“Possuímos um compromisso firme com a Sustentabilidade”

A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Juliana Azevedo, Responsável Jurídica na Biocom Companhia de Bioenergia de Angola, que nos falou sobre a importância da sustentabilidade e como a marca tem vindo a perpetuar esse conceito na sua organização, e também sobre a publicação do seu livro, cujo tema versa sobre os acordos de leniência no Brasil.

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Analisando a sua experiência a trabalhar maioritariamente em empresas do Brasil e em Angola e, no caso da Biocom, com a produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis, entre outros, de que forma é que acredita que estas empresas têm vindo a pautar o seu caminho com base na transparência e excelência de resultados?

Pela minha experiência, diria que é fortalecendo a Governança Corporativa. Isso porque, em algumas situações, pode haver conflito de interesses entre a excelência de resultados (vista exclusivamente pelo viés da produtividade) e a transparência. Essas situações precisam, portanto, de estar bem endereçadas nas políticas e nos procedimentos internos de modo a assegurar que as decisões, nestes casos, sejam tomadas pelos órgãos competentes nas empresas, de forma qualificada. No caso específico da Biocom, há um forte trabalho institucional para a divulgação de seus compromissos com a excelência de resultados.

Fazendo uma alusão à sua experiência na Biocom, qual o lugar que a inovação tem tido na prosperidade da empresa no mercado angolano?

A Unidade Agroindustrial operada pela Biocom já é em si uma inovação, pois toda a Fábrica é 100% mecanizada e utiliza tecnologias de última geração. Para além disso, na Biocom há inovações na área agrícola tais como: o uso de piloto automático nos equipamentos, o monitoramento do canavial através de drones, viveiros de plantas e espécies de cana-de açúcar e laboratórios agrícolas de última geração.

As empresas pelas quais passou destacam-se pela competitividade e pelo foco nas pessoas e no cliente. Quão importantes têm sido, ambas as vertentes, no crescimento, desenvolvimento e reconhecimento das mesmas?

Ambas as vertentes têm sido essenciais. arriscaria dizer que esta é a “fórmula do sucesso” destas empresas. Costumamos dizer que as pessoas fazem parte do valor intangível das empresas e quando essas pessoas estão motivadas e desafiadas a apresentarem os melhores resultados de acordo com os propósitos do Cliente não há como não obter resultados positivos. E, ao final, se o Cliente recebe um produto que esteja de acordo com o que comprou e fique satisfeito com o mesmo, a imagem da empresa, outro valor intangível, é sempre beneficiada.

Além disso, é cada vez mais fulcral que as empresas promovam medidas que permitam reduzir emissões de carbono até 2030, sendo que, para alcançar esta meta, é fundamental promover medidas promotoras de um enorme compromisso com a sustentabilidade e o futuro do planeta. Em que medida é que a Biocom, sua atual empregadora, assume esse compromisso com a sustentabilidade?

A Biocom, independentemente da questão da emissão de gases atmosféricos, já possui um compromisso firme com a sustentabilidade, não só em Angola como na região onde desenvolve as suas atividades, que é a Província de Malanje. Como exemplo, gostaria de citar que a Biocom foi a primeira empresa da região a celebrar um convênio para a destinação de todos os pneus inutilizados de sua Unidade para servir de combustível para uma das maiores cimenteiras aqui do país, fomentando o uso do que é conhecido como “CDR” (Combustível Derivado de Resíduos).

Sabemos que as empresas devem atuar na prevenção e, quando necessário, na remediação ou mitigação de impactos ambientais. Para isso, de que forma a empresa pode gerir os riscos e monitorizar a forma como as suas atividades interferem na natureza?

Primeiramente cumprindo com toda a legislação e regulamentação existente em matéria ambiental, no âmbito nacional e no internacional. É notório que o mundo está focado na redução destes impactos e isso reflete nas regulamentações que são bastante rígidas. Em segundo lugar, a empresa precisa incentivar a “cultura” da prevenção nos seus ambientes. Esse é um processo desafiador e que requer atuação constante. Não basta dar apenas formação uma vez aos trabalhadores sobre consciência ambiental e depois nunca mais falar no tema.

Angola não é, de todo, alheio às preocupações com o ambiente e tem estado, hoje, a assumir também um papel de relevo no domínio das energias renováveis e da transição energética. Considera que Angola (e o mundo) parecem estar, finalmente, a alinhar-se na mesma direção, no que concerne a salvar o planeta? 2030 é, na sua opinião, uma meta perfeitamente capaz na missão de reduzir as emissões de carbono?

Com certeza. Angola tem leis e regulamentos bastante completos e alinhados ao contexto internacional em matéria ambiental e eu considero que essa regulamentação, associada ao trabalho de conscientização que mencionei mais acima, resulta em um alinhamento na mesma direção no que concerne salvar o planeta. No que se refere a 2030, acredito que é uma meta desafiadora, mas possível no que se refere a reduzir as emissões de carbono. Sabe-se que há um esforço mundial neste sentido.

Qual o significado de ESG para si?

Para mim o ESG nada mais é do que unir, com um só propósito, temas que já eram tratados no âmbito das empresas quais sejam: ambiente e sustentabilidade, social e governança. É um conceito interessante que faz com que esses três pilares sejam geridos com uniformidade de propósitos e pelos altos níveis de governança, o que, na minha opinião nada mais é que assegurar que a empresa cumpra com a sua função social, compensando a sociedade pelo impacto de suas atividades.

Recentemente publicou um livro cujo tema versa sobre os acordos de leniência no Brasil, especialmente no contexto da Operação Lava Jato, o que leva à necessidade de fortalecimento da governança nas empresas, baseada em regras rígidas de compliance. O que falta estabelecer, na sua perspetiva, para que as empresas realmente atuem na mudança por um mundo melhor, em cumprimento com a sua função social?

O livro que publiquei traz questões académicas práticas que surgiram aquando da execução dos primeiros acordos de leniência celebrados pelas empresas no Brasil, com base na Lei Anticorrupção (editada naquele país em 2013). O link do tema do livro com o objeto das demais questões que aqui estamos tratando é o fato de que, também no âmbito destes acordos, há mudanças significativas na governança das empresas. Assim, a minha resposta a esta pergunta é a de que o que é essencial é reforçar a governança e a transparência dentro das empresas, seja em relação a temas ambientais, de compliance, entre outros, para que as decisões sejam efetivamente tomadas nas estruturas competentes e de forma qualificada, assim como alinhada à cultura de determinada empresa.