“É fundamental continuar a trabalhar para uma evolução de Mentalidades”

Licenciada em Direito pela Universidade Católica Portuguesa e mestranda de Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Rita Vilarinho é, hoje, um exemplo de uma Mulher no mundo da Advocacia, cujos valores se prendem pela competência, rigor e profissionalismo. Conheça o seu ponto de vista no que concerne à igualdade de género neste universo.

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A igualdade de género, além de ser um direito humano fundamental, é essencial para alcançar sociedades pacíficas e com pleno potencial humano. Na qualidade de Advogada e fundadora do Escritório Vilarinho Advogados, qual é o papel que a mulher assume, atualmente, na advocacia?
A Advocacia, tal como muitas outras áreas, esteve restrita às mulheres durante longos anos. Só em 1918 é que nós, mulheres, vimos assegurado o direito de acesso a esta profissão.
Desde essa data, a evolução foi de tal ordem que em 2021, dos 33937 inscritos na Ordem dos Advogados, 15135 eram homens e 18802 eram mulheres.
Ora, a presença da mulher, hoje, na advocacia é irrefutável. No entanto, ainda que em número superior ao masculino, não traduz uma garantia de igualdade entre géneros.

O que é que considera ser necessário mudar?
Efetivamente, a equidade entre géneros não se cinge ao acesso ou ao próprio exercício da profissão. Essa garantia passa, também, pela paridade no desempenho de lugares de topo, de gestão e de liderança nas sociedades de advogados – o que, infelizmente, hoje ainda não acontece.
No fundo, o que está na base desta questão é a mentalidade da sociedade em que vivemos, que está estruturada sobre diferenças demarcadas no passado e que ainda hoje dão origem a situações de injustiça.
Esta desigualdade sente-se, também, aquando da escolha, por parte do cliente, do advogado a quem entrega a responsabilidade do seu problema/processo – vislumbrando-se, claramente, uma predominância masculina nessa escolha.
No entanto, para o sucesso do advogado nada interfere ser homem ou mulher. Esse sucesso prende-se com a capacidade técnica, com a capacidade de trabalho, com as suas soft skills e sensibilidade para a própria gestão dos processos.
A competência, o rigor e o profissionalismo devem ser reconhecidos independentemente do género. E nesse sentido, é fundamental continuar a trabalhar para uma evolução de mentalidades.

Quais são as suas perspetivas para o futuro das mulheres na advocacia?
O caminho a percorrer para que as mulheres possam assumir, em plena igualdade de oportunidades, responsabilidades acrescidas a nível profissional é longo, e há que avançar, com total foco, dia após dia, nesse mesmo sentido.
Assim, espero que possamos assistir a uma presença da mulher na justiça, desprovida de preconceitos e estereótipos, com um lugar próprio igual ao do homem. De igual modo, espero que vejamos um maior apoio a todos os advogados nas oportunidades de crescimento profissional, na ajuda na doença e na criação de estruturas de apoio à constituição de família.

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Revista Pontos de Vista Edição 117

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