Iberian Falcata: Segurança & Defesa

A Iberian Falcata, criada em plena pandemia de Covid-19, é das poucas consultoras dedicadas exclusivamente aos setores de Segurança e Defesa no mundo lusófono e é constituída por profissionais das áreas da Segurança, Defesa e dos Serviços de Informações. António Brás Monteiro esclareceu a Revista Pontos de Vista sobre alguns dos temas mais pertinentes.

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Por: António Brás Monteiro

Considerando a experiência da Iberian Falcata, poderiam partilhar com os leitores uma visão panorâmica sobre como a empresa evoluiu ao longo destes anos na área da Segurança e Defesa? Quais foram os marcos mais significativos que contribuíram para a consolidação da vossa presença no setor?
Tendo os fundadores e conselho consultivo já bastante experiência na área, naturalmente o know-how ajudou bastante no arranque da empresa. Após a constituição da mesma, iniciámos o processo de credenciação de segurança no Gabinete Nacional de Segurança e o registo na Base Tecnológica e Industrial de Defesa (BTID) do Ministério da Defesa, ambos requisitos fundamentais para operar no sector e poder concorrer a projetos classificados NATO SECRET / EU SECRET. Começámos com pequenos serviços a PMEs, fazendo a ligação destas com parceiros internacionais e com organizações de referência. No ano passado conseguimos entrar nos estudos do NATO Industrial Advisory Group (NIAG), ingressando em dois grandes estudos, como especialistas e noutros três como observadores. Fomos eleitos, pelos restantes participantes como parte do Management Team de um deles.

Com base na vossa experiência como consultores em Estudos NATO, como tem este grupo contribuído para o aprimoramento das estratégias de Segurança e Defesa?
O grupo consultivo industrial da NATO proporciona uma ligação única a diversas empresas da BTID dos vários Estados-Membros, onde representantes do mais alto nível da indústria da Segurança e Defesa contribuem efetivamente não só para um possível aprimoramento de estratégias e políticas de Segurança & Defesa, mas sobretudo para o desenvolvimento de novas tecnologias e equipamentos industriais que possam ser adoptadas pela NATO. É fundamental um envolvimento próximo entre a NATO e as empresas do sector para promover a cooperação tecnológica e industrial de defesa transatlântica e apoiar no desenvolvimento de novos requisitos de capacidade militar bem como a futura implementação de soluções interoperáveis.

Em que medida a empresa tem explorado oportunidades dentro da União Europeia? Existe mercado?
Boa pergunta. Existe um potencial enorme na indústria de defesa europeia para impulsionar não só a segurança do continente, mas principalmente a economia e a inovação europeia. Temos empresas dentro da UE com uma vasta gama de tecnologias de ponta e expertise que estão bem posicionadas para desempenhar um papel na segurança e competitividade global. A colaboração entre os Estados-Membros é fundamental não só para combater a fragmentação e duplicação de capacidades militares, mas também para estimular a inovação. E nisto a Comissão Europeia tem feito um excelente trabalho, proporcionando oportunidades através de diversos instrumentos, incentivando as PMEs a participar juntamente com as grandes empresas de referência.
Na Iberian Falcata temos acompanhado de perto o Fundo Europeu de Defesa bem como as calls de segurança do Horizon Europe. Para ter uma ideia o Horizon Europe, atual Programa-Quadro de Investigação e Inovação da União Europeia, que teve início em 2021 e conclusão prevista para 2027 tem uma dotação orçamental prevista de cerca 95 mil milhões de euros para apoio às atividades de investigação e inovação.
E o Fundo Europeu de Defesa, instrumento da UE para apoiar a cooperação no domínio da defesa na Europa, dispõe de um orçamento de cerca de 8.000 milhões de euros também para o período 2021-2027.
Nós temos ajudado PMEs a candidatarem-se a diversas calls de ambos os programas, desde apoio para integrar consórcios internacionais à construção das propostas em si. Estamos a planear concorrer também diretamente com a Iberian Falcata nestes programas, onde nos iremos focar nos pacotes de trabalho e tarefas relacionas com as temáticas de segurança, defesa e questões éticas e legais dos projetos pretendidos.
Respondendo à sua questão, não só existe mercado como o mesmo esta num crescimento exponencial. Face ao crescente número de novas ameaças transnacionais e a um contexto securitário e geopolítico cada vez mais distinto, como se tem visto cada vez mais complexo e fluido, é fundamental investir na Defesa.
Um novo Comissario Europeu para esta tutela é também necessário e inevitável.
Aliás, basta ouvir a intervenção da Presidente Ursula von der Leyen nesta última edição da Munich Security Conference.

E na CPLP?
Existem grandes players na Segurança & Defesa no mercado da lusofonia com tecnologias de ponta, nomeadamente no Brasil. Contudo, também existem outros Estados da CPLP que representam um mercado diversificado com várias necessidades nestes sectores o que pode ser uma oportunidade para expandir operações das nossas indústrias de defesa bem como reforçar relações bilaterais e multilaterais.
Ao considerar entrar neste mercado, a nossa indústria pode oferecer know-how de tecnologias avançadas com soluções personalizadas a cada Estado da CPLP. É verdade que a língua e alguns aspetos culturais partilhados possam facilitar a comunicação e entrada nesses mercados, contudo é necessária uma compreensão profunda das subtilezas políticas, económicas e sociais de cada um desses Estados.
Na Iberian Falcata temos parceiros que podem auxiliar nesse sentido e estamos neste preciso momento a avaliar a possibilidade da nossa entrada noutras geografias além EU-NATO.

Coronel José Baltazar, Managing Partner

José Baltazar é Oficial Superior do Exército com extensa e diversificada experiência na área operacional e de segurança. No âmbito das Informações e Operações, tem vasta experiência nacional e internacional, nomeadamente com forças nacionais destacadas e em quarteis generais. Desempenhou funções de chefia na estrutura permanente da NATO, ligadas ao planeamento de Operações, designadamente como Chefe de Equipa de Planeamento da Divisão de Operações Futuras no Allied Rapid Reaction Corps, Reino Unido. No âmbito da Segurança foi responsável pela área de Informações e Operações e Segurança em várias Unidades e na estrutura superior do Exército. Foi igualmente responsável pela Segurança e pela Proteção da Força do Joint Force Command Lisbon. Foi professor universitário e chefe de departamento científico, na Academia Militar e Diretor do Centro de Apoio Militar ao COVID-19. Possui relevante formação, militar e civil, de que se destaca o Curso de Especialização em Informações e Segurança, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas – ISCSP, o Curso de Especialização em Direção de Segurança e o Curso de Defesa Nacional do Instituto da Defesa Nacional. Possui ainda vários cursos na NATO School, de que se destaca o NATO Security Course, NATO Force Protection Officer Course, NATO European Security Cooperation Course e NATO Military Police Officer Course.
É Auditor de Defesa Nacional pelo IDN/MDN.

António Brás Monteiro, Partner EU & NATO Affairs

Consultor de Defesa para a Comissão Europeia no EU Defence Innovation Scheme (DG DEFIS); Diretor Nacional da publicação ‘European Security & Defence’; Diretor da Associação de Auditores dos Cursos de Defesa Nacional; ex-Diretor e Membro do Conselho Fiscal do centro de estudos de segurança e defesa europeia Euro-Defense Portugal; Membro do Conselho Editorial da publicação ‘Segurança & Defesa’; Membro do Conselho Consultivo do AED Cluster Portugal e Membro do Conselho Consultivo do Grupo IntellCorp.
Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Católica Portuguesa, completou diversos cursos pós-graduados nomeadamente o curso de Common Security and Defence Policy na ‘War Studies University’ em Varsóvia,  o curso de Gestão de Crises com o ‘European Security Defence College’, o de contraterrorismo no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, entre outros no Instituto Universitário Militar; Instituto da Defesa Nacional e outras instituições de referência.
Foi Oficial de Ligação na SolvX, empresa sedeada em Bruxelas, e Gestor de Projetos no grupo TEKEVER onde participou em diversos projetos de segurança financiados pela Comissão Europeia, de Defesa pela Agência Europeia de Defesa e em diversos estudos NATO.
É sócio no Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo e no Grémio Literário.
É Auditor de Defesa Nacional pelo IDN/MDN e é credenciado pelo Gabinete Nacional de Segurança em NATO SECRET.