UNIR continua a receber centenas de reclamações

A nova rede de autocarros da AMP que opera em 17 municípios sob a marca comum UNIR, continua a dar que reclamar. Mais de 150 dias depois do arranque das operações, o serviço continua a gerar indignação e insatisfação nos passageiros que se queixam dos atrasos constantes, da falta de autocarros e de desinformação. Já são mais de 400 as reclamações registadas no Portal da Queixa.

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Lançada a 1 de dezembro de 2023, a UNIR – a rede de transportes da Área Metropolitana do Porto (AMP) que opera em 17 concelhos —, continua a somar queixas dos utentes até aos dias de hoje. São mais de 150 dias marcados por longas esperas, pelo desespero dos passageiros e por centenas de reclamações que denunciam problemas e constrangimentos sentidos em vários pontos da rede. No Portal da Queixa, entre dezembro de 2023 e abril, foram apresentadas mais de quatro centenas de ocorrências contra a UNIR.

Principais motivos de reclamação

Segundo aferiram os dados analisados, entre os principais motivos de reclamação dos passageiros estão os atrasos, ou seja, o incumprimento dos horários programados dos autocarros, a gerar 67.8% das reclamações registadas desde 1 de dezembro de 2023.

Na origem de 16.5% das queixas, está a falta de autocarros, o segundo motivo mais reportado e que se refere à supressão de autocarros nas carreiras. Segue-se a alteração de carreira (6.6%), onde os casos referem-se a mudanças sem aviso prévio. A conduta inapropriada do condutor do autocarro também foi denunciada em 5.1% das reclamações registadas pelos utentes.

Perante os problemas que lhes são reportados, os indicadores no Portal da Queixa revelam que a marca UNIR regista baixos indicadores de performance, com um Índice de Satisfação avaliado pelos consumidores em 6.1 (em 100), sendo a reputação: “Insatisfatória”. A taxa de resposta é de 2,9% e a taxa de solução de 3.3%. Sobressai a taxa de retenção de clientes de apenas 14,9%.

Indignação, insatisfação e revolta dos passageiros

De acordo com a Área Metropolitana do Porto, a operadora prevê para breve a resolução de faltas de informação e falhas que ainda se verificam. Enquanto isso, ao Portal da Queixa chegam inúmeras reclamações sobre as falhas constantes da UNIR.

Maria Couto é uma passageira grávida que denuncia na reclamação apresentada: “Ele (motorista) anda basicamente a fazer pouco das pessoas que estão na paragem, eu estou grávida de 8 meses e com duas crianças mais velhas sou obrigada a ficar de pé uma hora numa paragem sem bancos, porque o motorista daquele horário não lhe apetece fazer o trabalho que lhe compete”.

Carlos Peixoto, é outro utente que manifestou a sua indignação perante os atrasos dos autocarros da UNIR. Na reclamação registada no Portal da Queixa, em 27 de abril, relata: “No feriado de 25 abril, estava previsto uma camioneta 8027 às 22.15h, a sair de Porto Campanhã com destino a Sebolido, que não apareceu. Não houve qualquer aviso prévio. Seria a última camioneta possível nesse dia. Depois de um dia de trabalho, num feriado, fiquei sem camioneta para regressar a casa”.

Revoltado com a alteração de horário sem aviso prévio, Paulo Silva também apontou o dedo à UNIR: “Alteraram (novamente) horários sem aviso prévio. Deixei a minha filha na paragem do autocarro na hora habitual em Santa Maria da Feira, para ir para o colégio dos Carvalhos. Linha 2029. Depois de ter estado mais de 20 minutos à espera do autocarro é que se apercebeu que voltaram a alterar os horários. O autocarro já tinha saído às 7:18, em vez de sair às 7:30″.

Gondomar com mais 3 linhas em Maio

De referir que, em maio, sexto mês de operação da UNIR, o concelho de Gondomar vai ter em funcionamento mais três linhas. A 2 de maio, vão começar a circular os autocarros que vão servir as zonas mais interiores das freguesias de Rio Tinto, Baguim do Monte, Fânzeres e S. Pedro da Cova, até agora sem transporte público. Gondomar será assim o primeiro concelho a ficar com a rede da UNIR completa.