IFSB e a LIGAÇÃO Portugal – Luxemburgo

Segundo Bruno Renders, CEO do IFSB - Institut de Formation Setoriel du Bâtiment, a relação entre Portugal e o Luxemburgo é extremamente importante para o desenvolvimento do setor da construção de ambos os países e que tem tido um impacto muito positivo nesta indústria. Fique a saber mais sobre o papel da IFSB neste domínio.

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O IFSB foi criado em 2002, com o objetivo declarado de se posicionar como o centro de formação para a construção sustentável no Luxemburgo. Ao longo destes 20 anos de história, como analisa o crescimento do Instituto e a concretização da missão a que se propôs?

É importante dizer que em 2002 as duas federações tinham como objetivo a criação de um instituto de formação para assegurar a formação profissional contínua dos seus empregados.

Naturalmente, para ter uma qualidade superior, mas também para assegurar a continuidade de um processo de construção sustentável. Durante os últimos 20 anos, o setor da construção evoluiu muito, especialmente, em termos de técnicas de construção relacionadas com o desempenho energético e, por conseguinte, a importância da formação dos trabalhadores na aplicação prática, das diferentes técnicas.

Ao longo destes 20 anos, tentamos tornar esta aventura possível, a existência do nosso instituto prova que fomos bem-sucedidos em projetos, mas acima de tudo, vamos prosseguir outros projetos importantes para o nosso planeta, tais como a redução das emissões de carbono dos edifícios. Durante os últimos dez anos, o grupo CDEC, e nomeadamente o IFSB, têm feito questão de honrar a realização da sua avaliação do carbono.

Certo é, o Centro de Formação do IFSB recebe, anualmente, milhares de formandos, para que possam colocar em prática as aulas teóricas apoiadas pelos formadores. Seja na vertente teórica, seja na prática, quais diria que são os fatores que hoje destacam este ator na evolução e revitalização do setor e das suas técnicas?

Temos mais de 850 módulos de formação e temos formado 8.000 formandos por ano, sobre vários tópicos relacionados com a segurança pessoal e coletiva nos estaleiros de construção, técnicas de construção e construção sustentável, mas também a gestão de obra. Um dos fatores importantes para o sucesso de um curso de formação é o investimento em estruturas educativas, práticas e teóricas, de modo a colocar o formando numa situação real de trabalho.

O estagiário poderá seguir o curso em teoria e pôr esta aprendizagem em prática no nosso terreno de formação. Temos 6.000 metros quadrados de superfície utilizada para formação prática, visando ajudar os nossos formandos a obter a melhor formação.

Desenvolvemos parcerias com vários fabricantes para assegurar que temos sempre a mais recente tecnologia nos cursos de formação. Para alguns dos nossos cursos de formação, oferecemos aos nossos formandos um simulador de condução de máquinas. Este simulador dá aos nossos estagiários a oportunidade de se familiarizarem com os controlos de uma máquina antes de praticarem na realidade.

Uma verdadeira ferramenta pedagógica, este simulador ajudará os futuros estagiários a descobrir e testar alguns equipamentos como a escavadora de lagartas, de forma produtiva e segura antes do seu primeiro passo no terreno. Mais um passo para a construção 4.0. Investimento no nosso capital humano, a qualidade da comunicação interna é um fator importante para que um pedido de formação efetuado por uma empresa membro, possa ser tratado pelos nossos colaboradores e posto em prática com um resultado positivo no estaleiro, esperado pelos nossos membros.

A dinâmica fabricante/desenvolvedor, instituto de formação e empresa de construção é muitas vezes a chave para um trabalho exemplar e o sucesso de um projeto de formação ou de construção.

A digitalização do setor é uma realidade que permite explorar novos caminhos no que diz respeito a negócios, inovações tecnológicas ou processos educacionais inovadores. Assim, de que forma o IFSB apoia o setor nesta transformação tecnológica e digital?

A digitalização do setor da construção no Luxemburgo é uma das prioridades do nosso instituto, encontrar as soluções e os módulos de formação adaptados ao nosso público.

Usando objetos conectados no local de trabalho, usando um ‘tablet’, em vez de planos em papel, o projeto pode avançar mais rápido e reduzir o erro de construção.

A integração do BIM com o qual o ‘designer’ fará as alterações no modelo em 3D e os instaladores terão as modificações rapidamente para a execução do projeto. A utilização dos simuladores e da realidade virtual para chamar a atenção do estagiário para o risco devido a um comportamento pouco responsável em termos de segurança individual, coletiva e rodoviária.

No IFSB, além do simulador de condução de máquinas, dispomos de um capacete de realidade virtual que permite imergir-se numa obra virtual e experimentar situações «perigosas» a evitar, por exemplo. Dispor de ferramentas de formação complementares à formação teórica e aos exercícios práticos

A realidade virtual permite colocar em situação «reais» os nossos estagiários e tornar as nossas formações mais dinâmicas. O formador pode treinar várias pessoas, simultaneamente, tendo um impacto pedagógico maior do que um curso tradicional.

Contudo, a sociedade e, mais especificamente, o setor da construção estão a mudar e os desafios não são apenas técnicos e tecnológicos, mas também energéticos, ambientais e sociais. Qual tem vindo a ser o compromisso responsável e sustentável do IFSB com o setor?

Realizamos vários percursos de formação relacionados com desempenho energético dos edifícios e recentemente lançamos um novo percurso sobre economia circular e de baixo carbono para o setor de construção.

Estamos empenhados há 20 anos no desenvolvimento sustentável e isso passa também pela escolha dos materiais e sistemas utilizados internamente nos nossos edifícios:

A economia circular é primordial e tentamos reutilizar ao máximo os materiais. A construção classe AAA é um ‘standard’ de construção no Luxemburgo, o trabalho desenvolvido pelo nosso instituto é de grande responsabilidade para preparar os aplicadores e os gestionários de obra a uma execução correta imposta pela legislação.

Consumo responsável e uso de produtos ecológicos nos nossos edifícios. Instalação de fontes de recuperação de energia solar nas novas construções e antigas. Estamos prestes a inaugurar o nosso projeto FRESH – construção de uma estufa urbana no telhado do nosso restaurante corporativo que permite reduzir as emissões de CO2 do nosso edifício.

O alumínio utilizado para a construção da extensão é um alumínio reciclado. Este alumínio é certificado com um máximo de 2,3 kg de CO2/kg de alumínio. No projeto o IFSB, evitou a emissão de 12,6 toneladas de CO2 (em comparação com a média europeia de alumínio primário).

O setor da construção é um grande emissor de gases de efeito estufa, implementamos projetos-piloto, visando dinamizar o setor e poder partilhar a nossa experiência e o nosso saber-fazer. Há dez anos que realizamos o nosso balanço de carbono. Os nossos investimentos resilientes permitir-nos-ão reduzir em 20% as nossas emissões até 2023

Face às suas componentes distintas, sabemos que o IFSB desenvolve serviços para responder e antecipar as necessidades das empresas de construção no Luxemburgo. Acredita que, através da inovação, digitalização e sustentabilidade, o processo de resposta e previsão de futuras tendências é mais eficaz? De que forma?

Claro que sim, ao implementar o uso das máquinas há alguns anos para aliviar o esforço físico dos trabalhadores, aumentamos a qualidade e a produtividade do setor de construção.

Se um operário usar um ‘tablet’ no qual ele tem acesso a todas as informações atualizadas do projeto de construção, que ele poder preencher os relatórios da obra, verificar o planeamento, realizar vários cálculos e até mesmo encomendar os materiais necessários (Exemplo encomendar em direto o betão a central) o estaleiro poderá avançar mais rapidamente.

O uso de robôs para medição das superfícies construídas e envio para uma plataforma digital que fará a modificação ou criação da maqueta em 3D, análise de riscos e perigos por um robô, diminui os acidentes e lesões num estaleiro de obras. Integração dos exoesqueletos no setor da construção para diminuir o esforço físico dos operadores e evitar as doenças profissionais a longo prazo.

É do conhecimento geral também que, muitos são os portugueses que rumam até ao Luxemburgo à procura de emprego no setor da construção. Como observa a relação que hoje prevalece entre Portugal e o Luxemburgo neste contexto? Qual tem vindo a ser o papel do IFSB neste sentido?

O Luxemburgo é um país muito multicultural, nos nossos estaleiros de obra, encontramos várias nacionalidades que trabalham em conjunto.

A presença dos trabalhadores portugueses é uma mais-valia para o setor, dada a sua capacidade de integração e sentido do trabalho. Temos entre os nossos estagiários muitos portugueses que chegam a nós com um grande desejo de ter sucesso e aprender.

Criámos cursos traduzidos em língua portuguesa para lhes facilitar a aprendizagem, temos também entre os nossos colaboradores, formadores de origem portuguesa que utilizam a sua língua materna para explicar em pormenor, em caso de necessidade. O nosso papel é sem dúvida o de ajudar à integração dos portugueses através da formação profissional, mas também de todos os que decidem vir juntar-se ao setor da construção luxemburguesa.

Quão legítimo é afirmar que o futuro desta ligação entre Portugal e o Luxemburgo irá passar, também ela, pela inovação, digitalização e sustentabilidade? Em que medida estes domínios serão vantajosos em termos de oportunidades para ambos os países?

Temos vários projetos com países europeus, mas também em África, a visita da delegação do Luxemburgo a Portugal permitiu a troca de conhecimentos e experiências, e sobretudo a troca de coordenadas entre os diferentes participantes.

Pensamos que a relação entre os dois países será importante para o desenvolvimento do setor da construção, português e luxemburguês, temos o domínio de várias técnicas, mas a experiência portuguesa no domínio da construção e tecnologia será uma oportunidade de trabalho comum, para o desenvolvimento sustentável e a digitalização.

O mundo e, em particular, o setor da construção estão em constante mudança. Assim, tendo em conta os desafios que este facto acarreta, de que forma o IFSB irá a curto e médio prazo, de forma transparente e participativa com todos os seus stakeholders, acompanhar as tendências do mercado? Que novidades podemos esperar?

O IFSB e as estruturas do grupo CDEC permanecerão sempre na dinâmica de mudança e adaptação para acompanhar o setor, muitas vezes tentando antecipar, de modo a propor novas soluções para o setor.

Temos como pilares importantes a formação do pessoal do setor, a inovação, a robotização e a digitalização da construção no Luxemburgo. Construção sustentável, integrando o desempenho energético, a circularidade dos materiais, mas também um grande desafio que faz parte do presente e será sem dúvida a herança para os nossos filhos, a diminuição das emissões CO² do setor de construção.

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v.figueira@ifsb.lu