“Simplesmente sê MULHER e és Líder da tua Vida”

O Dia Internacional da Mulher foi o pretexto para a nossa conversa com Fátima Nunes, Diretora Técnica do Instituto do Desenvolvimento, e que nos deu a conhecer mais a sua visão sobre a sua carreira e a importância das Mulheres na Liderança. Além disso, não foi esquecido que este ano o Instituto do Desenvolvimento comemora a marca simbólica dos dez anos.

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O Instituto do Desenvolvimento (ID) assume como sua missão a promoção de respostas na vertente do Desenvolvimento e da Saúde Física e Mental. No sentido de esclarecer o nosso leitor, que balanço é possível perpetuar relativamente ao trabalho realizado pelo ID?

O ID tem uma equipa multidisciplinar que se complementa. Abordamos a saúde com um PERSPETIVA preventiva e de sensibilização para manter a mesma. A doença acolhemos, através de respostas eficientes com técnicos especializados e médicos, que se entregam ao paciente e à sua família, para encontrar em conjunto respostas adequadas a cada caso. A equipa reúne, discute os casos e encontra respostas eficazes e dirigidas. Temos a preocupação de envolver todos os intervenientes, pessoa, família e meio onde está inserido.

Daí, o nosso lema ser, “Um Desenvolvimento em forma de Sorriso”.

O ID comemora este ano dez anos de vida, uma década que tem sido marcada pelo crescimento e evolução da marca na sua capacidade de oferecer respostas. Que significado tem para si estes dez anos de atividade e quais diria que são os momentos mais simbólicos dos mesmos para a instituição?

O ID PARA MIM É COMO UM FILHO QUE VI E AJUDEI A NASCER E A CRESCER. Tem sido um desafio constante. Muitas mudanças, abrimos em 2013 numa loja por baixo de um edifício, dois anos depois estava a ser feita a deslocação para um edifício construído de raiz, com todos os critérios que eu tinha para oferecer um serviço de excelência a todos os nossos pacientes e à comunidade. Tenho um imenso orgulho na equipa que formei e na capacidade de resposta que temos, tão criteriosa e honesta, para com os nossos utentes e todos os que nos procuram.

Apresentam respostas a diversas especialidades médicas. Além de um corpo clínico qualificado e capacitado, quão importante tem sido a inovação para a promoção de um serviço de excelência e eficácia?

O facto de termos profissionais especializados em cada uma das áreas de intervenção, desde o útero materno, grávida, o nascimento, desenvolvimento até à idade sénior, faz-nos estar preparados para respostas eficazes, integras e moldadas a cada caso específico. Temos um tanque terapêutico de água quente para terapias em meio aquático, uma sala snoezelen, ginásios de integração sensorial, avaliações e intervenções com programas específicos em diferentes síndromes do neurodesenvolvimento e do envelhecimento. Por tudo isto, e pelo investimento humano também feito, somos pioneiros em intervenções especificas, em que os bons resultados falam por si.

A Fátima Nunes é o principal rosto do Instituto do Desenvolvimento, sendo, portanto, a líder do mesmo. Quem é a Fátima Nunes e como é que carateriza o seu trajeto desde que o iniciou até aos dias de hoje?

A Fátima é uma mulher que teve de lutar muito para chegar onde chegou, para conquistar o que conquistou. Não foi de facto fácil, muitos desafios, aprovações, perdas, “agressões”, mas foram todos estes momentos e situações que me deram a resiliência que tenho, a capacidade de me levantar, de ver os momentos difíceis como aprendizagens, adquirir a coragem que tenho, esta capacidade de lutar até atingir os objetivos. A capacidade de ouvir os nãos e mantendo-me firme aos meus próprios sins, para seguir em frente com a motivação reforçada. Sou uma mulher marcada pela vida, mas muito honesta com os meus princípios. Adoro ajudar o próximo, mesmo correndo o risco de ser mal interpretada. Não consigo ver pessoas em dificuldade sem tentar ajudar a solucionar, ou dar-lhe as ferramentas para encontrar respostas para o seu problema, pois aprendi a fazê-lo, no meu percurso. Claro que tive pessoas que me ajudaram e ajudam nesta caminhada e estarei eternamente GRATA, outra capacidade que tenho. Sou grata por tudo o que tive e tenho, por tudo o que passei e passo, pois sou o que SOU por todas as experiências que vivi e vivo. Tenho muito orgulho na mulher que me tornei, na filha, mãe que sou, amiga, colega, psicoterapeuta, diretora… Sou Fátima Nunes.

Em algum momento desta jornada sentiu algum género de obstáculo pelo facto de ser Mulher? Se sim, de que forma é que os contornou e ultrapassou?

Sim, sim, sim. Muitos obstáculos, em ser mulher num mundo governado maioritariamente por homens e quando estão mulheres envolvidas, já estão no sistema masculino para se manterem nos cargos que ocupam. Um exemplo simples, quando é necessário pedir orçamentos para alguma coisa, de obras ou carros (reparações), há sempre uma tentativa de arrastar, de dar preços mais elevados. Tive um exemplo de um material que pedi para fazer num carpinteiro que quando me foi entregue estava em muito mau estado e o senhor ainda se achou cheio de razão, foi indelicado tentando impingir a peça mal feita, mesmo mal. Tive de me impor e arranjar outra pessoa que me fizesse o material. Estive 5 meses a aguardar por uma obra, que ainda não está terminada e os acabamentos são fracos, apesar das chatices que tive e tenho, tudo é uma luta. Mas, não sou de desistir e tenho uma equipa que apoia e também insiste e persiste.

O cenário atual é mais positivo no que concerne ao percurso das Mulheres rumo ao topo. Contudo, ainda existe um longo caminho a percorrer para chegarmos a um estado de maior igualdade. Como analisa este panorama e o que podem as Mulheres perpetuar para singrar e para diminuir o espaço de oportunidades dadas a Mulheres e Homens?

Acho que será importante diminuir a rivalidade entre as mulheres. Deve haver uma maior união e coesão para lutarmos pelos mesmos direitos. As diferenças salariais são flagrantes, para o mesmo cargo, o homem ganha significativamente mais. Os carros de serviço são melhores, as condições no geral são melhores. A maternidade ainda é um obstáculo para a entidade empregadora, aí neste aspeto aceito que em muitos casos as mulheres usam o “direito” à redução de horário para amamentação, mesmo não estando a amamentar, o que realmente não deveriam fazer. Uma mãe, que é uma excelente profissional, não o deixa de ser porque é mãe. Sabe-se que, as mulheres são extremamente criativas e com puder de decisão muito bom e que aguça com a maternidade. Somos extremamente intuitivas, isso também é muito bom numa liderança. Temos qualidade que deveriam ser mais valorizadas.

De que forma é que carateriza o seu género de liderança e como é que a mesma tem a capacidade de promover um nível de compromisso elevado nas equipas que lidera?

Eu penso estar num tipo de Liderança Transformacional, estilo de liderança que está relacionado com a iniciativa de mudanças e transformação dentro da organização. Sigo uma linha transformacional, tento motivar os membros da equipa a fazer mais do que é “determinado” e, inclusive, ir além do que julgam possível.

Na sua opinião a liderança não tem e não deve ter género? De que forma é que analisa e avalia o crescimento do papel da Mulher em posições de liderança?

Ao longo dos séculos, a Mulher foi inferiorizada e desrespeitada profissionalmente, aliás só muito “recentemente” é que as mulheres puderam ingressar livremente no mercado de trabalho. Na atualidade, a posição das pessoas do sexo feminino tem se afirmado cada vez mais em formações e presença nos mercados de trabalho, contudo a liderança ainda é um termo desconhecido por algumas mulheres. Na minha opinião, a eficácia dos projetos profissionais seria garantida se homens e mulheres colaborassem de igual modo, usufruindo dos mesmos privilégios, tanto financeiros, como em responsabilidades dos seus cargos. Cada líder tem as suas características no tipo de liderança, logo cada indivíduo possuirá diferentes abordagens, que em conjunto se complementarão, pois, a liderança não é só responsabilidade dos líderes, mas também dos liderados, que verão se são capazes de aderir ao modo como o líder se posiciona.

Quais são os principais desafios e projetos de futuro do Instituto do Desenvolvimento? O que podemos esperar de vocês para 2023?

Os principais desafios passam, infelizmente, pela luta com a carga de impostos que cada vez é maior para as pequenas e médias empresas. Não temos ajudas e a carga de impostos é muito significativa. Para podermos manter preços acessíveis a todos acabamos por ser prejudicados com esta sobrecarga fiscal.

Apesar do aumento da doença mental na sociedade, a mesma que tanto precisa de apoio, fica cada vez com menos poder de compra, o que leva a desistir dos acompanhamentos que tanto necessitam, muitos “como de pão para a boca”.

O ID quer aumentar o número de filiais, para poder chegar a mais famílias, mas, neste momento critico da receção financeira, estamos mais cautelosos.

Vamos continuar a lutar pelos direitos à saúde mental para todos. Ajudar famílias que apesar dos rendimentos baixos, prestamos apoio, após verificar as suas necessidades. Temos uma responsabilidade social, essa é a nossa forma de estar na sociedade e na vida das pessoas.

A terminar, no dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Na sua opinião, qual a importância desta efeméride? Que mensagem lhe aprazaria deixar a todas as Mulheres?

Um dia que considero ser uma homenagem a todas as mulheres que lutaram e lutam pela independência e igualdade de direitos. Mulheres que marcaram a história com a sua capacidade de liderança, exemplo a “Dama de Ferro”. O dia que dá destaque às Mulheres, Mães, Profissionais…

Dás a VIDA e és a vida na sua essência. Tens um terreno fértil, uma mente que acolhe com amor e dedicação, nem todos conseguem perceber e entregar-se a esta grandeza. Simplesmente sê MULHER e és líder da tua vida e podes ajudar outros a chegar lá, ao TOPO.