“Produzimos alimentos de qualidade certificada”

Em conversa com a Revista Pontos de Vista, Lígia Pode Cruz Coelho, Presidente do Conselho de Administração da Ovargado, uma empresa do norte do país ligada ao setor da alimentação animal, destacou o trabalho que a mesma tem desenvolvido em prol do bem-estar animal. A contínua aposta na inovação e na sustentabilidade é considerada essencial pela CEO, para que os produtos desta organização sejam sempre considerados “a melhor solução”.

119

A Ovargado carateriza-se por ter uma vasta experiência na alimentação animal, assumindo como missão a produção e comercialização de alimentos com qualidade e a preços competitivos. Tendo em conta que têm mais de 30 anos de experiência neste ramo, como nos descreve a evolução da organização ao longo do tempo?

Efetivamente, têm sido anos de constante aprendizagem e evolução. Até porque, quando iniciámos o nosso percurso, produzíamos somente alimentos para animais de exploração (galinhas, frangos, porcos, coelhos, novilhos, vacas de leite…). À medida que fomos alargando as nossas gamas de alimentos para animais, fomos adquirindo experiência, e com essa experiência, a certeza de que temos que estar continuamente à procura de novos ingredientes, de novas tecnologias, do conhecimento científico produzido na área da nutrição animal. É um percurso que se constrói todos os dias.

De forma a contextualizar o nosso leitor, que tipo de produtos e marcas de rações e pet food disponibilizam na Ovargado? Nesse sentido, quais considera ser o contributo das vossas soluções para a qualidade de vida e o bem-estar dos animais?

Produzimos alimentos de qualidade certificada, e equilibrados nutricionalmente considerando sempre a sua finalidade, e a fase de vida dos animais. Não é à toa que o nosso slogan é “A certeza de uma alimentação saudável.” Trabalhamos para que os nossos produtos sejam sempre considerados a “melhor solução”. As nossas marcas principais são INTERNUTRI e AVIPAR, no entanto, produzimos e comercializamos outras marcas, bem como produzimos private label para clientes nacionais e internacionais.

De que modo a Ovargado tem vindo a crescer e a investir no campo da sustentabilidade?

Iniciámos em 2022 o processo de certificação em responsabilidade Social e ambiental. No início de 2023, obtivemos já a certificação em responsabilidade ambiental, e concluiremos o processo da responsabilidade social até ao final de março. Privilegiamos fornecedores também eles certificados, procuramos diminuir a pegada ecológica da nossa atividade em todas as etapas – abastecimento/ produção/ comercialização. Para além de produzirmos cerca de 35% da energia que consumimos em centrais fotovoltaicas próprias, os restantes 65% são obtidos a partir da chamada “energia verde”. Comprometemo-nos com a sustentabilidade porque acreditamos que é o único caminho.

O setor da alimentação animal cumpre vários requisitos legais, nacionais e internacionais. Face a esta realidade, como é que asseguram o controlo de qualidade dos produtos que produzem e comercializam e assim contribuem para a segurança e saúde dos animais?

Seguimos e cumprimos as orientações legais instituídas nacional e internacionalmente pelas várias entidades responsáveis pelo controlo e fiscalização do sector. É a única forma de assegurar a renovação, tanto das licenças de produção de alimentos compostos para animais emitidas pela DGAV, como das certificações em segurança alimentar que temos vigentes desde 2018 e que, até hoje tem sido sucessivamente renovadas. Temos definidos protocolos e planos de controlo de qualidade e sanidade, tanto para ingredientes como para os alimentos que produzimos. Controlamos esses mesmos ingredientes e alimentos produzidos no nosso laboratório interno e também recorremos a laboratórios certificados externos. É um processo dinâmico que está totalmente implementado na OVG desde 2004, altura em que implementámos o nosso plano HACCP.

Um dos aliados da manutenção da qualidade e do padrão de exigência dos produtos é a inovação. De que modo têm vindo apostar neste chavão e assim contribuir para a evolução tecnológica do setor?

O nosso departamento de I&D, em parceria com entidades como a UNAVE ou o instituto Politécnico de Viseu, bem como outras entidades privadas nacionais e internacionais, tem desenvolvido todos os anos produtos inovadores, um dos casos mais recentes é o das nossas formulações Internutri Tasty para cães com a adição de membrana de casca de ovo, um ingrediente novo com características anti-inflamatórias que ajuda a reduzir os efeitos das artrites e osteoartrites nos cães. Ao nível de equipamento e tecnologia de produção, em parceria com os fornecedores de equipamento e automação, temos estado a implementar tecnologias de produção e automação, no sentido de minimizar desperdícios e consumos energéticos ao longo dos processos produtivos.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística divulgados no final de 2022, ter um animal de estimação custa em média, quase 21% mais do que em 2021. Esta realidade, levou a uma quebra de vendas das pet food durante o ano transato, na Ovargado? Se sim, perante este cenário, que comportamentos procuram adotar em 2023 para colmatar a situação?

Estes aumentos deveram-se sobretudo aos efeitos que a guerra provocou nas cadeias de abastecimento, bem como à inflação, que se começou a sentir em 2021 em praticamente todas as áreas da nossa atividade. Em 2022 a redução de vendas de pet foods na OVG atingiu os 4%. Em 2023 contamos que comece a haver uma correção, ainda que ligeira, destes aumentos. No entanto, estamos completamente dependentes da evolução do mercado de matérias-primas, o que dificulta a definição de estratégias de longo prazo.

A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e mais recentemente as constantes greves nos portos marítimos foram e são grandes desafios para as empresas do setor da alimentação animal. Em termos práticos, como é que estes dois acontecimentos afetaram e afetam a Ovargado? Como é que, diariamente, lidam com as respetivas consequências, sem terem que prejudicar a contínua prestação de serviços à vossa carteira de clientes?

É um novo normal. Até finais de 2019, trabalhávamos sempre numa perspetiva de minimização de stocks. Durante o período COVID percebemos que tínhamos que abandonar essa estratégia, o que veio a ser confirmado desde que a guerra começou. Tivemos que adotar uma política de stocks de segurança e antecipar a colocação de encomendas de matérias. Mesmo assim, não tem sido fácil. É um desafio constante, tanto para nós como para os nossos fornecedores e clientes.

Devido ao período inflacionista que Portugal atravessa, o número de abandonos de animais de estimação será, infelizmente e inevitavelmente, maior, bem como o aumento dos pedidos de ajuda de muitas famílias para conseguirem alimentação para os seus animais. A Ovargado preza-se por aliar-se a causas solidárias. Portanto, em termos práticos, o que é que têm feito para serem uma voz ativa deste problema e assim acudirem os animais?

Faz parte da nossa política de responsabilidade social a doação de alimentos para associações de apoio a animais abandonados há já muitos anos. Tentamos dar resposta a todos os pedidos que nos chegam, nomeadamente aqueles que são mais críticos. Para além disso estamos neste momento a desenvolver um projeto solidário a nível nacional com a Animalife que penso que será lançado ainda durante o primeiro semestre de 2023 e que se traduzirá num aumento significativo do nosso apoio à causa dos animais abandonados.

Acabamos de entrar num novo ciclo. Sinal de renovação de objetivos. Como projeta o ano de 2023 para a Ovargado?

Trabalhamos todos os dias com o objetivo de evoluir, fazer melhor, e fazer crescer a OVG de forma séria e consistente. Neste contexto socio-económico-financeiro, nacional e internacional, sabemos que 2023 será um ano desafiante. Temos a confiança de que, cumprindo as premissas de rigor e qualidade com que habitualmente trabalhamos, 2023 será um ano de consolidação e crescimento para a OVG em todas as nossas áreas de atividade.