“Hoje a ARVM é um sonho tornado realidade”

A Auto Reparadora de Vale de Milhaços surge de um sonho antigo. Dos desafios que deram lugar a (quase) «cinzas», este sonho permaneceu e deu origem a uma marca reconhecida no mercado. A Revista Pontos de Vista conversou com Inês Alves, Gestora de Recursos Humanos, que nos contou a história, os medos e, sobretudo, as ambições para o futuro do projeto.

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A Auto Reparadora de Vale de Milhaços é uma empresa privada constituída no início de 1984. Como nos pode descrever a evolução da marca ao longo destes 39 anos de história?
A Auto Reparadora de Vale Milhaços (doravante designada por ARVM) é fruto de um sonho do meu pai. Em 1980, ele era considerado um dos melhores mecânicos da zona e foi inclusive convidado para ser mecânico na fórmula1, mas como queria uma família, negou. Sempre teve muito trabalho e em 1984 decidiu avançar por conta própria.
Ele sempre sonhou em ter uma oficina com “X” metros quadrados, com “N” funcionários, e com a ajuda da minha mãe a apoia-lo na contabilidade conseguiu criar uma oficina e realizar esse sonho.
Foram anos de grande sofrimento, já que os meus pais se privaram de muito em função de um sonho. Como a minha mãe diz, eles fizeram “vida de emigrantes” em Portugal. Eram um casal jovem com duas filhas e um sonho, ambição, vontade e muito crer. E estes foram sem dúvida valores que os meus pais nos passaram. Ao longo dos anos a ARVM foi crescendo e além de ter capacidade de resposta na área de mecânica, foi criada uma nova seção: a de colisão e foi assim, aumentando a sua carteira de clientes, quer pela oferta de resposta, quer pela confiança que oferecia aos seus clientes e parceiros, já que houve pessoas que ajudaram os meus pais permitindo o acesso a novos clientes. Foi ao fim de mais de 30 anos de negócio que os meus pais tiveram de tomar uma decisão difícil… A composição das tintas ia mudar, iam passar a ser de base aquosa e essa mudança implicava uma de duas coisas: ou fechar a secção de colisão e despedir três técnicos ou mudar de instalações… Esta mudança tirou o sono e a paz do que se conhecia… Com franca dificuldade em despedir três funcionários que eram sentidos como “família”, mudaram de instalações e abraçaram um desafio monstro! A minha mãe entendeu que era importante fazer esta mudança mas seria importante fazê-la associando-se a uma marca… E é aí que aparece a Bosch na história da ARVM.
Este tornou-se um barco cada vez maior para navegar, com imensas responsabilidades associadas… E em 2011 surge a oportunidade de eu fazer parte deste desafio. Em rigor sempre que pude e sempre que era necessário, eu apoiava os meus pais no que fosse preciso e nesse ano tornei-me parte da equipa. Não contávamos com a crise que se fez sentir mais tarde com a Troika. Pelo que a minha entrada na firma se tornou uma entrada conturbada, pois tudo o que podia correr mal, correu. O trabalho começou a fraquejar, até ao ponto em que mal tínhamos serviços para realizar… Fizemos contas para fechar e percebemos que tínhamos muito dinheiro fora “nas mãos dos clientes”, que levavam o carro e depois pagavam e esse depois deixava-nos reféns da disponibilidade financeira dos clientes, que ou pagavam as reparações, ou pagavam a casa, ou alimentos, ou outras coisas… Este passado infelizmente não é assim tão distante.
Nesse momento, decidimos mudar o rumo da ARVM… Foi com fraco agendamento, pouca procura, com muito dinheiro fora, que decidi propor sermos certificados pela Norma da Qualidade porque acreditei que com essa bandeira, seria possível ir angariar novos clientes. Avançamos e somos desde 2011 certificados pela Norma da Qualidade, isso deu-nos confiança para ir procurar gestoras de frota. E embora muito me dissessem, que seria impossível trabalhar com uma Leaseplan, certo é que em 2012 assinamos acordo e começamos a trabalhar com a Leaseplan, daí seguiu-se a ARVAL, a AldAutomotive e mais de 11 Companhias de Seguros que não nossos clientes, são sim nossos parceiros.
Temos ao longo de 39 anos de existência tentado melhorar os nossos serviços, acrescentando sempre mais e melhores respostas no setor automóvel. Estamos sempre muito atentos às mudanças que vamos sentido e estamos muito focado em preparar para não falhar!

Tendo como base uma cultura geracional, com «pedras» e, acima de tudo, com oportunidades no caminho, quem é hoje a Auto Reparadora de Vale Milhaços e que mais-valias a mesma aporta ao mercado da reparação automóvel?
Hoje a ARVM é um sonho tornado realidade!
Começou como um sonho para o meu pai, mas que sem a minha mãe não teria sido tornado real, que na crise esteve quase a cair por terra e que naquela altura eu disse: “no que depender de mim este sonho não fecha portas”, e que hoje é considerada a Bosch de Almada!
Acredito que a ARVM é hoje uma oficina que serve de exemplo para muitas outras, já que há serviços que nós iniciamos e vemos mais tarde replicados noutras oficinas, o que muito nos orgulha, pois, isso prova que estamos no caminho certo. Esta nossa procura por parceiros e não clientes, faz toda a diferença.
O investimento que fazemos ano após ano nas certificações tem apenas um propósito: continuarmo-nos focados na procura de uma melhoria continua e a oferecer aos nossos clientes e parceiros o fator «UAU» a cada visita. Procuramos criar uma relação forte de confiança entre a oficina e o cliente desmistificando assim a ideia que o publico em geral tem das oficinas.
Hoje a ARVM pretende excluir-se dessa caricatura. Somos uma oficina de reparação automóvel que procura ser um exemplo de transparência, sendo certo que quando alguma coisa corre mal, nós estamos prontos para assumir e acima de tornar uma reclamação numa fidelização.

Atualmente, no seio desta empresa, estão duas mulheres, de duas gerações, a criar marca no mundo da reparação automóvel. Que importância é que este facto traz, não só para a corporação, como para um mercado que é, na sua grande maioria, constituído pelo género masculino?
Este é sem dúvida, e desde sempre, um mundo tipicamente masculino. Na sua maioria os técnicos de reparação automóvel são homens. São bons técnicos e por isso iniciam um negócio. No entanto continuam como técnicos e poucos tem oportunidade de tempo para gerir o negócio, de “pensar o negócio”. Acredito que as mulheres são mais cautelosas e o medo de falhar faz com que criem tempo para tentar criar as melhores estratégias. Além disso, as mulheres aportam consigo a sensibilidade de entender certos problemas, assim como, contornar ou resolvê-los.
Nós temos pensado muito o negócio e fazemos por estar atentas às mudanças. Uma delas, se repararmos com alguma atenção, percebemos que já não são só os homens que levam o carro à oficina. Hoje já são muitas as mulheres que vão com o carro à oficina e isso fez pensar que temos a obrigação de fazer com que os nossos clientes se sintam bem recebidos quando vão à oficina. E nesse sentido tornámos o espaço e o acolhimento mais leve e confortável para que a receção seja inclusiva. No fundo somos duas mulheres atentas a estes pormenores que são muitas vezes os “por maiores”.
O mesmo acontece com a equipa, quando procuramos que todos se sintam bem na empresa, se sintam parte de uma cultura empresarial que é só nossa. Para que isso aconteça mostramo-nos sempre disponíveis para ouvir e ajudar os nossos colegas sempre que precisam.

 O dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, surge exatamente para marcar as conquistas das mulheres pelos seus direitos, não deixando para trás a batalha que tem de continuar a ser prestada. O que mais a preocupa no mundo, neste sentido?
Eu trabalho num mundo tipicamente masculino, mas procurei criar o meu espaço, a minha marca e mostrar o que faço e porque é que faço, rompendo assim com alguns preconceitos. Afinal de contas eu sou uma mulher num mundo masculino e a minha formação à primeira vista não acrescenta valor no mundo automóvel, sou filha dos donos e por isso encontrei “um tacho”… Estas ideias foram inclusive pronunciadas em voz alta, e por isso eu ouvi e sofri com estas afirmações. No entanto, como disse procurei criar a minha marca e mostrar que a minha contratação foi uma mais valia e acho que consegui.
Porém, sou mãe também de uma menina…e preocupa-me que ela sinta que o mundo não é justo por algo que ela não controla que é o seu género. Não entendo porque é que nos dias de hoje, algumas mulheres continuam a ter salários inferiores aos homens para o mesmo cargo. Não entendo porque é que das entrevistas de emprego fazem parte perguntas pessoais e algo constrangedoras, como: pretende ser mãe? É mãe? O seu filho/a é saudável ou falta muito por assistência à família? E isso preocupa-me e revela ainda desigualdades que considero que há muito já deviam estar mais esbatidas.
Preocupa-me que falemos do quão importante é eliminar as desigualdades de género, mas pouco se faça em relação a isso. E acredito que se cada um de nós fizer a sua parte no “seu quintal” a cada dia que passa as desigualdades dissipam-se. Seria importante para todos nós que entendêssemos que cada individuo tem o seu valor, o seu contributo e que o género não deve nunca ser “o obstáculo” para o que for. Afinal basta pensar: e se fosse comigo, ou com a minha filha era justo? Acho que todos sabemos a resposta!

De que forma a Auto Reparadora de Vale de Milhaços continuará a ser uma referência no setor onde atua no presente e no futuro?
A ARVM tem neste momento no seu ADN a procura pela melhoria continua. Temos a intenção de continuar a marcar a diferença no mundo automóvel e com base nessas diferenças ser uma referência no setor.
Pretendemos ouvir o nosso cliente, o nosso parceiro e ir ao encontro das suas melhores expectativas seguindo todas as sugestões que têm para nos dar, mesmo aquelas que à primeira vista seriam consideradas “tolas”, “impossíveis” ou até mesmo “sem sentido”. Afinal de contas há serviços que hoje promovemos que surgiram de ideias assim, seja o TimeforYou, o serviço de inspeção, a reparação de baterias elétricas, o serviço de viaturas de cortesia, ou até mesmo a celebração junto dos nossos clientes, do dia de São Valentim, da Páscoa, do dia da Criança, Dia do Pai ou da Mãe e claro… Do dia da Mulher.
Vamos continuar a pensar “fora da caixa” e acima de tudo a pensar no que é que a mim enquanto cliente me iria surpreender. Qual seria o meu fator «UAU»!