“Sirvo de farol para que os meus Clientes possam usufruir de um serviço de 360° que cobre as suas necessidades”

“Caracterizo-me como um verdadeiro unicórnio”. Quem o afirma é Raquel Batista, Fundadora e Administradora da Lighthouse Consulting, uma empresa que presta serviços na área da Consultoria, a estrangeiros, que em entrevista à Revista Pontos de Vista, explicou o trabalho desenvolvido pela marca que lidera e as respetivas vantagens para a carteira de clientes.

546

A Raquel Batista atualmente é administradora da Lighthouse Consulting. Contudo, o seu trajeto é pautado por outras experiências profissionais. Face a isso, como se caracteriza enquanto Mulher e profissional?
A minha geração foi formatada para achar que a única solução profissional segura era trabalhar nos quadros de uma empresa. Fui mais de 20 anos um exemplo dessa cultura. A pandemia fez-me questionar se esse era o melhor modelo profissional, mas só com o nascimento da minha terceira filha consegui ter a coragem de sair desse ciclo. Coragem, ou absoluta necessidade de tempo, de qualidade de vida e controlo dos meus horários e logística. A empreendedora nasceu justamente da procura de um equilíbrio saudável, entre a mulher e a profissional. E caracterizo-me como um verdadeiro unicórnio, porque nós Mulheres, mães e profissionais, somos seguramente seres mágicos com poderes sobrenaturais para conseguir gerir tudo.

Ainda no mesmo assunto de conversa. A Raquel Batista também é jurista, tendo mais de 20 anos de experiência no setor bancário e dos seguros. Que tipo de mais-valias esta longa experiência profissional lhe confere para o exercício do seu cargo atual? E quão desafiante tem sido abraçar a função de administradora da Lighthouse Consulting?
O curso de direito, as pós-graduações, e as funções de compliance, assessoria jurídica e até governo interno são os meus alicerces técnicos. Ser líder de equipas e responsável por áreas de negócio, foram experiências que me capacitaram com soft skills, que agora são essenciais na minha própria empresa. Ainda assim, houve uma conversão a fazer, do mundo da alta finança para o cliente em particular. E isso era algo que me faltava. Ver o impacto direto que tenho na vida dos meus clientes. Saber que faço a diferença e que têm uma segurança que sem mim não teria sido possível. O desafiante é ao mesmo tempo o que me dá mais gozo: ser absolutamente focada em cada um dos meus clientes.

Direcionando a conversa para um outro tema. Atualmente, existem mais Mulheres a assumirem altos cargos administrativos. Acerca desta questão, como comenta o panorama atual no setor onde atua? E em que medida a liderança que pratica tem sido fundamental para o crescimento da Lighthouse Consulting no mercado?
A minha vivência no mundo corporativo foi muito marcada por essa luta. Sempre fui uma exceção, infelizmente. Assumi cargos de alta responsabilidade muito cedo e quase sempre era a única mulher sentada nas mesas de decisão. Ainda há um longo percurso a fazer nesse aspeto, mas nos últimos anos deram-se saltos enormes (e conscientes). A diversidade (não só de género) é essencial na gestão para aportar ideias diferentes e que sirvam o mundo real. Há cada vez mais Mulheres empresárias o que, aliás, nos assenta bem pelo multi-tasking, que nos é natural. Sendo mães, ainda mais. Não há melhor profissional em gestão de prioridades, stress, e conflitos, do que uma mãe. O meu crescimento vem de não ter tempo para perder.

Focando-nos agora na Lighthouse Consulting, de forma a contextualizar os nossos leitores, que tipo de serviços prestam na empresa? E quais são as vantagens que as soluções da marca oferecem à vossa carteira de clientes?
Somos uma empresa de consultoria a estrangeiros (expats), inicialmente sobretudo focada na vertente de negócio. Ajudo os meus clientes a criar empresas, ou faço business brokerage. Mas não só. Percebi que a partir do primeiro contacto, passava a ser a sua pessoa de confiança em todos os aspetos de viver em Portugal. E por isso, estabeleci parcerias para outras áreas como real estate (sobretudo para propriedades off market), com mediadoras de seguros e de créditos, agências de emigração, foreign exchange, assistentes virtuais e até organização para conseguir responder a todas as suas necessidades.

Atendendo ao seu conhecimento e experiência, na área da consultoria, quais são os grandes desafios para quem pretenda abrir um negócio próprio em Portugal e quais têm sido as maiores dúvidas de quem procura a Lighthouse Consulting?
Há muita desinformação em grupos de Facebook que são muitas vezes o recurso de quem não conhece cá ninguém. E muitos recém-chegados que acham que já conhecem muito bem o país e como fazer as coisas e se tornam consultores, aproveitando-se do seu acesso privilegiado dentro da comunidade. É um impulso compreensível, confiar mais facilmente noutros expats do que em portugueses, até pela barreira linguística. No meu caso, essa tem sido uma das principais vantagens. Sou fluente em inglês, mas também em castelhano, francês e italiano. Dificilmente não vou ser capaz de comunicar com quem quer que seja.

Nesse sentido, considera que a dita burocracia portuguesa trava o aparecimento e crescimento de empresas estrangeiras em Portugal? Se sim, de que forma esta situação pode ser revertida, para que o país continue a ser atrativo para investidores estrageiros?
Saber que as regras não mudam a meio do jogo é fundamental para qualquer negócio. Quaisquer alterações criam dúvida e instabilidade para a entrada do investimento estrangeiro. O país tem muito para oferecer em termos de segurança, qualidade de vida, saúde, e negócios, mas não tenho dúvidas que, por exemplo, o regime do residente não habitual é um dos maiores atrativos. Não podemos pregar partidas a quem quer vir.

Relativamente ao mesmo tópico, na comunicação da organização afirmam ser “a luz guia em Portugal”, o que é que isto significa? Ou seja, além de ajudarem o vosso público-alvo na criação de um negócio, ou configuração de uma empresa, também assumem a responsabilidade de transmitir os costumes e saberes da cultura portuguesa?
Sim. E começa logo aí. Os americanos por exemplo têm a cultura de criar uma empresa, fazê-la crescer e vender. O nosso exemplo são empresas multi-geracionais, que crescem em família, onde se vive através da empresa com o intuito de a passar para os filhos. Somos o colo que muitas pessoas precisam. Quem vem para Portugal vem com sede de viver bem, de apreciar a vida, e de conviver. Sirvo de farol para que os meus clientes possam usufruir de um serviço de 360° que cobre todas as suas necessidades.

Para terminar, sendo um exemplo de liderança feminina, que mensagem ou conselhos gostaria de transmitir às nossas leitoras que também desejam traçar um caminho de sucesso? E como perspetiva o ano de 2023 para a Lighthouse Consulting? Existirão novidades?
Comecem. Não esperem até estarem 100% preparadas. Sem medo de errar. É assim que vão ter as melhores lições. Ninguém aprende a andar parado. Abracem o percurso, não a chegada. Há muita coisa que quero fazer, e não posso, nem quero fazer tudo ao mesmo tempo. Mas, o que tem sido mais gratificante é ser abordada pelas pessoas que admiro e que gostaria de conhecer, ou com quem gostaria de trabalhar. É uma “sorte”, que sei que resulta de esforço, perseverança e dedicação.