“Orgulho-me do caminho que já percorri”

De um emprego estável e um ordenado fixo, Marta Horta passou a traçar o seu próprio caminho no mundo do empreendedorismo. Sete anos depois da marca Marta Horta Design, o “brilho nos olhos dos clientes” é o que a motiva a continuar nesta jornada que, embora desafiante, contempla o orgulho e a determinação que definem a sua história.

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A Marta Horta tem uma experiência de 20 anos em Design Gráfico, sendo que durante 13 anos trabalhou em agências e os restantes sete por conta própria, através da marca Marta Horta Design. O que a levou a fundar um projeto seu? Que ideias precisava de implementar?
A minha família. A segunda gravidez foi de gémeos, de repente, vi-me com três filhos e uma logística diária muito exigente, moro na margem sul e trabalhava em Linda-a-Velha. Trabalhar em agência tem tanto de bom como de mau, profissionalmente deu-me muita experiência e pessoalmente amigos que mantenho até hoje, mas cheguei a um ponto de estagnação e por muito que tentasse não iria evoluir mais. Preciso de me sentir desafiada, motivada e acreditar no que estou a entregar, estamos a falar de uma área em que temos de ser constantemente criativos e isso já não estava a acontecer, entrei em modo automático e isso comigo não funciona. Acabei por sair da minha zona de conforto, de um emprego estável e ordenado fixo para a minha secretária no escritório de casa e um portátil antigo que deu para os primeiros passos. Naturalmente as coisas começaram a acontecer e hoje, quando olho para trás, orgulho-me do caminho que já percorri e ao fazer esta revisão percebo que dei este passo também por mim, não estava feliz com o que fazia, chegava frustrada a casa, não tinha tempo para acompanhar o crescimento dos meus filhos e nunca via o reconhecimento do meu trabalho. Ter o meu projeto, fez-me perceber que tenho valor, vibro quando vou apresentar uma proposta e o resultado é o brilho nos olhos dos meus clientes e isto faltava-me em contexto de agência, precisava disto, sentir que consigo fazer a diferença nas pessoas e nos seus negócios. Acho que foi a principal ideia que implementei, fazer com um propósito e a paixão tem de ser um ingrediente fundamental.

O empreendedorismo pode ser, muitas vezes, um caminho difícil de desbravar – e ainda mais quando é uma mulher a percorrê-lo. Como tem vindo a ser estes sete anos de empreendedorismo feminino e que conselhos daria a quem está agora a começar?
É um caminho desafiante, com muita aprendizagem pelo meio, quando comecei quase não se falava em empreendedorismo, eu queria ser freelancer e ter a minha carteira de clientes e isso bastava. Mudou quando comecei a ver isto mais como um negócio, conheci empresários com mais experiência em ambientes de networking, permiti-me sair daquele pensamento de autoemprego para algo mais ambicioso. Foi e continua a ser desafiante, não é tudo bonito e muitas vezes as escolhas não são as mais corretas e quando é assim, aprendemos e seguimos em frente, o importante é acreditar que isto também é para nós. Não senti que por ser mulher tivesse menos oportunidades, mas apercebi-me que, por causa do rótulo freelancer e de estar numa área criativa nem sempre me era atribuída a credibilidade que merecia. Em sete anos já aprendi, já perdi e já ganhei muito e chorei também, mas nunca deixei de acreditar no meu potencial para vencer e é isso que digo a mim própria todos os dias. É encarar que a cada novo dia pode surgir uma nova oportunidade e não desistir.

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