10,5 Biliões de euros: Valor estimado de faturas e empréstimos não pagos nos prazos acordados na Europa

Uma em cada três empresas (34%) tem maior probabilidade de solicitar prazos de pagamento mais alargados aos fornecedores ou de pagar mais tarde do que o acordado.

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As empresas europeias têm pelo menos 10,5 Biliões de euros de pagamentos por receber, de acordo com as estimativas de contas a receber e empréstimos pendentes, revela o EPR – European Payment Report 2024, o mais recente estudo publicado pela Intrum. Uma quantia exorbitante – cerca de 30% do PIB total dos 25 países analisados no EPR 2024, quase o equivalente à soma do PIB de França, Alemanha e do Reino Unido.

A resistência em pagar faturas dentro dos prazos acordados – apesar de as empresas reconhecerem as consequências desse comportamento – arrisca extrapolar um problema muito mais grave. Os fornecedores que são pagos mais tarde podem ter dificuldade em pagar aos seus próprios fornecedores a tempo, criando um efeito bola de neve.

A 27.ª edição do estudo anual da Intrum avalia 9.255 empresas em 25 países europeus e lança luz sobre a infinidade de desafios que enfrentam após 18 meses de dificuldades económicas.

De acordo com o EPR 2024, as insolvências aumentaram acentuadamente em muitos países da Europa no ano passado:  52% e 35% nos Países Baixos e em França, respetivamente, por exemplo – e prevê-se que aumentem novamente em 2024.

No entanto, apenas 12% dos inquiridos dizem que as perdas por dívidas incobráveis reduziram a sua capacidade de investir em iniciativas estratégicas de crescimento no último ano, o que representa uma queda acentuada quando comparado com 20% em 2021. A percentagem de empresas cujo crescimento foi prejudicado por problemas de pagamentos em atraso também caiu no mesmo período, de 43% para 33%, e apenas 15% das empresas dizem que as dívidas incobráveis são um problema crescente.

Por outro lado, o EPR 2024 salienta que em toda a Europa, as empresas estão a gastar, por semana, uma média de 10,45 horas a tentar recuperar os pagamentos em atraso, uma leve quebra em relação a 2023, quando este número era de 10,47. No entanto, mesmo assim, este valor ainda representa mais de um quarto de um ano de trabalho – 73 dias úteis – tempo valioso que poderia ser utilizado para as empresas se concentrarem na sua atividade principal e no desenvolvimento dos seus negócios.

Instabilidade económica deixa empresas europeias mais cautelosas

O EPR 2024 revela ainda que duas em cada cinco (41%) empresas em toda a Europa planeiam cortar custos este ano, o nível mais elevado desde 2021, em que apenas 28% das empresas admitiam este cenário.

Contudo, após um período recente dominado pela instabilidade económica, as condições económicas estão a melhorar na Europa, com a inflação em março de 2024 a cair para 3,2% no Reino Unido e 2,4% na Zona Euro. As perspetivas mais positivas começam a influenciar a confiança das empresas e o estudo da Intrum mostra isso mesmo, com 31% dos executivos inquiridos a afirmar que os seus negócios se fortaleceram nos últimos 12 meses, acima dos 24% em 2022.

Além disso, 27% dizem que o crescimento das suas receitas está a superar as expectativas, com um aumento de seis pontos percentuais em relação há dois anos atrás. As empresas dos Países Baixos, Noruega e Polónia são as que preveem maiores receitas. No sentido oposto, encontra-se Portugal, Irlanda e Eslováquia.

O EPR 2024 conclui ainda que mais de metade dos gestores (55%) diz haver uma oportunidade viável de expansão interna nos próximos dois a três anos, enquanto 37% está menos confiante sobre a viabilidade do crescimento, mas não a descarta. O maior otimismo observa-se na transformação digital, onde 61% dos executivos diz ver no desenvolvimento de novos modelos de negócio digitais uma oportunidade viável para as suas empresas, nos próximos anos.

Ainda assim, as condições macroeconómicas continuam longe de ser as ideais. Três em cada cinco (61%) inquiridos não espera reduções das taxas de juro durante pelo menos mais um ano, apesar das sugestões de que o BCE poderá estar pronto para cortar as taxas mais cedo.

A volatilidade económica na Europa nos últimos anos levou as empresas a tornarem-se mais cautelosas e defensivas e o EPR 2024 refere que cerca de metade dos executivos que responderam (49%) salientou que o elevado custo dos juros dos empréstimos, os torna mais cautelosos na hora de investirem.

Por outro lado, 34% das empresas revela que existe uma maior probabilidade de solicitar prazos de pagamento mais longos aos seus fornecedores, ou de pagar mais tarde do que o acordado. Outros 15% afirmam que vão começar a alargar as condições de pagamento em 2024 para enfrentar possíveis perturbações e crises económicas. Ao mesmo tempo, quase uma em cada dez empresas (8%) procura reduzir as condições de pagamento que oferece aos seus próprios clientes/consumidores, para ajudar a gerir o fluxo de caixa.

De toda a Europa, as empresas espanholas (20%) são as mais propensas a solicitar prazos de pagamento mais longos aos fornecedores, seguidas de perto por Itália (19%), Portugal (18%), França (17%) e Dinamarca (17%).

Segundo André Rúbio, presidente e CEO da Intrum, «É preocupante ver que os desafios de redução de custos estão a acumular-se em milhares de empresas em 2024, em maior extensão do que em qualquer momento dos últimos cinco anos. O facto de as empresas terem de reduzir custos e de solicitar prazos de pagamento mais longos aos seus fornecedores, enquanto as insolvências aumentam, é uma tendência preocupante. É compreensível que os executivos estejam nervosos após o desafiador ambiente económico dos últimos anos. Devemos ajudar as empresas a gerir e a recuperar o dinheiro que lhes é devido e  incentivar fornecedores e clientes a pagarem atempadamente, a fim de evitar deter o crescimento e obrigar a medidas de redução de custos para sobreviver à atual conjuntura. Tanto os governos como a indústria devem tomar medidas para garantir que as empresas estão a ser apoiadas e que os pagamentos atempados são devidamente incentivados, a fim de evitar perturbar o fluxo de caixa das empresas e a sua capacidade de pagar as suas dívidas. Sem isso, o problema apenas se agrava e cria um ciclo de compromissos de crédito não cumpridos».

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