“Criámos laços mais fortes este ano”

Ricardo Bacalhau, Managing Partner da Obsidiana | JR Bacalhau Bespoke Law Firm e membro da BLITA International, deu-nos a sua perspetiva, enquanto anfitrião, sobre a edição deste ano.

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Como é que correu o dia 1 de novembro, o dia da receção a todos os membros da BLITA a Vila Viçosa?
Normalmente começamos sempre com uma pequena reunião de pré atividade, a que chamamos de «conversa participativa». Esta é a primeira atividade que os sócios têm juntos quando chegam ao evento. Posteriormente, à noite, há sempre um cocktail de boas-vindas.
Este ano, ao contrário dos outros anos, decidimos oferecer mais espetáculo e mais exclusividade para que os sócios também pudessem sentir algo diferente. Por esse motivo, pusemos, por exemplo, uma passadeira vermelha onde, à medida que iam entrando, iam tirando fotografias. Foi divertido porque o interesse foi sempre um ambiente descontraído, mantendo as pessoas todas juntas o máximo tempo possível. Foi, sem dúvida, uma rampa de lançamento para os restantes dias do evento. Conseguimos criar uma ligação entre os sócios que, na grande maioria, já não se viam há um ano.

A BLITA está, pela primeira vez, reunida em Portugal. Que objetivos foram estabelecidos para esta edição?
De facto, é a primeira vez que a BLITA está em Portugal e é também a primeira vez que Vila Viçosa recebe um evento onde tantos países se reúnem mais do que dois dias.
Estabelecemos dois objetivos principais: o primeiro foi dar a conhecer o país aos sócios. Decidimos não optar pela capital para o efeito como sempre se faz, mas sim escolher o sítio onde exercemos a nossa atividade profissional. E a grande pergunta sempre era, porquê Vila Viçosa? Todos ficavam um bocadinho surpreendidos. Então quisemos, primeiro que tudo, mostrar que o interior não está esquecido e tem potencial, tanto os serviços como a própria região. E em segundo, os conferencistas que vieram dar a sua opinião sobre vários assuntos, nomeadamente em relação à região, a criptomoedas, à inteligência artificial, entre outros.
Mudámos a estrutura do evento este ano. Normalmente, o mesmo, tinha muito a ver com o que vinha de fora e, desta vez, quisemos que fosse mais uma estratégia interna entre membros, de forma a criar uma firma mais forte.

Por que motivo é fundamental, para a BLITA, realizar estes encontros anuais?
É muito importante que os sócios mantenham o contacto físico. Que se conheçam e que se tratem tal e qual como amigos e sócios que somos. Apesar de realizarmos webinares e videoconferências durante o ano, fazemos questão de ter, também, presença física uma vez ao ano. Vieram 40 sócios e o grande objetivo foi que houvesse integração. O calor humano supera tudo. E isso faz com que os negócios também prosperem.
Portugal e em especial Vila Viçosa, este ano, tem um valor emocional muito grande. Mais do que profissional. A Alicia trabalhava numa firma do grupo, na cidade do México e nós conhecemo-nos em Madrid, através da BLITA. Neste momento vivemos em Vila Viçosa os dois e, daqui, conseguimos levar o negócio a todo o lado. 90% dos nossos clientes são internacionais e conseguimos fazer a gestão desses negócios. Não precisamos de estar em Lisboa para isso. Queremos mostrar que aqui também existem infraestruturas suficientes para trabalhar.

Que balanço faz da BLITA Portugal 2023?
Este ano correu muito bem. Miami foi o ano passado, é uma cidade muito bonita que gostamos muito, mas este ano houve uma vantagem: tivemos sempre todos juntos, em todos os momentos. A agenda foi criada de forma a que o Grupo se mantivesse sempre unido em todos os dias do evento.
O balanço que eu faço é em duas perspetivas. A perspetiva pessoal, da integração dos sócios, do facto de termos estado mais tempo juntos e a possibilidade que isso nos dá em partilharmos mais. Tivemos mais tempo para sermos nós mesmos, despidos das capas profissionais. Criámos laços mais fortes este ano.
Do ponto de vista do trabalho, foi bastante interessante porque ao contrário do que se podia pensar, todos ficaram surpreendidos com a região e com Portugal. Muitos dos membros vieram uma semana antes e puderam conhecer também várias cidades do país e quando chegaram a Vila Viçosa ficaram impressionados com o lugar. Em termos profissionais o balanço é muito positivo. Pela primeira vez, eu acho que houve uma real interação.
A firma tem dez anos, é relativamente nova. É grande do ponto de vista do volume da faturação e de clientes, no entanto, todos juntos é que fazemos essa dimensão.

A Visão dos Presentes sobre os temas debatidos na BLITA Portugal 2023

Alicia Treviño, Partner da Obsidiana | Bespoke Law Firm
“A mudança definitiva para Vila Viçosa não foi assim tão difícil. Já estava à procura de algo mais calmo e tranquilo porque isso ajuda-me a focar na parte profissional. Dá-me a facilidade de ter uma vida mais equilibrada. Consigo sentir-me realizada na parte dos negócios e na parte pessoal, que também é muito importante”.

Daniel Janeiro, Coordenador do Departamento de Relações Externas na ADRAL – Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo
“Esta é uma região muito bonita. No Alentejo, temos muitas vantagens competitivas, o que nos dá uma posição de destaque em termos estratégicos. Estamos muito perto de Lisboa, que é uma área metropolitana, que garante o acesso à rede de concentração de todos os recursos humanos e das instituições económicas do país e a importantes mercados e consumidores finais (…) em termos de ambiente de negócios, a região Alentejo oferece um particular ambiente favorável para investimentos e para o desenvolvimento de atividades económicas. Temos infraestruturas excelentes”.

Gabriel Osório de Barros, Diretor de Serviços de Análise Económica do Gabinete de Estratégias e Estudos do Ministério da Economia
“No Gabinete de Estratégias e Estudos do Ministério da Economia temos sempre a preocupação de abordar as questões que são mais essenciais para a economia e nos últimos anos temo-nos focado nas criptomoedas e na inteligência artificial, por exemplo (…) as criptomoedas facilitam a compra e a venda de bens e serviços, apesar de ser uma moeda limitada está a crescer, já há vários exemplos do uso de criptomoedas em diferentes áreas, como no turismo, no imobiliário, entre outros, já podem ser utilizadas em compras online em diversos sites e alguns estabelecimentos físicos também já aceitam este tipo de pagamento apesar de ser não ser frequente. Contudo, as criptomoedas também são conhecidas pela sua volatidade e o preço das mesmas também pode ser influenciado por medidas governamentais”.

Marco Loayza, Partner na Morales & Co.
“Nos últimos meses temos falado muito sobre o tema da inteligência artificial e começámos a investigar sobre como a usar em firmas como as nossas. A automatização é um dos pontos mais importantes que advém dessa investigação”.

Nicole Cunningham, Partner na H&CO USA
“Na nossa empresa, alguns dos processos já estão automatizados. Por exemplo, conseguimos ver todo o histórico de um cliente e também todas as propostas que o mesmo tem com a nossa companhia. Toda a informação está num único espaço, o que facilita muito o trabalho (…) agora com o ChatGPT e todos os programas que existem, são uma forma de fazer negócios de forma eficaz e que apuram a nossa capacidade de resposta”.

Catalina Duarte, Diretora de Marketing da BLITA International
“Temos de pensar não apenas como crescer, mas, e sobretudo, como melhorar os processos. Estou segura de que todos, na vida, temos sempre algo a melhorar, algo que inovar ou que queremos mudar para ser melhor. O segredo está em focarmo-nos no que queremos fazer e no processo para chegarmos lá”.

Ricardo Bacalhau, Managing Partner da Obsidiana | JR Bacalhau Bespoke Law Firm
“Estes dias têm sido muito bons, principalmente por ver e estar com todos os membros em Vila Viçosa, na região do Alentejo, em Portugal”.

Rocío Ramírez Torres, Technical Product Manager na Wolters Kluwer
“A tecnologia está a transformar diversos setores e indústrias. Está a criar novos tipos de clientes, mais exigentes, com hábitos, necessidades e expetativas diferentes. Se pensarmos no cliente tradicional, sabemos que o seu foco está na qualidade e no preço do produto/serviços, mas se pensarmos no novo cliente, o mesmo pretende algo imediato, dados, acessibilidade, monitorização, transparência e uma experiência personalizada (…) porquê valorizar a inteligência artificial nos processos dos nossos trabalhos? Porque é uma oportunidade para oferecermos os serviços que o novo cliente exige. A IA pode incrementar eficiência e produtividade, reduzir custos, melhorar a qualidade do serviço, torna-los extraordinariamente competitivos e tomar decisões mais rápidas”.