Satisfação dos colaboradores caiu em 2022 pela primeira vez em sete anos

7.ª edição do estudo de clima organizacional e desenvolvimento do capital humano “Índice da Excelência” revela que o nível de satisfação global dos colaboradores caiu em 2022, face a 2021, e pela primeira vez desde o lançamento do relatório.

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Os resultados da 7.ª edição do estudo revelam que o nível global de satisfação dos colaboradores caiu em 2022, e pela primeira vez nos últimos sete anos, quebrando com a trajetória ascendente desde o lançamento do estudo. O decréscimo deveu-se, sobretudo, à baixa classificação atribuída a variáveis relacionadas com o Clima Organizacional e Gestão de Pessoas. A quebra na satisfação global verificou-se em todos os setores de atividade e dimensões de organização participantes no estudo, com exceção das empresas de média dimensão, que registaram um ligeiro aumento no nível global de satisfação dos seus colaboradores.

Na sua 7.ª edição, o estudo desenvolvido pela Neves de Almeida HR Consulting em parceria com o ISCTE Executive Education analisou e destacou as boas práticas de gestão de pessoas, num panorama cada vez mais tecnológico, funcionando também como base de alerta ao tecido empresarial sobre as tendências e a importância do valor humano num mundo cada vez mais digital e moldado pelas novas formas de trabalho que exigem, em contexto incerto e de constante adaptação, preparação das pessoas e das organizações.

Os vencedores da sétima edição do “Índice da Excelência” foram anunciados esta quinta-feira, 2 de março, num evento no Hotel D. Pedro, em Lisboa, distinguindo as empresas que mais investem no fator humano e no desenvolvimento e satisfação dos seus colaboradores. A edição de 2022 manteve um grande foco relativo à experiência do colaborador, nas suas várias vertentes, incluindo as novas formas de trabalho, assim como nas medidas implementadas pelas organizações no âmbito da transformação digital, da sustentabilidade, diversidade e responsabilidade social, com o objetivo principal de aferir o impacto dessas medidas na satisfação dos colaboradores.

Analisando em detalhe o que levou a esta quebra no nível de satisfação global, Gonçalo de Salis Amaral, Partner da Neves de Almeida HR Consulting, afirma que “esta descida manifesta-se transversalmente em todos os domínios de análise – Dinâmica Organizacional, Práticas de Gestão, Clima e Gestão de Pessoas -, sendo mais expressiva na ordem dos -6 a -8 p.p. no Clima e Gestão de Pessoas, onde a penalização dada pelos colaboradores participantes nas temáticas relacionadas com a Compensação e Benefícios, assim como na Gestão de Talento (Avaliação de Desempenho, Carreiras e Desenvolvimento) foi ainda maior do que nos anos anteriores, dada a maior sensibilidade em contexto de elevada inflação”.

No que diz respeito aos setores de atividade, este decréscimo na satisfação global foi mais expressivo na Saúde e no setor Farmacêutico, após anos de pandemia especialmente exigentes para estas áreas de atividade.

Neste sentido, em termos de iniciativas organizacionais, os colaboradores reforçam como áreas de investimento prioritárias para este ano de 2023 a Compensação e Benefícios, seguidas da Formação e da Gestão de Carreiras, em linha com o que já se tinha revelado no ano passado. Adicionalmente, verifica-se uma subida no ranking das iniciativas a implementar a revisão dos modelos e processos de Avaliação de Desempenho, por forma a promover maior transparência e clareza nos critérios associados.

Gosto pelo trabalho essencial para reter talento

“O Gosto pelo Trabalho Desenvolvido, continua a ser a principal razão para que os colaboradores se mantenham nas suas organizações, sendo que se tem verificado uma movimentação nas seguintes posições desse ranking, muito associadas ao contexto. Assim, a Estabilidade do Emprego, mantém-se no top 5 destes fatores, com tendência a descer se a situação de quase pleno emprego se mantiver”, sublinha Gonçalo de Salis Amaral.

Por outro lado, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, a possibilidade de regime de trabalho flexível e a remuneração atrativa assumem maior relevância, competindo com os fatores de retenção mais tradicionais, tais como a Relação com os Colegas e com a Chefia Direta.

“Note-se que, quando segmentamos os fatores de retenção por faixa etária, as oportunidades de desenvolvimento e carreira, assumem maior relevância nos escalões mais jovens”, alerta ainda Gonçalo de Salis Amaral. À semelhança da edição anterior, os resultados de 2022 demonstram que a modalidade do trabalho híbrido continua a ser globalmente mais utilizada nas pequenas e médias organizações do que nas grandes organizações, sendo mais expressiva em setores de atividade como a Banca, Seguros e Serviços Financeiros, ou Tecnológicas, Media e Telecomunicações e nas Consultoras e Serviços Profissionais do que na Saúde, Farmacêuticas ou na Indústria, na Construção, Infraestruturas, Transportes e Logística.

Dos participantes que praticam trabalho híbrido, o nível de satisfação com o mesmo aumentou face a 2021, estando em média nos 90% de satisfação, havendo ainda algumas preocupações face ao impacto desta modalidade na visibilidade interna e progressão de carreira. A capacitação das chefias para gerir equipas híbridas mantém-se positiva, assim como sentimento face ao impacto deste regime de trabalho na produtividade, qualidade de vida e na performance do negócio.

Tecnologia e inovação como ferramentas-chave para desenvolver gestão de pessoas

Com a manutenção do contexto de incerteza, nomeadamente devido ao conflito na Europa e respetivos impactos económicos, sociais e geopolíticos, assim como a pressão inflacionista – que estará a abrandar mas ainda assim se mantém em níveis inéditos comparando com as últimas décadas -, e as pressões ambientais, é fundamental que as organizações sejam ágeis e resilientes, capitalizando as novas tecnologias para melhorar a sua capacidade de adaptação e antevisão da mudança, bem como reforçar a proximidade com os seus colaboradores e a comunidade envolvente.

“Assim, concluímos que continua a haver um caminho a seguir, nomeadamente, ao nível de uma melhor utilização do digital e da inovação, da colaboração inter e intra organizacional, como no desenvolvimento, capacitação e envolvimento e satisfação das pessoas”, acrescenta Gonçalo de Salis Amaral, frisando que “temas como o redesenho e digitalização de modelos de negócio e de processos, formação e desenvolvimento nas novas competências técnicas e comportamentais, ou ajustes aos mecanismos de gestão de pessoas (ex. Desempenho, Retenção, Carreiras, Comunicação e Proximidade/Colaboração), deverão continuar a ser foco da atenção das lideranças, no sentido da sua revisão e adequação”.

Contribuir para a satisfação, bem-estar e retenção dos colaboradores-chave, numa fase de alta competição pelo talento, é um desafio a que as organizações têm de ser capazes de responder. Adicionalmente, uma premiação no estudo ajuda ao reconhecimento público das organizações, o que tem impacto direto no recrutamento, nos resultados e na forma como são vistas pelos stakeholders. A utilização de inquéritos aos colaboradores tem como objetivo aferir a sua opinião sobre práticas na organização, as suas expetativas e a forma como estes percecionam o seu ambiente profissional. A metodologia de avaliação integra a análise da dimensão global e de dimensões complementares de relacionamento com os colaboradores, dinâmica organizacional, práticas de gestão, clima e gestão de pessoas.

O Índice da Excelência premeia organizações em categorias globais de dimensão, definidas por número de colaboradores, entre Grandes Empresas (mais de 251 colaboradores), Médias Empresas (entre 51 e 250) e Pequenas Empresas (entre 11 e 50). São, igualmente, premiadas organizações por macro setor de atividade: Banca, Seguros e Serviços Financeiros; Construção, Infraestruturas, Transportes e Logística; Consultoria e Serviços Profissionais; Hotelaria, Turismo, Desporto e Ensino; Indústria; Retalho e Comércio; Saúde e Farmacêutica; Setor Público; Tecnologia, Media e Telecomunicações.

O Índice da Excelência é o maior estudo de clima organizacional e de desenvolvimento do Capital Humano, gratuito, em Portugal, e tem-se revelado uma ferramenta de gestão relevante e robusta na compreensão da relação entre as organizações e os seus colaboradores. Em cada edição, premeia as organizações que apresentam os melhores resultados, destacando-se como organizações de excelência em Portugal.

Os vencedores da 7.ª edição do estudo Índice da Excelência:

Grandes Empresas (mais de 251 colaboradores)

  • 1.º Lugar Grandes Empresas: Boost iT
  • 2.º Lugar Grandes Empresas: Servdebt, Capital Asset Management
  • 3.º Lugar Grandes Empresas: Zurich Insurance PLC
  • 4.º Lugar Grandes Empresas: KCS iT
  • 5.º Lugar Grandes Empresas: Agap2IT
  • 6.º Lugar Grandes Empresas: OCP Portugal, SA
  • 7.º Lugar Grandes Empresas: Esporão S.A.
  • 8.º Lugar Grandes Empresas: Brisa Autoestradas de Portugal
  • 9.º Lugar Grandes Empresas: Moneris
  • 10.º Lugar Grandes Empresas: Vila Galé Hotéis

Médias Empresas (entre 51 e 250 colaboradores)

  • 1.º Lugar Médias Empresas: CA Seguros – Companhia de Seguros de Ramos Reais, SA
  • 2.º Lugar Médias Empresas: Samsys – Consultoria e Soluções Informáticas, Lda.
  • 3.º Lugar Médias Empresas: Doutor Finanças
  • 4.º Lugar Médias Empresas: Bresimar Automação S.A.
  • 5.º Lugar Médias Empresas: Aegon Santander
  • 6.º Lugar Grandes Empresas: Infraspeak
  • 7.º Lugar Grandes Empresas: Premium Minds
  • 8.º Lugar Grandes Empresas: Quilaban – Química Laboratorial Analítica S.A.
  • 9.º Lugar Grandes Empresas: Decode
  • 10.º Lugar Grandes Empresas: Cachapuz

Pequenas Empresas (entre 11 e 50 colaboradores)

  • 1.º Lugar Pequenas Empresas: Lopes Barata e Associados
  • 2.º Lugar Pequenas Empresas: AMCO INTERMEDIÁRIOS DE CRÉDITO
  • 3.º Lugar Pequenas Empresas: B-Training Consulting
  • 4.º Lugar Pequenas Empresas: Smart Technologies
  • 5.º Lugar Pequenas Empresas: ABA
  • 6.º Lugar Pequenas Empresas: InovaPrime – Serviços em Tecnologias de Informação
  • 7.º Lugar Pequenas Empresas: Estoril Sol Digital
  • 8.º Lugar Pequenas Empresas: Untile
  • 9.º Lugar Pequenas Empresas: Sysnovare Innovative Solutions
  • 10.º Lugar Pequenas Empresas: Zühlke

Vencedores por Setor

  • BSSF – Banca, Seguros e Serviços Financeiros: AMCO INTERMEDIÁRIOS DE CRÉDITO
  • CSP – Consultoria e Serviços Profissionais: Lopes Barata e Associados
  • HT – Hotelaria, Turismo, Desporto e Ensino: B-Training, Consulting
  • CITL – Construção, Infra-Estruturas, Transportes e Logística: ONE SHIPPING
  • TMT – Tecnologia, Media e Telecomunicações: Smart Technologies
  • I – Indústria: Bresimar Automação, SA
  • SP – Setor Público: Lipor
  • SF – Saúde e Farmacêuticas: Quilaban – Química Laboratorial Analítica S.A.
  • RC – Retalho e Comércio – Esporão S.A.

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