LNEG e o seu compromisso com a Conciliação entre a Vida Pessoal e Profissional

Em conversa com a Revista Pontos de Vista, Teresa Ponce de Leão, Presidente do LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia, abordou não só os projetos inovadores e mais recentemente desenvolvidos, como também a acreditação pela Norma Portuguesa 4552:2022, que evidencia o seu compromisso com a Conciliação entre a Vida Pessoal e Profissional. Saiba tudo.

207

Sabemos que o LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia tem desempenhado um papel crucial no cenário científico e tecnológico nacional. Poderia partilhar com os leitores uma visão geral das atividades e projetos mais relevantes que o Laboratório tem desenvolvido recentemente?
O LNEG desenvolve a sua actividade em dois ciclos, o da investigação financiada e o da inovação onde aplica os resultados da investigação com vista ao apoio da economia e das políticas públicas. É desta forma que pretende contribuir para o compromisso da COP de Glasgow onde ficou escrito que as decisões políticas devem ser baseadas nas evidências científicas.
A título de exemplo refiro alguns projectos de importância para a economia nacional que fazem parte do ciclo da inovação.
O projecto CAVALI na Cadeia de valor do Lítio. Contributo importante na utilização de métodos físicos no processamento de minérios de Li sem recurso a métodos químicos, estes últimos mais agressivos sob o ponto de vista ambiental.
Não tão recente, mas pela atualidade digno de menção, o projecto do Edifício Solar XXI que representa um marco histórico, pois foi o primeiro Edifício NZEB (“Net Zero Energy Building”) em Portugal, ainda antes da Diretiva Europeia EPBD e foi pioneiro na construção e na integração das Energias Renováveis na própria arquitetura do edifício.
O projecto “START” que visa criar um sistema sustentável de captura de energia através de uma abordagem inovadora de reciclagem de resíduos de mina. Resolve um problema ambiental e contribui com mais uma fonte para a produção de energia.
O projecto que visou o mapeamento de áreas menos sensíveis para a implementação de projectos de energias renováveis onde se avaliou pela primeira vez quais as áreas de Portugal (Continental) com menor sensibilidade ambiental e patrimonial com vista à simplificação de procedimentos com vista à instalação de centros electroprodutores de energia renovável.
O projecto geoON – Atividade Geológica e Mineira ONLINE   que visa a digitalização dos acervo de dados do LNEG através do tratamento e harmonização de informação geocientífica do LNEG na área da Geologia e Minas para disponibilização aberta no  GeoPortal da Energia e Geologia, alinhada com Diretivas de dados europeias e nacionais.  O geoON permitiu ainda melhorar tecnologicamente o geoportal ao nível da acessibilidade, usabilidade e segurança. No vasto acervo da Biblioteca & Arquivo Histórico procedeu-se à transferência para suporte digital contribuindo para a sua salvaguarda e preservação, assim como uniformidade nos seus critérios de descrição e pesquisa.
Como principais resultados destaque-se a melhoria significativa da eficácia e eficiência no acesso aberto à informação geocientífica do LNEG por parte de investigadores, administração pública, empresas e público em geral.
O Projecto FRAME – “Forecasting and assessing europe’s strategic raw materials needs” que expandiu o conhecimento dos recursos minerais estratégicos e de matérias-primas críticas através da compilação do potencial mineral e áreas metalogénicas focada nas associações metálicas interrelacionadas em terra e no mar. Tal como solicitado pela Comissão Europeia, avançou significativamente o conhecimento em matérias primas críticas para o fabrico de baterias (Li, Co, grafite) e efectuou o primeiro mapeamento de potencial mineral (mapas de predictibilidade) de recursos minerais críticos e estratégicos na Europa. Culminou com a actualização das bases de dados do “European Geological Data Infrastructure” (EGDI).
O projecto que visou desenvolver a Entidade Certificadora da Sustentabilidade de biocombustíveis (ECS) que permite rastrear toda a cadeia de valor destes combustíveis renováveis.

No âmbito das recentes conquistas do LNEG, destaca-se a acreditação pela Norma Portuguesa 4552:2022 – Sistema de Gestão da Conciliação entre a Vida Profissional, Familiar e Pessoal. De que forma esta acreditação contribui para a cultura organizacional do LNEG e para o bem-estar dos seus colaboradores?
O LNEG tem por princípio propor-se a acreditação dos seus processos internos para facilitar a quantificação dos seus resultados tendo por princípio que se não se mede não existe. Neste caso, talvez devido à cultura da instituição, começo por dizer que a participação no projecto que nos permitiu obter a acreditação partiu da iniciativa de várias responsáveis e de colaboradores que muito trabalharam para a obtenção da acreditação. O meu muito obrigada a eles pois também houve homens envolvidos.

Além da acreditação, sabe-se que a Teresa Ponce de Leão está envolvida em várias propostas associativas relacionadas com a conciliação entre a vida profissional e pessoal. De que iniciativas estamos a falar e de que forma, as mesmas, complementam e reforçam os esforços do LNEG nesse domínio?
Sim, faço parte do Grupo das mulheres em Engenharia da Ordem dos Engenheiros, das Mulheres na Energia da Associação Portuguesa de Energia. Nas Nações Unidas participo no UN Women, recentemente participei na CoP28 num evento sobre Igualdade de Género e a Transição Energética e na “Convention of National Association of Electrical Engineers in Europe” (EUREL) participei recentemente no evento “Innovation in Energy Driven by Women e organizei o evento Women for the Climate”.
São alguns exemplos da minha participação para inovar o papel das mulheres a nível profissional e familiar. Devo acrescentar que a pandemia veio contribuir para demonstrar que um trabalho mais flexível garante a mesma ou mesmo melhor qualidade dos resultados.

Como é que as questões relacionadas com o género, por exemplo, têm sido abordadas no ambiente laboral do LNEG? Em que medida as políticas em vigor, nomeadamente pela NP 4552:2022, são direcionadas para fomentar a igualdade de oportunidades e promover o respeito pela diversidade?
No LNEG não há problemas de género, os dirigentes sempre foram escolhidos pela competência. Neste momento em 13 unidades temos a direcção de sete elementos masculinos e seis femininos, mas já aconteceu o inverso. A escolha é sempre fruto da competência.
O Conselho Directivo do LNEG há vários anos que se preocupa com a Conciliação da Vida Profissional e Familiar. Na primeira oportunidade candidatou-se a um projeto (COMPETE 2020), o Concilneg, aproveitando o financiamento para sistematizar e colocar em prática muitas das ações que já vinham a ser desenvolvidas.
O Projeto permitiu a criação de um sistema de gestão da conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal, em conformidade com a Norma e foi com muita satisfação que anunciámos, no passado mês de dezembro, que o LNEG é certificado Sistema de Gestão da Conciliação entre a Vida Profissional, Familiar e Pessoal.
A promoção de um maior equilíbrio entre a vida profissional, familiar e pessoal, uma condição fundamental para uma efetiva igualdade entre homens e mulheres e para uma cidadania plena, permite a realização de escolhas livres em todas as esferas da vida. Este é um processo dinâmico, em melhoria contínua, e o envolvimento de todos é muito importante.

Enquanto Presidente do LNEG, o que é que a levou a ser uma defensora ativa da conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal? O que é que esta sua visão transporta para o Laboratório que lidera?
A experiência pessoal contribuiu para esta forma de estar. Talvez fruto da sorte ao nível familiar, sempre partilhei tarefas como o meu marido ao nível familiar e mesmo muitas vezes ao nível profissional. Para este segundo aspecto ajudar a formação académica que é a mesma e que desde os bancos da universidade suscitou partilha de conhecimentos.

Olhando para o futuro, quais são as principais metas e objetivos que tem para o LNEG no que diz respeito à gestão da conciliação entre a vida profissional e pessoal? Como planeia manter e expandir as boas práticas já implementadas?
Através da monitorização dos resultados que permitirão demonstrar internamente e externamente essa realidade. Para isso estamos a desenvolver uma poderosa ferramenta que nos avaliará em função dos indicadores e desempenho.

Considerando o início de 2024, quais diria que são as prioridades gerais da atividade do LNEG para os próximos meses e, de que forma, essas prioridades contribuirão para o avanço contínuo daquela que é a missão do Laboratório no território nacional?
As prioridades são como sempre acompanhar as políticas públicas, nacionais e europeias e definir estratégias investigação que venham a poder posteriormente passar ao ciclo da inovação nomeadamente colmatar o fosso da inovação do laboratório para a produção, seguir as tendências internacionais através do contacto permanente com o que de melhor se faz na Europa, Estados unidos, Japão, entre outros, comunicar em termos científicos mas também para os cidadãos, desenvolvimentos no pós crescimento, apoiar o ensino superior para colmatar lacunas de perfis técnicos, acções para colmatar défice nos países em desenvolvimento e olhar para as nossas competências e como as aplicar em áreas muito inovadoras como a geo-engenharia.

NOTA: por indicações do autor, este artigo não foi escrito ao abrigo do acordo ortográfico vigente.