Trabalho temporário recupera +7,5% no 3º trimestre face ao mesmo período de 2021 e +37% face a 2020

Verifica-se um crescimento nas colocações de trabalho temporário no 3º trimestre face aos mesmos meses de 2021, com mais 2.653 pessoas em julho (+8%); 1.981 pessoas em agosto (+6%) e 2.854 pessoas em setembro (+8%). Apesar do crescimento em comparação com o 3º trimestre de 2021 e 2020 (+36,8%), as colocações estão ainda -7,5% abaixo de 2019, no pré-pandemia.

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A APESPE-RH – Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego e de Recursos Humanos – e o ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa) divulgam os Barómetros do Trabalho Temporário relativos aos meses de julho, agosto e setembro de 2022, fazendo a comparação com o período homólogo do ano anterior.

As principais conclusões apresentadas neste barómetro são as seguintes:

  • No total, o aumento no número de colocações no 3º trimestre de 2022 face ao mesmo período do ano anterior foi de +7,5% (100.488 em 2021 vs 107.976 em 2022). Existe também no 3º trimestre uma melhoria de +36,8% relativamente às colocações do mesmo período em 2020 (78.905). Apesar do crescimento em relação aos últimos dois anos, os valores estão ainda -7,5% abaixo das colocações do 3º trimestre de 2019 (116.766).
  • O Índice do Trabalho Temporário (Índice TT), que tinha vindo a subir desde janeiro (após quebras constantes desde maio do ano passado), volta a descer ligeiramente e estabiliza no 3º trimestre de 2022, fixando-se em 1,08 em julho, 1,06 em agosto e 1,08 em setembro. Estes valores são inferiores ao índice registado nos meses homólogos do ano anterior (os índices de 2021 são mais elevados porque a comparação é feita com valores de colocação muito baixos em 2020, devido ao início do confinamento).
  • Relativamente à caracterização dos trabalhadores temporários, verifica-se uma diminuição da contratação de trabalhadores do género feminino em julho (44,1%) e agosto (43,3%), em relação a junho (46,1%). Por outro lado, o mês de setembro apresenta novamente um aumento da contratação de trabalhadores do género feminino (45,2%).
  • Ao nível da distribuição etária, entre 26% a 27% dos colocados têm idade média acima dos 40 anos, no 3º trimestre. Também é significativa (cerca de 20%) a percentagem de colocados com idades entre os 25 e os 29 anos.
  • O ensino básico mantém-se o nível de escolaridade predominante nas colocações efetuadas (64% no 3º trimestre do ano). Aumentam as colocações de ensino secundário (de 28% em julho para 29% em setembro), que ocupa o segundo lugar. Pessoas com licenciatura mantêm cerca de 6% das colocações.

  • As empresas de “Fabricação de componentes e acessórios para veículos automóveis” continuam em primeiro lugar no 3º trimestre de 2022 (10% a 12%). Já as empresas de “Atividades auxiliares dos transportes” assumem o segundo lugar nos setores de atividade do Trabalho Temporário, no mês de julho e agosto (ambos com 5,7%). Por outro lado, no mês de setembro são as empresas de “Fornecimento de refeições para eventos e outras atividades” que alcançam o segundo lugar (8%).

  • Na distribuição do trabalho temporário por principais profissões, o 3º trimestre de 2022 é liderado pelas “Outras profissões elementares”, mantendo o primeiro lugar entre 26% e 28%. Seguem-se os “Empregados de aprovisionamento, armazém, de serviços de apoio à produção e transportes” (cerca de 18%) e, em terceiro lugar, os “Trabalhadores qualificados do fabrico de instrumentos de precisão, joalheiros, artesãos e similares” (cerca de 10%). No entanto, no mês de setembro são os “Trabalhadores não qualificados da indústria transformadora” que ocupam o terceiro lugar nas principais profissões do Trabalho Temporário (9%).

Afonso Carvalho, presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego e Recursos Humanos (APESPE-RH), reforça que “o 3º trimestre deste ano apresenta uma evolução positiva no setor de Trabalho Temporário, relativamente aos últimos dois anos, ainda afetados pelas consequências da pandemia. Analisando a evolução de contratações em 2022, estas têm vindo a aumentar consideravelmente, o que é um sinal muito positivo, apesar de estabilizarem neste trimestre em relação aos anteriores”.

“A nível demográfico, reforçamos a importância da contratação de pessoas na faixa acima dos 50 anos, cerca de 9%, bem como de trabalhadores com menor nível de qualificações académicas, que têm assim oportunidade de aceder ao mercado de trabalho e melhorar as suas qualificações. Notamos também que, em setembro, devido à rentrée e regresso às atividades presenciais, sobem as contratações em serviços de catering e eventos”, acrescenta Afonso Carvalho.