“O IEP vai prosseguir o seu trajeto de apoio à sociedade”

Jorge Serra, Diretor-Geral do Instituto Eletrotécnico Português (IEP), conversou com a Revista Pontos de Vista sobre os fatores que fazem com que este Instituto seja líder enquanto infraestrutura tecnológica reconhecida no mercado.

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Desde 1981 que o Instituto Eletrotécnico Português (IEP) disponibiliza ao mercado soluções integradas nos domínios da inspeção, auditoria, ensaios, calibrações, ambiente, entre outros. Enquanto Diretor Geral do mesmo, como nos pode descrever a evolução desta atividade durante estes 42 anos?
O IEP, ao longo dos seus mais de 40 anos de existência, registou velocidades distintas de evolução. Nestes últimos anos congratulamo-nos por ter conseguido atingir rácios de crescimento e expansão invulgares e muito acima do benchmarking do mercado.
Efetivamente, desde 2016, altura em que iniciamos um novo ciclo no IEP, fomos capazes de criar mais de 130 postos de trabalho, o que significa que mais do que duplicamos a nossa equipa. Adquirimos mais competência, alargamos a nossa abrangência territorial, encetamos um processo de internacionalização, ganhamos competências e aumentamos os recursos físicos e tecnológicos.
Ao nível do volume de negócios o nosso trajeto foi ainda mais impressionante, multiplicamos por duas vezes e meia aquilo que conseguimos em 2015. Somos hoje indubitavelmente a segunda maior infraestrutura tecnológica a atuar em Portugal no âmbito da certificação, inspeção e ensaio.
Mas nem por isso a nossa equipa de heróis, que todos os dias dão o seu contributo para o desenvolvimento e crescimento do nosso grupo, perderam a ambição de levar ainda mais longe este Grupo IEP.
Não obstante, aquilo que se assume como mais importante, mais até do que a conquista de novos recordes e objetivos, é a contentamento da equipa ao longo deste caminho que temos trilhado. O verdadeiramente importante é de facto constatar que todos se sentem felizes e realizados pelas conquistas, conforme atesta o nosso ranking de “Empresa Feliz” no estudo HapinessWork/Exame.
Por fim, quero referir que este crescimento forte e sustentado tem-nos permitido melhorar as condições de vida de todos, o que é para nós um motivo de enorme satisfação e certamente contribui para a motivação da nossa equipa.

O elevado número de reconhecimentos e acreditações nacionais e internacionais que o IEP acumula ao longo dos anos são prova evidente da isenção, do rigor e da excelência técnica que coloca ao serviço dos seus clientes. De que forma estes fatores fizeram com que o Instituto fosse líder enquanto infraestrutura tecnológica reconhecida no mercado?
As acreditações, assim como as certificações e outros tipos de reconhecimentos por terceira parte, são o melhor cartão-de-visita que uma entidade que pretende ser independente e tecnicamente rigorosa pode exibir.
Foi graças às acreditações que lográmos obter ao longo dos anos, assim como aos nossos reconhecimentos no âmbito dos acordos europeus e internacionais de reconhecimento mútuo dos ensaios de certificação, que o IEP se destacou como a entidade que melhor poderia apoiar a indústria nacional do setor elétrico e eletrónico no seu esforço de crescimento tecnológico e de internacionalização.
Também noutros âmbitos, como na formação e na inspeção técnica, entre vários outros, as acreditações e os outros reconhecimentos têm granjeado ao IEP a plena aceitação por parte do mercado, alavancando o seu crescimento de uma forma sustentada e sem comprometer a qualidade dos serviços que presta.

Além disso, o IEP é Associado Fundador da RELACRE – Associação de Laboratórios Acreditados de Portugal. Tendo sido criada em 1991, quais diria que foram os momentos mais importantes e cruciais destes 32 anos de história?
O IEP orgulha-se de ter estado na génese da RELACRE. Para além de Associado Fundador dessa associação de laboratórios, participou na reunião, que decorreu num hotel de Lisboa em outubro de 1990, na qual foi tomada a decisão de se constituir uma entidade nacional que representasse os laboratórios portugueses nas diversas estruturas europeias de ensaios que estavam então a nascer. Fizemos também parte do Conselho de Administração da RELACRE durante os primeiros mandatos e acompanhámos toda a notável evolução que essa associação conheceu ao longo destas três décadas de existência.
Como momentos mais marcantes, assinalamos o lançamento das primeiras ações de formação dirigidas à comunidade laboratorial, uma lacuna sentida desde o início das atividades da RELACRE e à qual esta deu uma resposta bastante efetiva. Outro aspeto relevante foi o lançamento de programas de comparação interlaboratorial, tanto em ensaios como em calibrações, respondendo também aqui a uma necessidade premente dos seus associados e que é fundamental para a aceitação de Portugal no âmbito dos acordos de reconhecimento mútuo.
Referimos também a atividade que a RELACRE tem tido na elaboração e publicação de guias de orientação, graças ao trabalho que tem sido desenvolvido pelas diversas comissões técnicas e grupos de trabalho temáticos que constituiu.

Certo é, a missão da RELACRE é a de apoiar e promover a comunidade portuguesa de entidades de avaliação da conformidade acreditadas, contribuindo para o seu reconhecimento na sociedade e para o desenvolvimento e credibilização da sua atividade. Nesta perspetiva, quais são as principais mais-valias desta Associação no âmbito da economia nacional e social?
Como estrutura que representa a comunidade laboratorial, a RELACRE tem tido desde sempre um papel muito importante junto das instituições nacionais e europeias, transmitindo os anseios e as preocupações das numerosas entidades que representa e que atuam nos mais diversos setores técnicos.
Como é sabido, os laboratórios são um elemento fundamental na generalidade dos processos de avaliação da conformidade, sendo quem melhor domina tecnicamente aspetos relevantes para sociedade, como sejam a segurança, a eficiência ou o ambiente, entre muitos outros. Tendo muitos dos laboratórios portugueses uma dimensão bastante reduzida, não é fácil terem voz de forma individual e serem ouvidos pelos decisores políticos, sociais e económicos. Assim, o seu agrupamento numa associação – no caso, a RELACRE – permite que tenham essa voz e que as suas posições relativamente às mais diversas matérias com impacto na avaliação da conformidade de produtos, processos e serviços sejam tidas em consideração e refletidas na normalização e na regulamentação nacional e comunitária.

Sabemos que os laboratórios do futuro enfrentam enormes desafios, não só económicos, tecnológicos e sociais como também ambientais. Com que visão a RELACRE analisa o impacto ambiental da sua atividade, considerando temas tão relevantes nos dias de hoje como a pegada de carbono, alterações climáticas e sustentabilidade?
Enquanto associação de laboratórios, a RELACRE reflete as perspetivas técnicas e económicas dos seus associados. Por sua vez, estes espelham a evolução científica e tecnológica da sociedade em que se inserem, que está indissociavelmente ligada às preocupações do nosso tempo com as alterações climáticas, com a sustentabilidade dos recursos, com a eficiência energética, hídrica e material e com a economia circular.
Todos esses aspetos têm vindo a ser progressivamente incorporados tanto na normalização como na regulamentação técnica e são hoje objeto de uma atenção particular nos processos de avaliação da conformidade, pelo que são temas cada vez mais intrinsecamente associados às atividades dos laboratórios nacionais e por consequência da estrutura associativa que os representa.

A RELACRE celebra, em 2023, 32 anos de vida. Considera que, no mundo atual, não é imaginável dispensar o elevado contributo dos laboratórios nas mais diversas áreas económicas? Que importância tem tido, por isso, a atividade desta Associação para todos os envolvidos?
Pelas razões que anteriormente apontámos, nomeadamente pelo profundo envolvimento que os laboratórios têm em todas as atividades de avaliação da conformidade, nos mais diversos setores, seria impensável o progresso económico a que hoje todos assistimos e que resulta do progresso tecnológico sem o contributo que os laboratórios aportam a esse processo.
Com efeito, os laboratórios desempenham um papel primordial ao longo de todo o ciclo de conceção, desenvolvimento e produção dos mais diversos bens. Mesmo após a colocação desses bens no mercado, os laboratórios continuam envolvidos na garantia da segurança de pessoas e bens e da saúde e da qualidade de vida dos cidadãos, sendo chamados a pronunciar-se em inúmeras situações, de que são exemplos as avaliações ambientais e o controlo do mercado por parte das autoridades económicas, entre muitos outros âmbitos.

Já do ponto de vista do IEP, de que forma, no futuro, irá continuar a promover a satisfação de todos, nomeadamente associados, clientes, fornecedores, colaboradores e sociedade em geral?
O IEP vai prosseguir o seu trajeto de apoio à sociedade, com particular ênfase para os operadores económicos nacionais.
Tendo como visão ser líder enquanto infraestrutura tecnológica, reconhecida pela competência técnica, rigor e independência, procuraremos sempre contribuir para os processos de inovação, modernização e crescimento sustentado do tecido empresarial.
Na prossecução dessa missão, vamos fornecer soluções cada vez mais diferenciadoras e de elevado valor tecnológico, que permitam alavancar o desenvolvimento dos nossos clientes, contribuindo dessa forma para o aumento da qualidade e para a competitividade dos seus produtos, bem como para a redução dos riscos associados às suas atividades e para a inovação dos seus processos.