uma solução, porém podem não ser indicados para todas as mulheres, nomeadamente para aquelas que sofrem de determinadas patologias, em particular cardíacas, diabetes ou hipertensão. Aliado ao tratamento hormonal, este deve ser acompanhado pela aplicação de estrogénio local ou tratamento com laser”. E na necessidade, reforçada por Leonor Girão, “de uma modificação dos tratamentos disponibilizados e da sua comparticipação”.

A investigação Vichy conta com mais de 30 anos sobre os impactos da menopausa na pele, baseada numa saúde positiva e preventiva que também passa pela pele, o que deu origem a 7 gerações da gama Neovadiol, desenvolvida especificamente para esta fase da vida da mulher.

É com esta sólida investigação e vontade da marca em capacitar o circuito de farmácia no aconselhamento na menopausa, que a Vichy tem apostado, ano após ano, em eventos de formação e de capacitacão da farmácia para que todas as mulheres tenham acessibilidade à informação e ao aconselhamento profissional em todas as fases da sua vida.

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