“Para mim, todos os dias são bons para promover ações que visem a valorização e o empoderamento Feminino”

Um dos maiores privilégios da vida é conhecer Pessoas que emanam boa disposição, personalidade e caráter. Desta forma, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Rita Catita, CEO da Rita Catita Consultoria e Intermediação de Crédito, marca edificada há dois anos, onde ficamos a conhecer uma Profissional de excelência e uma Líder que acredita que a liderança positiva pode fazer a diferença na vida das pessoas, “inspirando-as a serem melhores e a acreditarem nas suas próprias capacidades, contribuindo para um ambiente de trabalho onde se sentem valorizadas e respeitadas”, afirma. Conheça a nossa interlocutora e venham connosco nesta «viagem» sobre os «segredos» do sucesso de Rita Catita.

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A Rita Catita conta um vasto percurso profissional até então. Contudo, antes de irmos a essa vertente, gostaríamos de a conhecer melhor a nível pessoal. O que nos pode contar?

Achamos sempre desconfortável falar de nós, mas todos os dias o fazemos – às vezes só connosco próprios – a cada decisão, opinião ou “ponto de vista” e por isso conto, a Rita que sou, na premissa dessas ações.

Decidi ser a filha de uns pais determinados a viver em plenitude na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias das suas vidas, e a ser a irmã mais nova do Pedro, o único super-herói em que alguma vez acreditei. Conheci a dor da perda demasiado cedo (é sempre cedo), mas mantenho viva a proteção e o conforto da ”nossa” família. Do meu pai e irmão, nas recordações imortais dos seus conselhos (onde quer que estejam, estão comigo) e da minha mãe, nas divergências geracionais que culminam, ainda hoje, no melhor colo e abraço do mundo.

Sou abençoada, e muito grata, pela família que tenho, pela família de amigos que escolhi e continuo a escolher e pela família que o homem da minha vida complementou.

A maior batalha que travei foi a da maternidade, que teimou chegar ao seu tempo e não ao meu, ao nosso, mas valeu cada um dos quase 3000 dias de luta. Quem conhece essa “demora” e o que ela implica física e mentalmente, sabe que a conquista quando acontece é indescritível. E continua a ser, indescritível e inexplicável. Todos os dias amo mais do que no dia anterior, os meus dois filhos de 8 e 5 anos.

Informal, mas rigorosa. Resistente à mudança, mas determinada, persistente e muito decidida. Continuo a querer mais do que às vezes posso, mas se querer é poder, porque não? Extrovertida, mas focada. Com a sorte de continuar a aprender todos os dias, a mesma sorte que me protege a audácia. Digo o que penso, mas raramente sem pensar. Defeitos, claro, na maioria feitio. Erros, os que preciso para manter o nível de exigência onde tem de estar. Adepta de um ou outro impropério, que sempre resolvem o desabafo imediato, seja a dor do mindinho quando embate ou a antipatia de alguém. Leal, responsável e sim, as vezes difícil.

Já a nível profissional, a Rita Catita dedicou grande parte do seu percurso à banca, consultoria e intermediação de crédito. O que mais a apaixona nestas áreas?

Faço o que gosto e esse privilégio facilita naturalmente a paixão por esta área, infelizmente ainda tão cinzenta, burocrática e inacessível.

Os quase 20 anos passados na banca, entre 1998 e 2016, proporcionaram-me a especialização fundamental para saber adaptar-me a situações influenciadas por todo o tipo de desafios económicos e financeiros, com impacto direto na concessão de crédito. Os clientes estavam lá e as suas necessidades também, tal como hoje. Vivi na banca a crise do subprime, os então máximos históricos da Euribor e a entrada desta taxa de referência em terreno negativo, bons exemplos de grande desafio não só na relação comercial com os clientes, como na atuação com os pares e equipas e até com a concorrência. A consultoria é uma área em que os profissionais especializados sugerem orientações e soluções personalizadas para os desafios específicos que cada cliente enfrenta e com o propósito de ajudar as famílias, empresas ou organizações a alcançar os seus objetivos. O desafio diferenciado de cada projeto é, só por si, aliciante.

A intermediação de crédito, envolve-nos na atuação entre as instituições de crédito / financeiras e as pessoas que precisam ou já têm um financiamento. Poder ajudar a encontrar as melhores opções de financiamento disponíveis, comparar ofertas e contribuir para a escolha da opção que melhor atenda às necessidades de cada caso, trabalhar com uma grande variedade de clientes, sectores e parceiros, torna o nosso trabalho interessante, desafiador e sim, apaixonante.

A paixão pela área traduziu-se, então, na empresa que fundou há dois anos: a Rita Catita Consultoria e Intermediação de Crédito. Era um sonho ter uma empresa sua? Por que motivos?

Nunca tive a ambição de ter a minha empresa para ser a minha própria chefe ou ter mais controle sobre a minha carreira. O sonho de ter uma empresa minha resulta da possibilidade de explorar uma paixão profissional específica e a chegar aos outros “à minha maneira” sem a pressão de uma série de objetivos, macro, mas sim em prol de um objetivo maior, o de cada cliente. Personalização.

Não sonhei a minha empresa numa determinada altura, ou por algum motivo em concreto, imprimi sempre alguma independência e diferenciação na minha vida profissional, mesmo a trabalhar por conta de outrem.

Esse “fazer diferente” aproximou-me do sonho e foram as decisões e a evolução da vida pessoal que ditaram o momento, incerto. Não há momentos certos para iniciar um projeto. Entendo o momento certo como entendo a oportunidade, é sempre coincidente com um qualquer inesperado. Criar uma empresa é uma decisão muito desafiadora, envolve muita dedicação, trabalho, investimento e sacrifícios, mas também é muito recompensadora pela possibilidade de alcançar objetivos pessoais e profissionais, estabelecer relações, interagir com tantos talentos, clientes e parceiros e a inequívoca expectativa de um legado para o futuro.

Ser empreendedor é, por si só, um grande desafio. Porém, ser uma mulher empreendedora pode ser, na sociedade que conhecemos, uma barreira para alcançar sucesso, notoriedade e credibilidade. Na sua experiência, como se deu este processo? Enquanto pessoa, mulher e profissional, como ganhou espaço no mercado?

Infelizmente, entre tantas outras, a desigualdade de género ainda é uma realidade em muitos setores da economia, e as mulheres, mais ou menos empreendedoras, ainda precisam de lidar com preconceitos, estereótipos e enfrentar até obstáculos financeiros.

Mais do que lembrar esses desafios, prefiro encontrar nos bons exemplos maneiras de os superar, procurando destacar-me no mercado em que atuo por meio da inovação, da qualidade de serviço e privilegiando uma rede sólida de contatos e parcerias.

Como empreendedora ciente desses desafios prefiro estar preparada para lidar com eles de forma estratégica e proativa. Procuro sistematicamente capacitar-me a mim e às equipas que lidero, consolidando e acrescentando conhecimentos, mantendo boas redes de apoio, incluindo mentores, alguns deles homens extraordinários, parceiros e outras empreendedoras que me ofereçam suporte e inspiração ao longo do caminho. Um bom exemplo disso é a minha equipa atual, até agora constituída apenas por mulheres, união que acredito apoiar e incentivar outras empreendedoras, a criar um ambiente mais inclusivo e colaborativo.

Além disso, ser empreendedor significa também ser líder de equipas e muitas vezes gestora de emoções. Tendo já experiência em liderança e coordenação, como se define nesta vertente? O que diria que é mais gratificante em ser um exemplo de liderança feminina?

Podemos encontrar muitas definições de liderança e nenhuma exclui habilidade de comunicação, empatia, resiliência e capacidade de tomar decisões difíceis. Gosto de achar que me enquadro nesta definição. Ter uma visão clara, inspirar e motivar as equipas para alcançar objetivos comuns, no contexto da liderança feminina é desafiante, mesmo com uma abordagem mais colaborativa e empática.

Saber gerir emoções num grupo de trabalho, começa sempre por saber gerir as minhas e esse exemplo é imediato nas equipas. Somos sujeitos a inúmeros testes de comportamento atualmente, neste dia a dia de intolerâncias, e acredito que a maturidade profissional é que nos vai corrigindo a impulsividade do momento. Não consigo sempre, quem me conhece sabe bem. A decepção, a frustração e, naturalmente, a preocupação ainda são emoções às quais reajo, mas assumo a responsabilidade do que sinto, entendo que as pessoas são diferentes umas das outras e, quando é necessário, faço mudanças. É uma matéria onde me empenho e na qual envolvo as equipas, porque atualmente o controle emocional é uma softskill muito valorizada. Acredito que o mais gratificante em ser um exemplo de liderança feminina é poder fazer a diferença na vida de algumas pessoas, inspirando-as a serem melhores e a acreditarem nas suas próprias capacidades, contribuindo para um ambiente de trabalho onde se sentem valorizadas e respeitadas.

Hoje, a mulher, passa por uma reconstrução da sua identidade e postura perante um mundo que ainda a rotula, cria estereótipo e determina, muitas vezes, como deve ser e agir. Na sua perspetiva, como é que a mulher deve encarar esta realidade?

É importante que as mulheres encarem essa realidade com determinação e confiança em si mesmas, concentrando-se no seu potencial, conhecimentos e experiências, não permitindo que estereótipos ou preconceitos as impeçam de alcançar os seus propósitos.

Muitas mulheres ainda preferem competir entre si, em vez de se apoiarem, criarem redes de colaboração e partilharem experiências. O impacto dessa competitividade é prejudicial à nossa presença no mercado e à mudança cultural. Mas acredito que a sociedade como um todo começa a dar sinais de comprometimento com a valorização do papel da mulher nos negócios e na sociedade em geral. É fundamental promover-se um ambiente mais inclusivo e respeitoso para que as mulheres possam contribuir de forma significativa para o mundo empresarial.

Por outro lado, muito se fala atualmente do empoderamento feminino, que acontece quando há uma consciencialização das mulheres reivindicarem os seus direitos, garantindo a noção da luta pela total igualdade entre os géneros, em diversos cenários sociais. Quão importante é falarmos de igualdade, liberdade, sororidade e representatividade?

Muito. Esses temas devem ser discutidos e promovidos para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa para todos os géneros. Nesta e em tantas outras situações.

O empoderamento feminino é importante pela luta constante que envolve a conscientização das mulheres sobre seus direitos e ações, para alcançar a igualdade de género, mas mais do que a necessidade de promover temas como a igualdade salarial, o acesso igualitário à educação e aos cargos de liderança, esta a liberdade de tomarem as suas próprias decisões. Felizmente, o cenário social onde temos a sorte de nos encontrar já demonstra bons sinais de mudança e inclusão.

Quanto à sororidade, tal como antecipei na pergunta anterior, são ainda demasiadas as vezes em que a união e a solidariedade se dissipam na rivalidade e na competição entre as mulheres, despromovendo a cooperação e o apoio mútuo.

A representatividade é importante para que as mulheres se possam sentir reconhecidas em todas as áreas, destacando nos media, na política e nos negócios, incluindo a necessidade de promover a inclusão de mulheres de diferentes origens, etnias e orientações sexuais em posições de destaque e de poder.

No dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. A cada ano, esta efeméride é marcada por reflexões em todos os países e, também a cada ano, as mulheres vão prestando mais atenção aos seus direitos, adquirindo melhores condições para uma vida digna e feliz. Acredita que este dia contribui para a valorização da mulher? O que falta, na sua opinião, para que esta valorização se estenda ao resto do ano?

O Dia Internacional da Mulher é um marco importante para a valorização feminina, mas a data é só uma oportunidade de calendário para lembrar a reflexão sobre as desigualdades ainda existentes.

Essa valorização devia efetivamente estender-se por todo o ano, eventualmente através de políticas públicas, leis e ações que promovam a igualdade em todas as esferas da sociedade.

Para mim, todos os dias são bons para promover ações que visem a valorização e o empoderamento feminino. É assim que atuo social e profissionalmente e não restrita a apenas um dia. É o meu compromisso e o “fazer a minha parte” contribuindo para o comprometimento contínuo de todos os setores da sociedade, incluindo governos, empresas e a população em geral.

É mais fácil quando pertencemos a uma família predominantemente de mulheres, na maioria de sucesso, todas exemplares, todas independentes e todas livres de tomarem as suas próprias decisões.

Olhando para os anos que já passaram, para o caminho percorrido e os desafios ultrapassados, o que diria hoje ao seu “eu” mais jovem?

Pergunta difícil… Reconheço que tudo o que vivi, experienciei e aprendi, moldaram quem hoje sou e nesse pressuposto, se pudesse dar alguma sugestão ao meu “eu” mais jovem, no imediato diria convenientemente que fizesse o que foi feito, mas sem medo de mudar, experimentar coisas novas ou arriscar mais.

Diria copiosamente para não se preocupar tanto com o que os outros pensam e se concentrar em seguir o seu próprio caminho, que nem sempre as coisas acontecem como planeamos, mas que isso não é necessariamente mau, e que nada a protegerá de se desiludir.

Por fim, diria o que já digo todos os dias ao meu “eu” menos jovem, para não perder de vista o que realmente importa, a família, os amigos e as relações pessoais significativas. A vida, com ou sem dizer popular, é mesmo curta e deve ser vivida com intensidade e gratidão por cada momento.

Do ponto de vista da marca Rita Catita Consultoria e Intermediação de Crédito, que objetivos estão traçados para o futuro a curto e médio prazo?

É comum que empresas procurem crescer e desenvolver-se e a minha não é exceção.

A curto prazo, estamos focados em consolidar a nossa presença no mercado, aumentar a base de clientes e consequentemente aumentar a equipa e o volume de negócios, envolvendo novas parcerias estratégicas, desenvolvendo a oferta com mais serviços e reforçando o investimento em marketing e publicidade para aumentar a nossa visibilidade.

A médio prazo, o objetivo é tornarmo-nos uma referência no nosso segmento, conquistando uma posição diferenciada, com diversificação da oferta, mas mantendo soluções personalizadas. Adotar tecnologias mais sofisticadas, em especial o posicionamento online, para melhorar a eficiência e a qualidade do atendimento e identificar novas oportunidades de negócios, às quais já estou alerta.

Independentemente dos objetivos importa-me que a empresa esteja sempre atenta às necessidades e expectativas dos clientes. Vivemos mais um período de incerteza, que influenciado pela situação de grande inflação, pode dificultar o investimento, mas, assim como nos preparámos em anos anteriores para outros desafios, não menos exigentes, também nos preparamos para enfrentar a atual situação económica e financeira, atentos e atualizados, adaptando-nos às mudanças do mercado e às tendências da atividade, procurando novos projetos entre as oportunidades, que possam sempre contribuir para ajudar os nossos clientes a superar os desafios atuais e a alcançar os seus objetivos financeiros.