A qualidade técnica e a inovação como os fatores de diferenciação da TPF Consultores

A extensa história da TPF Consultores, na área da Engenharia e Arquitetura é narrada por Carlos Baião, Presidente do Conselho de Administração, que aborda a aposta ininterrupta da empresa na inovação e no capital Humano, mas também, menciona «as tormentas» do presente e do futuro do setor Arquitetura Engenharia e Construção no país.

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Saímos do Porto, numa tarde fria e chuvosa de janeiro, o tempo típico a que todos os portuenses já estão habituados, em direção à capital portuguesa, Lisboa. Pelo caminho, o clima ia dando tréguas. O GPS, o melhor amigo de todos os condutores, levou-nos até à Avenida Almirante Gago Coutinho para conhecer o trajeto da TPF Consultores.

No interior dos novos escritórios da empresa, onde, atualmente, trabalham mais de 170 pessoas, somos recebidos por Carlos Baião, Presidente do Conselho de Administração. Já sentado, depois de ter bebido o seu café, estavam reunidas as condições para o gravador começar a gravar.

Os quase 43 anos de história da TPF Consultores, que presta serviços na área de Engenharia e Arquitetura, tanto no mercado nacional, como internacional, foi o mote do início da conversa com a Revista Pontos de Vista. Neste aspeto, o Administrador fez um balanço positivo, referindo que têm sido “anos em crescendo”, nomeando como «responsáveis» da ascensão, a aposta da empresa na “qualidade técnica dos colaboradores” e a “procura e implementação de processos inovadores”.

A ideia da organização de “se manter na crista da onda” e “tentar sempre ir mais longe foi uma atuação distintiva na nossa atividade, que nos fez angariar um respeito e uma credibilidade por parte dos nossos clientes, quer públicos, quer privados, que tem sido marcante e que queremos a cada ano consolidar, cada vez mais”, confessou Carlos Baião.

“A TPF hoje em dia é uma empresa completamente pluridisciplinar, em termos de Engenharia e Arquitetura. Cobrimos todos os setores de atividade, mas não foi sempre assim ao longo da história, pois também fomos crescendo e desenvolvendo áreas de negócio e incorporando novas valências técnicas. Mas, somos atualmente uma empresa completamente transversal na área da Engenharia e Arquitetura”, como continuou a contar o Presidente do Conselho de Administração.

Esmiuçando o trabalho que tem sido implementado no seio da empresa no campo da inovação e da tecnologia, o líder máximo da empresa referiu que em 2012 “ainda nesta senda de procurar alicerçar o pilar da inovação”, começaram a desenvolver um «embrião inovador», “aquilo a que hoje chamamos de CITIC – Centro de Inovação e Tecnologias de Informação e Comunicação”, um centro que, neste momento, é composto por sete pessoas, que são “consultores, arquitetos, engenheiros, desenhadores, programadores”, uma equipa “experiente e diversificada”, para permitir “criar a tal ideia fora da caixa e assim surgir uma ideia inovadora, cujo custo direto e indireto é completamente suportado pela TPF Consultores, visto que o Estado exige às empresas que apostem nas novas tecnologias nos seus projetos, mas depois não as apoia”.

O objetivo deste centro de inovação é o desenvolvimento de “ferramentas tecnológicas de apoio à digitalização para todas as áreas da empresa”, acrescentou o nosso entrevistado. O mesmo adiantou que a mais-valia do CITIC é a sua capacidade de formação e disseminação da metodologia BIM, “que agora passou a ser essencial na Engenharia”. Ainda sobre esta metodologia, Carlos Baião revelou que a empresa tem já “um grau de conhecimento elevado em BIM. “Hoje em dia, há serviços dentro da TPF Consultores que já só trabalham em BIM”.

Como dizia Steve Jobs, fundador da famosa marca tecnológica Apple “a inovação é a capacidade de ver a mudança como uma oportunidade e não uma ameaça”. Portanto, podemos afirmar que este pensamento resume na perfeição os benefícios desta vertente para uma empresa, seja de que setor for. Também foi isso que comprovou o nosso interlocutor quando afirmou que a capacidade de inovar, e em particular a implementação do BIM, possibilita à empresa “responder a concursos que exijam essa tecnologia”, bem como diminuir os erros e ainda obter maior rentabilidade. O Administrador disse mesmo que “é uma vantagem comercial a nossa empresa ter essa metodologia já assimilada e disponível”.

Este «ganho» também é transversal aos clientes que, na opinião do representante da Administração da TPF Consultores, “estão cada vez mais recetivos e mais exigentes na adoção deste tipo de tecnologia nos projetos”. O próprio evidenciou que, numa fase inicial, a exigência de contemplar esta tecnologia inovadora nos projetos era feita com “algum desconhecimento. Com efeito, tivemos clientes no início que diziam que queriam o projeto desenvolvido em BIM, mas que desconheciam em detalhe o que esta metodologia implicava. Atualmente, já deixou de ser só uma moda, passou a ser uma exigência consciente, uma vez que se passou a perceber a mais-valia da introdução da metodologia BIM na elaboração de projetos e na gestão de ativos”.

Falando do contexto nacional, Carlos Baião salientou que Portugal está “um pouco atrasado”, no que concerne à implementação da metodologia BIM nos projetos, todavia, ressalvou que, nos dias de hoje, “os cadernos de encargos das grandes obras públicas já incluem a exigência para que os projetos sejam elaborados em BIM”.

A inovação como uma aliada à especialização dos recursos humanos

“Só é possível ser-se inovador quando alguém se sente confortável e responsável no seio de uma organização. Sem estes dois «pilares» a pessoa não é capaz de sair da sua zona de conforto, de inovar e de arriscar a pensar fora da caixa”. Na continuação deste discurso a conversa foi direcionada para a capacitação do capital Humano.

“Somos Projeto, Somos Fiscalização, Somos Pessoas” é o novo lema da marca, num claro acreditar que o sucesso da mesma também é almejado com a colaboração e contribuição de todos os colaboradores. “Esta administração, da qual faço parte, colocou um enfoque muito grande nas pessoas. Pessoalmente, acredito que não vale a pena olhar para números, sem olhar para as pessoas. As pessoas é que geram os números. Portanto, se não tomarmos conta das pessoas, os números não surgem”, sublinhou assertivamente Carlos Baião.

Logo, “temos desenvolvido uma estratégia de capacitação do nosso corpo técnico que envolve múltiplos aspetos. Começámos por reorganizar e estabelecer, em definitivo, o conjunto de parâmetros que definem aquilo que são as carreiras profissionais, dentro da empresa”, começou por salientar o entrevistado, tendo referido igualmente que têm incentivado as ações de formação “com um caráter mais permanente e com maior frequência, envolvendo diversos níveis de formação”. Durante este ano de 2023, a empresa vai disponibilizar formações aos seus colaboradores “na área da liderança, trabalho em equipa e negociação”, confirmou o interlocutor.

Outra das medidas instauradas foi a “flexibilização dos horários de trabalho”, deixando assim o “relógio de ponto à antiga”. Associado a essa alteração, é permitido também que os colaboradores, em coordenação com a respetiva chefia, trabalhem em regime de teletrabalho num dia por semana.

A TPF Consultores «além-mar»

«Internacionalização» é também uma das palavras que incorpora a génese do grupo TPF Consultores, uma vez que assume uma representação vincada em diferentes mercados internacionais, sendo que, atualmente, os principais são Angola e Moçambique. Esta atuação acarreta desafios, como reconheceu Carlos Baião, sobretudo devido à diversidade cultural, à legislação e à fiscalidade, mas também ao perfil do cliente.

O objetivo presente desta entidade, neste preciso momento, é “focar-nos nos mercados que são mais rentáveis, estáveis e onde temos maior implementação e sustentação. Nos últimos três anos temos seguido uma política de sairmos, de forma organizada, de alguns mercados mais instáveis e onde, de facto, operar era complicado. Simultaneamente, procuramos continuamente geografias mais atrativas, a partir das delegações de Angola e Moçambique. Também temos dedicado particular atenção à Tanzânia, pois a mudança política permitiu que se tornasse num mercado mais ocidentalizado, mais credível e fiável, onde estamos a procurar crescer”, como nos confirmou o Administrador.

Para o próximo biénio, o propósito é semelhante. Passa por “consolidar os melhores mercados que temos no estrangeiro e, a partir desses, tentar encontrar nas proximidades geográficas oportunidades que consideremos credíveis, sobretudo as que detêm financiamento das multilaterais”, enfatizou o Presidente do Conselho de Administração.

Sustentabilidade como a «arma» de atração de capital Humano jovem

Questionámos o gestor da Administração da TPF Consultores sobre o comportamento da mesma no campo da sustentabilidade. Carlos Baião informou-nos que estão “a desenvolver políticas e indicadores da pegada carbónica, que vão passar a ser quase tão obrigatórios como os resultados financeiros que, mensalmente, se têm que apresentar”. Em termos práticos, comunicou-nos que, por exemplo, concorreram à fiscalização da obra do Plano de Drenagem de Lisboa e da obra do Metro do Porto com o “compromisso de usar apenas carros elétricos para as deslocações relacionadas com a gestão local da obra, algo que foi muito bem visto pelo cliente e diferenciador relativamente à concorrência”.

O interlocutor também avisou que a sustentabilidade é uma “questão fulcral para os próximos tempos”, até para facilitar o processo de recrutamento de jovens, visto que estes, no presente e no futuro, são e serão os precursores de uma mudança comportamental nesta matéria. Carlos Baião afirmou ainda que as empresas portuguesas do setor AEC estão a ter um bom comportamento, no que toca à adoção de práticas sustentáveis, começando por estarem atentas e a preocuparem-se com a reutilização, a reciclagem e a recuperação dos materiais que utilizam nas obras, no entanto, esclareceu que “há um caminho a percorrer, pois não estamos na «linha da frente»”.

«As tormentas» e as oportunidades do setor AEC em Portugal

Antes de perspetivamos o futuro da TPF Consultores, foi tempo de fazer balanços sobre os acontecimentos do passado que abalaram o setor AEC em Portugal. Carlos Baião, com tanto por dizer, tentou fazer-nos um resumo. Sustentou que o setor passou por uma crise profunda, a nível económico, no tempo da “conhecida Troika, que conduziu a uma imagem degradada do setor, associada a investimentos públicos e a PPP’s mal justificados, o que levou a uma competição feroz, quase suicida”, entre as empresas, suportada pelo atual código de contratação pública e pela forma como é utilizado pelas diferentes entidades. De facto, na globalidade, todas procuravam resistir, mesmo submetendo-se à política “do preço mais baixo”. Isto foi recentemente agravado com a pandemia de covid-19, porque “as empresas que operavam significativamente no exterior tiveram de retornar ao mercado nacional e, para sobreviverem, as que conseguiram, acabaram por entrar num ciclo de concursos com preços cada vez mais baixos, a que o Estado não soube responder”, acrescentou o entrevistado.

Esta «lista» de consequências fez com que a “Engenharia ficasse mal vista” e desse modo, “o número de candidatos a cursos de Engenharia diminuiu, drasticamente, bem como o de inscritos na Ordem de Engenheiros. Os técnicos mais qualificados, sobretudo os mais jovens com capacidade de inovação, emigraram. O Estado durante mais de uma década não renovou os seus quadros técnicos” e “as empresas ficaram descapitalizadas, sem condições de investirem em contratação, formação e inovação”, recordou o Presidente do Conselho da Administração.

O mesmo afirmou que Portugal perdeu uma década, porque, “durante essa crise, não havia pulmão financeiro para fazer as obras estratégicas que o país agora tanto fala, mas existia capacidade financeira para realizar os projetos e manter a indústria do setor de Engenharia e Arquitetura a trabalhar num nível mínimo”. Ainda apontou que esses anos teriam servido para “pensar, atempadamente, nos projetos, fazê-los, discutir as soluções e planear, para que agora, quando chegaram as verbas da Europa, ser apenas necessário lançar os respetivos concursos de construção”.

Tal não aconteceu “e estamos perante um PRR que prevê que até 2030 se faça um conjunto de investimentos completamente abismal. Neste período curtíssimo querem fazer-se os projetos e as obras. Eu estou muito descrente da nossa capacidade instalada, até porque a maior crise que passamos atualmente é claramente de escassez de recursos humanos”, visou ainda Carlos Baião.

Para o Administrador da TPF Consultores a solução para esse problema – escassez de recursos humanos – passa pelo Estado “desenvolver um conjunto de políticas de retorno dos técnicos qualificados portugueses, que estão no estrangeiro”, incluindo melhores vencimentos e incentivos fiscais para pessoas e empresas. E para isso seguir avante, é fundamental que o Estado tenha também “rigor máximo no estabelecimento dos preços bases dos concursos, quer de projeto, quer de construção, bem como nos critérios de adjudicação, devendo privilegiar a qualidade técnica das propostas, em detrimento do fator preço”.

“Quando o Estado define preços base para os concursos, que são irrealistas, muito baixos” não está a facilitar o trabalho das empresas. Ou seja, não permite que se gere margem para que se “aumentem vencimentos e investir na inovação, na formação e isto é um círculo vicioso”, portanto, o “Estado tem que subir o preço base dos concursos, não para as empresas enriquecerem, mas sim para que estas possam repercutir esse investimento nas pessoas e qualificar o país. Isto são os chamados investimentos reprodutivos”, transmitiu o nosso interlocutor.

“Outro aspeto preocupante no setor” recordado por Carlos Baião é a falta da cláusula de revisão de preços em muitos dos contratos em curso. Essa, foi retirada pelo Estado, depois de Portugal, durante largos anos, não ter registado períodos inflacionistas. “Agora veio esta inflação galopante, num curto período, e os contratos não têm revisão de preços e, portanto, as empresas estão a suportar os custos acrescidos de elaboração de projetos e fiscalização de obras, impostos pela inflação, nomeadamente ao nível da energia, dos transportes, do aluguer de casas, da mão de obra cada vez mais cara, sem haver uma fórmula de revisão de preços a que nos possamos agarrar.”

Na opinião do líder da TPF Consultores, a atração de recursos humanos também passará pela aposta na educação: “o Estado deveria incentivar os jovens, não só a nível superior, mas também através dos politécnicos e dos cursos técnico profissionais, a regressarem a este setor de atividade”.

Mediante os pontos acima referidos, Carlos Baião confessou que os próximos anos serão desafiantes para o setor e que “irá ser complicado colocar em prática tudo aquilo que está pensado, mas cá estaremos para dar o nosso melhor”.

O presente e o futuro da TPF Consultores

Antes de colocarmos um ponto final na conversa com o Presidente do Conselho de Administração da TPF Consultores, ainda houve tempo para conversar sobre o ano transato e perspetivar o ano de 2023.

Carlos Baião confidenciou que, de 2021 para 2022, a empresa cresceu “38% e houve um aumento da faturação consolidada de 23,1 milhões de euros para 31,9 milhões”. Além disso, e assumindo o seu otimismo natural, revelou que as estimativas futuras são de crescimento: “prevemos crescer este ano mais 4,4% de modo a atingir os 33,3 milhões de euros”, concluiu, «colocando um ponto final» à entrevista.

TPF Consultores – Trabalhos mais relevantes em curso no ano de 2023

Fiscalizações: Plano Geral de Drenagem de Lisboa, Nova Ligação Ferroviária de Évora à Linha do Leste, Modernização da Linha da Beira Alta, Troço Pampilhosa/Mangualde, Linha Rosa (Circular) do Metro do Porto – Troço Praça da Liberdade/Casa da Música e Hospital Central da Madeira.

Projetos: Quadruplicação da Linha de Cintura (Roma-Areeiro / Braço de Prata) e Modernização da Linha do Norte (Braço de Prata / Sacavém), Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato, Linha Amarela e Verde do Metro de Lisboa (Revisão de Projeto), Sistema de Drenagem da Cidade da Beira em Moçambique e vários Hospitais em Angola (militares e provinciais).

TPF Consultores – Trabalhos Históricos

Fiscalização do Pavilhão de Portugal na Expo98;

Projeto de Execução do Túnel do Marão e Fiscalização do Troço Amarante/Vila Real, da Autoestrada A4;

Fiscalização da Variante entre a Estação do Pinheiro e o km 94 da Linha do Sul: Atravessamento Ferroviário do Rio Sado;

Projeto de Execução da Autoestrada A10 (Bucelas/Carregado) – Nó de Interligação A10/A1 (Nó do Carregado);

Projeto de Execução do Sistema Adutor Primário e Sistema Secundário, Fiscalização da Obra do Sistema Primário e Gestão, Exploração e Manutenção do Sistema Primário do Aproveitamento Hidráulico Odeleite-Beliche.